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Editoria: Mudanças Climáticas
Sexta-feira, 1 jul 2011 - 10h59

Aquecimento Global: 2010 foi segundo ano mais quente da história

Dados divulgados por quatro grandes centros de pesquisa climática do mundo mostram que 2010 foi o segundo ano mais quente da história, ficando atrás apenas do ano de 2005. O resultado é considerado uma surpresa, já que a presença de fenômenos naturais de grande escala como La Niña, erupções vulcânicas e baixa atividade solar deveriam trazer as temperaturas para baixo, mas isso não aconteceu.

A análise foi feita por quatro instituições diferentes que estudam as mudanças climáticas: os norte-americanos Instituto Goddard para Estudos Espaciais, da Nasa (GISS) e Centro Nacional de Dados Climáticos (NOAA-NCDC), a Agência Meteorológica Japonesa e o Escritório Nacional de Meteorologia do Reino Unido (Met Ofice).

De acordo com James Hansen, diretor do GISS, da Nasa, a diferença de temperatura entre 2005 e 2010 é de apenas 0.01°C, um valor tão pequeno que não pode ser distinguido, dadas as incertezas dos cálculos.

Enquanto isso, o ano de 2009, o terceiro mais quente da história, está praticamente empatado com 1998, 2002, 2003, 2006 e 2007, com a diferença máxima entre os anos de apenas 0,03 °C.


Tendência
Apesar de ser um ano de temperatura recorde, a análise das temperaturas precisa ser vista em um contexto mais amplo. "Certamente, é interessante notar que 2010 foi muito quente, mas muito mais importante do que o ranking de um determinado ano são as tendências de longo prazo". disse Hansen.

Um dos problemas quando se focaliza o recorde anual ao invés da tendência de longo prazo é que os recordes individuais muitas vezes diferem das análises feitas por cada instituto, uma situação que pode gerar confusão.

Por exemplo, enquanto o GISS classificava o ano de 2005 como o mais quente, o Met Office creditava esse recorde a 1998. A discrepância ajudou a alimentar a percepção equivocada de que as conclusões dos três grupos variavam drasticamente ou que continham grandes quantidades de incerteza. Além disso, também ajudou a fomentar a ideia de que o aquecimento global parou em 1998.

"Na realidade, nada poderia estar mais longe da verdade", disse Hansen. "As temperaturas globais têm continuado a subir acentuadamente de forma constante".

De acordo com Reto Ruedy, também ligado ao GISS, os registros oficiais podem variar ligeiramente devido às diferenças sutis na forma como os dados são analisados, mas o resultado final entre os grupos concorda extraordinariamente bem para as tendências de longo prazo.

Todos os institutos mostram picos e vales que variam sincronicamente desde 1880 e apresentam um aquecimento bastante rápido principalmente nas últimas décadas.

Para 2011 é possível que os valores finais fiquem abaixo de 2010, ainda devido aos efeitos tardios do La Niña, atividades vulcânicas ou baixa atividade solar, mas devem ser vistos sempre dentro do contexto de longo prazo e não como indicações de tendência imediata.


Arte: o gráfico mostra o resultado de dados compilados desde 1880 por quatro dos maiores institutos de análises climáticas. O resultado varia pouco entre as instituições e mostram valores crescentes de temperatura principalmente nas últimas décadas. Crédito: NASA/GISS/Apolo11.com.







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