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Editoria: Mudanças Climáticas
Terça-feira, 23 nov 2010 - 08h22

Cientistas vão perfurar o Mar Morto e estudar Mudanças Climáticas

Cerca de 40 pesquisadores entre israelenses, palestinos e jordanianos começaram uma tarefa que desta vez está longe de disputar uma fronteira. Os cientistas vão perfurar o Mar Morto a 408 metros abaixo do nível do mar em busca do sedimento e do lodo que irão revelar dados históricos de até 500 mil anos atrás. As amostras vão ajudar a entender questões muito antigas desde a geologia do Oriente Médio, arqueologia até as alterações climáticas da Terra.

Perfuratriz International Continental Scientific Drilling Program instalada no Mar Morto
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“É como ler um livro. É um arquivo perfeito sobre secas, inundações e mudanças climáticas ao longo do tempo”, afirmou Ulrich Harms, cientista alemão que lidera o programa de perfuração International Continental Scientific Drilling Program (DOSECC).

O projeto que precisou de um ano para ser aprovado pela Alemanha custará 2,5 milhões de dólares e terá duração de 40 dias. A broca utilizada em pesquisas científicas pelo mundo tem capacidade de atingir até 1.500 metros de profundidade. Os trabalhos começaram neste fim de semana e a broca deverá perfurar até 1.200 metros.

Por que o Mar Morto?
Porque sua costa é o ponto mais baixo da Terra, a 408 metros abaixo do nível do mar. O Mar Morto, na verdade um grande lago de 402 km quadrados, está localizado em um vale cercado pela Cisjordânia, Jordânia e Israel. Apenas o rio Jordão deságua ali, o que faz com que o acúmulo de sedimento em seu interior profundo esteja praticamente intacto ao longo de milhões de anos.

Imagem de satélite do Mar morto

O Mar Morto se difere de todas outras porções de água da Terra por sua alta salinidade, entre 28% e 35%, enquanto os oceanos mais salgados do planeta têm de 3% a 6% de salinidade. Como ele é isolado do mar, qualquer água doce ou salgada que deságue nele através do rio Jordão, ficará alí até evaporar. Depois que a água evapora, os minerais salgados ficam depositados no Mar.

Climas e Terremotos
A lama retirada do Mar Morto vai revelar através de suas camadas claras e escuras, períodos antigos e recentes de chuvas, secas e alagamentos e por consequência o clima dominante na Terra e os efeitos do aquecimento global. O leito do Mar Morto acumula duas camadas de sedimentos a cada ano.

Outro dado interessante é o indício de terremotos onde as camadas de sedimento não estão alinhadas. “Nós vamos ser capazes de dizer se há 368 mil anos choveu muito, ou não, ou ainda se houve terremotos naquela região”, disse o pesquisador Ben-Avraham, que estuda o Mar Morto há 30 anos.

Para a antropologia o estudo vai ajudar nas teorias sobre as migrações do homem primitivo, que muitos pesquisadores acreditam ter passado pela área da bacia do Mar Morto.

Em outro aspecto, os estudiosos querem entender a diminuição significativa que o lago vem sofrendo nas últimas décadas. Hoje, se sabe que o aumento da extração de água do rio Jordão por Israel, Palestina e Jordânia pode ser um dos principais fatores.


Fotos: No topo, vista da perfuratriz DOSECC sobre o Mar Morto, fotografada em 17 de novembro de 2010. No momento da foto o equipamento estava pronto para ser rebocado até o local das perfurações, cerca de 6 km a nordeste. Na sequência, imagem feita em maio de 2006, pelo satélite Aster, vemos o Mar Morto ao centro, com Israel à esquerda e a Jordânia à direita. O acidente geográfico visto na parte inferior é a península jordaniana de El Lisan. Créditos: International Continental Scientific Drilling Program / Nasa-Modis/Apolo11.com.







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