Sábado, 26 jan 2008 - 12h00

Asteróide de 250 metros se aproxima da Terra na terça-feira

Um novo asteróide, denominado 2007 TU24, descoberto no dia 11 de outubro de 2007 pelos cientistas do JPL, Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa, promete chamar a atenção dos astrônomos do mundo inteiro durante os próximos dias. O objeto está se aproximando cada vez mais do nosso planeta e no dia 29, terça-feira, às 10h33 pelo horário de Brasília deverá atingir a maior aproximação, quando passará a apenas 1.4 LD da Terra, ou 538 mil quilômetros.

Não existe a menor possibilidade de impacto com nosso planeta, mas 2007 TU24 poderá ser visto até mesmo com modestos telescópios, já que seu brilho aparente será de 10.3 magnitudes. Aqui no Brasil o objeto já pode ser observado a partir das 21 horas entre as constelações de Andrômeda e do Triângulo. A observação é possível até aproximadamente 23 horas, quando o asteróide se posicionará abaixo do horizonte.

Para ver o asteróide recomenda-se no mínimo um telescópio pequeno, com 80 milímetros de abertura.

As primeiras imagens do asteróide foram captadas na última quinta-feira, dia 24 de janeiro, através de sondagens feita pelo telescópio-radar de alta resolução de Goldstone, na Califórnia e indicam que 2007 TU24 tem forma assimétrica e seu diâmetro é de aproximadamente 250 metros. Cálculos mais apurados mostram que o período orbital do objeto é de 1040 dias.

Classificado como "potencialmente perigoso", segundo a Nasa, 2007 TU24 será o asteróide dessa categoria que mais se aproximará da Terra até o ano de 2027. Segundo os cientistas, objetos de tamanho semelhante se aproximam da Terra apenas uma vez a cada cinco anos. O asteróide que passou mais próximo do nosso planeta foi FU162, uma rocha de aproximadamente 6 metros, que no dia 31 de março de 2004 esteve a menos de 6500 quilômetros de distância.


Localizando a rocha
O gráfico abaixo mostra a posição do asteróide na noite de 28 de janeiro às 21h00 pelo horário de Brasília. No momento da observação a elevação acima do horizonte será de aproximadamente 20 graus sobre o ponto cardeal noroeste.


Os asteróides
Asteróides são rochas irregulares cuja maioria orbita uma região do espaço entre Marte e Júpiter, conhecida como "Cinturão de Asteróides". Elas existem aos milhares e por serem muito pequenas, não são considerados planetas.

Pelo menos dezesseis desses objetos têm um diâmetro maior que 240 km e um deles, o maior de todos, batizado de Ceres(foto), tem um diâmetro de aproximadamente 1000 km.

Atualmente é aceito pela maioria dos cientistas que essas rochas são fragmentos de um planeta que não chegou a se formar, mas seus pedaços permanecem orbitando o Sol.

Os asteróides não estão presentes apenas no "Cinturão de Asteróides", mas também orbitam outras regiões do sistema solar e já foram descobertos desde o interior da órbita da Terra até para além da órbita de Saturno.

A grande maioria no entanto, orbita entre Marte e Júpiter e se permanecessem no seu lugar, praticamente não representariam riscos. No entanto, diversos mecanismos podem fazê-los sair de suas órbitas.

Como exemplo, a colisão entre os próprios asteróides ou a forte atração gravitacional de Júpiter pode modificar a trajetória alguns deles, deslocando-os do Cinturão para uma nova órbita, capaz de cruzar a órbita terrestre.


Apollo, Amor e Atens
Outro grupo de asteróides, conhecidos por Apolos, Amor e Atens, circulam em regiões distintas do Sistema Solar. Estes objetos representam um risco muito mais imediato do que os do Cinturão, já que suas órbitas naturais cruzam a órbita da Terra.

Por cruzarem nossa órbita, alguns desses objetos já atingiram nosso planeta em tempos passados. Um exemplo real dessa colisão com a Terra é a cratera formada pelo Meteoro Barringer, próximo a Winslow, no Arizona, EUA, vista abaixo.

2007 TU24 também pertence à classe de asteróides Apollo.

Fotos: no topo, movimento do asteróide 2007 TU24 captado pelo telescópio-radar de alta resolução de Goldstone. O objeto tem forma irregular com aproximadamente 250 metros de extensão. Nesta imagem cada pixel correspode a 20 metros. Crédito: nasa/JPL-Caltech. Na sequência gráfico de localização da rocha. Acima, diagramas mostram a posição do cinturão de asteróides e as órbitas dos objetos Apollos, Amor e Atens.

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