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Segunda-feira, 17 jun 2024 - 10h57
Por Rogério Leite

Encontro do Sol com objeto distante pode ter afetado o clima na Terra

Há bilhões de anos, a Lua orbita a Terra, que por sua vez orbita o Sol e este orbita o centro da Via Láctea, todos juntos oscilando para cima e para baixo em relação ao plano galáctico. Agora, um interessante estudo sugere que estes movimentos levaram o sistema solar a passar por regiões do espaço que podem ter afetado o clima do nosso planeta.

Sistema Solar envolvido pela heliosfera. Crédito: NASA
Sistema Solar envolvido pela heliosfera. Crédito: NASA

De acordo com um novo estudo publicado pela NASA, há grande chance de que nessa jornada o Sistema Solar tenha passado em algum momento por uma nuvem interestelar extremamente densa, que interferiu no fluxo do vento solar, com consequente resfriamento dos planetas.

"Constantemente, nosso Sol emite um fluxo constante de partículas carregadas conhecido por vento solar, que passa por todos os planetas. Esse fluxo atinge mais de três vezes a distância até Plutão, até chegarem ao chamado meio interestelar, ou ISM. Com isso, forma-se uma espécie de bolha gigante ao redor do Sol e de seus planetas, conhecida como heliosfera", explicou o estudo.

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Bolha Local
Atualmente, o Sistema Solar está contido em uma "bolha local" de cerca de 1000 anos-luz de diâmetro, batizada de "nuvem interestelar local", ou LIC. Esta “bolha local” é bem menos densa do que o espaço interestelar típico, com aproximadamente 0,001 partículas por centímetro cúbico, quando comparada aos típicos 0,1 átomos por centímetro cúbico do ISM.

De acordo com o conhecimento atual, nos próximos milhares de anos todo o Sistema Solar deixará esta vasta região, em direção mais uma vez ao meio interestelar. Observando o caminho do Sistema Solar dentro da via láctea e mapeando a faixa local de regiões frias, a equipe de pesquisadores afirma que provavelmente todo o Sistema Solar já passou por regiões mais densas no passado.

“No trajeto dentro do ISM que o Sol atravessou nos últimos milhões de anos, existem nuvens frias e compactas que poderiam ter afetado drasticamente nossa heliosfera. Atualmente estamos explorando um cenário bastante provável em que o Sistema Solar passou por uma nuvem de gás frio há alguns milhões de anos", afirma o documento.

Embora os estudos da passagem do Sistema Solar por tais regiões tenha ocorrido em zonas mais esparsa do que a dos átomos na bolha local, a equipe de cientistas acredita que isso pode ter contraído a nossa heliosfera, com possíveis efeitos no nosso clima. Como se sabe, a heliosfera age como uma camada de proteção e à medida que se contrai, parte do material das regiões mais densas pode ter atingido a Terra.

Isótopos sem Explicação
“Grandes quantidades de hidrogênio neutro, como resultado do encontro com nuvens frias de densidade superior a 1000 cm3, sem dúvida alterariam a química da atmosfera da Terra. Alguns argumentam que tais altas densidades esgotariam o ozônio na atmosfera média do planeta entre 50 e 100 ,km, eventualmente resfriando a Terra".

A equipe diz que evidências geológicas de quantidades aumentadas de isótopos 60Fe (ferro 60) e 244Pu (plutônio 244) encontrados em núcleos de gelo nos oceanos, na neve antártica e em amostras da Lua, ainda sem explicação convincente podem ser forte evidência de que essas partículas chegaram à Terra à medida que atravessávamos o meio interestelar.

De acordo com os modelos atuais, esses isótopos são ejetados por supernovas e fusões de estrelas de nêutrons, que ficam aprisionados na poeira interestelar. Estes isótopos no registro geológico foram anteriormente explicados como sendo enviados para cá por uma supernova próxima, mas a equipe acredita que poderiam ser mais bem explicados por partículas presas na nuvem de poeira, já que uma supernova próxima colapsaria a heliosfera a distâncias próximas a 1 UA (1 UA é a distância entre a Terra e o Sol), enquanto uma supernova mais distante não depositaria 60Fe suficiente na Terra.

Mudança de Clima e Homo Sapiens
De acordo com Merav Opher, físico espacial ligado à Universidade de Boston, EUA, este artigo é o primeiro a mostrar quantitativamente que houve um encontro entre o Sol e algo fora do sistema solar que teria afetado o clima da Terra. "Mas assim que a Terra se afastou novamente da nuvem fria, a heliosfera engoliu todos os planetas, incluindo a Terra", explicou Opher,

Segundo o estudo, a contração da heliosfera pode ter durado por um período entre centenas de anos a um milhão de anos e é bem provável que encontremos outra nuvem de contração da heliosfera dentro de mais um milhão de anos ou mais.

A equipe de pesquisadores deixa claro que este trabalho deve ser revisitado futuramente com modelos atmosféricos mais modernos, tendo como sugestão de investigação que as mudanças climáticas nessa época poderiam até mesmo ter afetado a evolução humana. A hipótese é que o surgimento da nossa espécie Homo Sapiens foi moldado pela necessidade de adaptação às mudanças climáticas daquela época, já que com o encolhimento da heliosfera a Terra ficou exposta diretamente ao meio interestelar.

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