Quarta-feira, 28 mai 2008 - 18h23

Entenda melhor a disputa dos países pela região do Ártico

Representantes políticos dos países vizinhos do continente Ártico - Dinamarca, Noruega, Rússia, Estados Unidos e Canadá - se reuniram nesta terça e quarta-feira em uma conferência na cidade de Ilulissat, na Groenlândia. O encontro poderia ser mais uma reunião política ou científica sugerindo formas de diminuir os efeitos do aquecimento global, mas ao que parece os dirigentes mundiais não estão muito preocupados com isso.

Diante do rápido degelo da região ártica, resultado das constantes mudanças climáticas do planeta, o único propósito da reunião é discutir as pretensões territoriais do local. O Ártico é formado por gelo e água, mas o que está no centro da disputa tem um valor muito mais imediato.

Cientistas russos e americanos calculam que lá se encontra pelo menos um quarto das reservas mundiais de petróleo e gás natural, localizada em grande parte abaixo da chamada Cordilheira de Lomonossov, que se estende da Groenlândia à Sibéria Oriental, passando pelo Pólo Norte.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, assinada em 1982, afirma que os países têm direito exclusivo de exploração dos recursos naturais encontrados dentro do limite das 200 milhas de águas territoriais, ou 370 km. A Dinamarca, que administra a Groenlândia, quer que os outros países respeitem as regras, mas parece que não será uma tarefa muito fácil. Para se ter uma idéia, no ano passado uma expedição russa chegou a fincar uma bandeira do país no fundo do Ártico. A missão buscava indícios geológicos que sustentassem a provável reivindicação russa sobre uma vasta área do continente.

Navegação mais barata
Enquanto ambientalistas e grande parte da sociedade se esforçam em criar medidas que reduzam o aquecimento global e seus efeitos sobre o Ártico, os governos envolvidos diretamente na região se interessam mais em engordar seus cofres públicos, nem que para isso coloquem em risco a saúde do planeta.

Recentemente, após a constatação através de imagens de satélites de que o derretimento das geleiras estava permitindo a navegação no Ártico em praticamente todo o ano, analistas de mercado demonstraram otimismo com a provável queda do preço dos transportes marítimos entre a Europa e América do Norte, já que as geleiras não seriam mais um empecilho à navegação. Ou seja, o degelo glacial é ruim para o planeta, mas é um bom negócio para o comércio.

A discussão está só começando e uma decisão final sobre os direitos da exploração do Ártico não será tomada de imediato. Até 2014, os países interessados devem enviar os resultados de suas pesquisas à ONU, que serão analisados pela Comissão de Limites da Plataforma Continental das Nações Unidas.

Até lá, a sociedade deverá aguardar e assistir pacientemente o aumento da temperatura do planeta, ao mesmo tempo em que os países envolvidos realizem suas prospecções com objetivos financeiros disfarçados de pesquisas ambientais.

Fotos: No topo, a região do Ártico vista através de imagens de satélites. À direita, a Groenlândia e no topo o Pólo Norte. A área em verde é o norte do Canadá. Na seqüência, imagem captada pelo satélite Envisat mostra a rota ao longo da costa do canadense, totalmente navegável no mês de setembro de2007. A coloração cinza escuro representa as áreas livres de gelo enquanto as áreas ainda cobertas são destacadas em verde. A linha amarela mostra a Passagem Noroeste ao longo da costa canadense, já totalmente navegável, enquanto a linha azul mostra a Passagem Nordeste, na costa da Sibéria, parcialmente desobstruída graças ao aquecimento global. Créditos: Nasa/ESA.

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