Quarta-feira, 13 mai 2020 - 09h56
Por Rogério Leite

Lixo espacial: corpo de foguete chinês cai na Costa do Marfim

Restos de um foguete Longa Marcha 5B caíram sobre um pequeno povoado na costa oeste da África, causando danos materiais. Devido ao grande tamanho o corpo do foguete não foi totalmente consumido na reentrada. O fragmento tinha 20 toneladas e é um dos maiores pedaços de lixo espacial a penetrar a atmosfera terrestre em quase 30 anos.

Lançamento do foguete Longa Marcha 5b, em 5 de maio de 2020. O corpo do foguete  caiu na Costa do Marfim em 11 de maio de 2020.
Lançamento do foguete Longa Marcha 5b, em 5 de maio de 2020. O corpo do foguete caiu na Costa do Marfim em 11 de maio de 2020.

O foguete Longa Marcha 5B partiu do centro de lançamento de Wenchang no dia 5 de maio de 2020, com objetivo de colocar no espaço um protótipo de cápsula orbital similar à Dragon, da empresa SpaceX.

Após a cápsula entrar em orbita, o 5b permaneceu no espaço por quase sete dias, caindo lentamente dia após dia. Se tudo corresse como planejado, o resto do foguete deveria arder sobre o Atlântico e se desintegrar, mas a grande massa do Longa Marcha resistiu à alta temperatura e não se consumiu totalmente, atingindo o solo na região da Costa do Marfim.

Este é o maior objeto a reentrar na atmosfera da Terra desde a estação soviética Salyut 7, em 1991.

Tela de rastreio do site Satview.org, indicando a posição do início da ruptura da estrutura. Instantes antes o foguete passara sobre Nova York.
Tela de rastreio do site Satview.org, indicando a posição do início da ruptura da estrutura. Instantes antes o foguete passara sobre Nova York.

O mapa acima, elaborado pelo site de rastreio de lixo espacial Satview.org mostra a última orbita do Longa Marcha 5B. O símbolo do alvo indica onde iniciou a ruptura da estrutura, a cerca de 114 km de altitude, às 12h34 pelo horário de Brasília. Como podemos observar, cerca de treze minutos antes o foguete sobrevoou a cidade de Nova York. No mapa, cada pontinho equivale a 1 minuto.

Na costa do Marfim, moradores de diversos vilarejos relataram ter vistos misteriosos objetos metálicos caindo do céu, entre eles cano de 12 metros. Um dos fragmentos atingiu uma pequena construção, danificando parte do telhado.

Lixo Espacial: Restos do Longa Marcha 5B caíram na Costa do Marfim e foram recolhidos por moradores locais.
Lixo Espacial: Restos do Longa Marcha 5B caíram na Costa do Marfim e foram recolhidos por moradores locais.


Como ocorre um reentrada espacial
O que é reentrada espacial?
Prever exatamente quando um satélite ou foguete não controlado irá reentrar na atmosfera não é uma tarefa fácil
e leva em consideração um grande número de variáveis,entre eles o arrasto na atmosfera e a atração gravitacional exercida pelos objetos do sistema solar, especialmente o Sol e a Lua.

Outros parâmetros de grande importância são o fluxo solar e a interação gravitacional exercida pelas montanhas e oceanos.

Os valores calculados podem divergir bastante, dependendo do momento em que são calculados e da validade dos elementos orbitais
que se tenha à mão. Normalmente, para reentradas programadas de foguetes ou naves não comandadas, o erro pode ser de até 5 horas,
para mais ou para menos, do momento previsto, o que aumenta as incertezas da localização da queda.

Até mesmo as naves tripuladas, como as Soyuz, que trazem de volta à Terra os cosmonautas russos, têm sua posição de reentrada estimada com margem de erro,
fazendo com que aterrisem em locais muito distantes do previsto, que em alguns casos superam 700 quilômetros.

Altitude da Reentrada
Naves que reentram sem controle na atmosfera, normalmente se rompem entre 72 e 84 quilômetros de altitude devido à temperatura e forças aerodinâmicas que agem sobre a estrutura.

A altitude nominal do rompimento é de 78 km, mas satélites de grande porte que têm estruturas maiores e mais densas conseguem sobreviver por mais tempo e se rompem em altitudes mais baixas. Painéis solares são destruídos bem antes, quando os satélites ainda estão entre 90 e 105 km.

O que acontece na reentrada?
Uma vez que a espaçonave ou seu corpo principal se rompem, diversos componentes e fragmentos continuam a perder altura e se aquecer, até que se desintegram ou atingem a superfície. Muitos dos componentes são feitos em alumínio, que se derretem facilmente. Como resultado, essas peças e desintegram quando a nave ainda está em grandes altitudes.

Por outro lado, se um componente é feito com material muito resistente, que necessita de altas temperaturas para atingir o derretimento, pode resistir por mais tempo e até mesmo sobreviver à reentrada. Entre esses materiais se encontram o titânio, aço carbono, aço inox e berilo, comumente usados na construção de satélites.

Riscos da reentrada de Lixo Espacial
O interessante é que ao mesmo tempo em que são resistentes às altas temperaturas, esses materiais também são muito leves (por exemplo, chapas de tungstênio) e como resultado a energia cinética no momento do impacto é tão baixa que raramente provoca danos de grande porte.

O maior problema relacionado à reentrada de lixo espacial é com relação a composição química residual, que dependendo do componente que sobreviveu à reentrada, pode conter material extremamente tóxico, como por exemplo a hidrazina, utilizado como combustível ou até mesmo material radioativo, usado na geração de energia elétrica.

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