Quarta-feira, 4 jun 2014 - 08h42
Por Rogério Leite

Mega-terra: novo tipo de planeta intriga os cientistas

A partir de dados registrados pelo telescópio espacial Kepler, pesquisadores estadunidenses encontraram um planeta até agora inimaginável. O objeto pesa cerca de 17 vezes a massa da Terra e se formou apenas 3 bilhões de anos depois do Big bang.

Megaterra Kepler 10
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Batizado como Kepler-10C, o novo planeta completa uma volta em torna da estrela-mãe a cada 45 dias e faz parte de um mini sistema solar composto de mais um objeto, Kepler-1 0b, um mundo extremamente quente e repleto de lava, cujo ano tem apenas 20 horas de duração.

"Estamos muito surpresas com essa descoberta", disse o astrônomo Xavier Dumusque, ligado ao Centro Harvard-Smithsoniano para Astrofísica, que coordenou a equipe que analisou os dados que culminou com o achado.

A surpresa de Dumusque e seus colegas está na fato de que objetos pesados assim não poderiam ser totalmente sólidos. Até agora, os teóricos acreditavam que tal mundo não poderia formar já que gravidade trataria de aprisionar o hidrogênio durante seu crescimento, o que os transformaria em um gigante gasoso similar a Júpiter.

Este planeta, porém, é quase totalmente sólido e muito maior do que chamadas super-Terras anteriormente descobertas. Trata-se de uma mega-Terra.

"Esse objeto é o Godzilla das Terras", disse Dimitar Sasselov, pesquisador do Harvard Origins of Life Initiative. "A diferença é que Kepler-10c tem implicações positivas para a vida".


Trânsito Planetário
O novo planeta se localiza a 560 anos-luz da Terra e foi descoberto a partir de dados coletados pelo telescópio espacial Kepler.

Trânsito Planetário

Como em outras descobertas de exoplanetas, a técnica utilizada na detecção foi a do trânsito planetário, um método altamente eficiente que permite revelar a passagem de um astro na frente da estrela hospedeira em virtude da variação em seu brilho. Durante o trânsito, ocorre uma ligeira atenuação no brilho da estrela observada, interpretada pelos pesquisadores como a passagem de um astro.

Medindo-se o "escurecimento" da estrela e o tempo do trânsito, os pesquisadores podem determinar o tamanho físico do planeta, seu diâmetro e características orbitais. De acordo com o paper (trabalho científico) publicado, Kepler-10c tem aproximadamente 30 mil quilômetros de diâmetro, ou 2.3 a largura da Terra.


Para medir a massa do novo planeta a equipe de cientistas utilizou o Telescopio Nazionale Galileo, TNG, instalado nas Ilhas Canárias. O cálculos mostraram que Kepler-10c tem cerca de 17 vezes a massa da Terra. Essa informação, associada às características orbitais reveladas com a técnica do trânsito permitem afirmar Kepler-10c tem uma densa composição de rochas e outros elementos sólidos, além de uma densa atmosfera gasosa.


Implicações
A descoberta de que Kepler-10c é uma mega-terra pode ter diversas implicações na história do Universo e nas possibilidade de surgimento da vida. Segundo os autores do estudo, o sistema Kepler-10 tem ao redor de 11 bilhões de anos, o que significa que foi formado menos de 3 bilhões de anos após o Big Bang. E isso é muito interessante.

O universo primordial continha apenas hidrogênio e hélio. Os elementos mais pesados necessários para criar os planetas rochosos, como silício e ferro, foram criados apenas nas primeiras gerações de estrelas. Quando essas estrelas explodiram, espalharam esses ingredientes fundamentais pelo espaço, que foram depois incorporados em gerações posteriores de estrelas e planetas.

Este processo, acredita-se, levou bilhões de anos para ser concluído. No entanto, a descoberta de Kepler-10c mostra que o universo foi capaz de formar tais pedras enormes mesmo durante o tempo em que os elementos pesados ainda eram escassos, o que mostra que os planetas rochosos poderiam se formar muito mais cedo do que pensávamos.

"Isso tudo é simplesmente sensacional. Afinal, se o Universo pode criar rochas prematuramente, também pode ter gerado formas de vida antes do que pensávamos", disse Sasselov.

O estudo também sugere que os astrônomos não devem excluir as estrelas velhas quando procuram por planetas semelhantes à Terra, já que se estrelas velhas pode hospedar planetas rochosos, então temos ainda mais chances de encontrar mundos potencialmente habitáveis em nossa vizinhança cósmica.



Artes: No topo, concepção artística mostra em primeiro plano o exoplaneta Kepler-10c e ao fundo seu vizinho Kepler-10b. Acima, diagrama mostra a a técnica usada para detecção do planeta, baseada na perda de brilho da estrela mão quando o planeta passa na sua frente. Créditos: Smithsonian Center for Astrophysics, Apolo11.com.

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