Sexta-feira, 11 jul 2008 - 11h12

Muito quieto: afinal, o que está acontecendo com o Sol?

Há tempos você observa para o Sol (com lunetas e filtros apropriados) e não vê nenhuma mancha solar. Analisa durante dias as imagens do satélite Soho e também não vê nenhum flare ou explosão que chame a atenção. Teimoso, checa os boletins e confirma que a atividade está de fato muito baixa. Você coça a cabeça e se pergunta: Afinal, o que está acontecendo com o Sol?

Para quem não sabe, a cada 11 anos o Sol passa por momentos alternados de alta e baixa atividade eletromagnética, conhecidos por mínimos e máximos solares. Esse período é chamado de ciclo solar ou de Schwabe e desde que as observações começaram a ser feitas já foram contados 23 ciclos até o ano de 2007.

Durante o máximo solar, grandes manchas e intensas explosões ocorrem quase diariamente. As auroras surgem nas latitudes médias e violentas tempestades de radiação danificam os satélites em órbita. A última vez que isso ocorreu com tal intensidade foi entre os anos de 2000 e 2001.

No Mínimo Solar ocorre o contrário. Quase não existem flares solares e podem passar semanas sem que uma única mancha quebre a monotonia do disco solar. É exatamente esse o momento atual que estamos passando.

Apesar da fase de baixa atividade ser comum, alguns observadores têm questionado a duração desse período, que já dura quase três anos. A baixa atividade atual parece mais longa do que deveria e diversas circulares científicas divulgam isso. No entanto, segundo o físico solar David Hathaway, ligado ao Centro Marshall de vôos espaciais, da Nasa, essa fraca atividade e a pequena quantidade de manchas solares verificadas estão absolutamente dentro dos padrões históricos dos ciclos solares.

Segundo Hathaway, pode até parecer que esse período é longo demais, mas é importante não esquecermos de quanto tempo um período de mínimo solar pode durar. "No início do século 20 houve momentos de calma que duraram quase duas vezes mais que a atual fase. A maioria dos pesquisadores nem sequer tinham nascido naquela época", disse o cientista.


Estatísticas
Hathaway tem estudado dados mundiais de contagem de manchas solares, algumas deles do ano de 1749, e com base nesses dados realizou um interessante trabalho estatístico. "O período médio de um ciclo solar é 131 meses com um desvio padrão de 14 meses. O ciclo que se finaliza agora, de número 23, já dura 142 meses, portanto dentro do desvio padrão". Ainda de acordo com Hathaway, a média de manchas solares dos últimos 13 meses é de 5.7, maior que a média mínima dos últimos 23 ciclos. "Em resumo, o mínimo atual não está anormalmente baixo ou longo demais", explica o cientista.


Inverno Implacável
O mínimo mais longo da história, o Mínimo de Maunder, ocorreu entre 1645 e 1715 e durou incríveis 70 anos. Manchas solares eram extremamente raras e o ciclo solar de 11 anos parecia ter se rompido. Esse período de silêncio coincidiu com a "pequena Era do Gelo" uma série de invernos implacáveis que atingiu o hemisfério Norte.

Por razões ainda não compreendidas, o ciclo de manchas solares se normalizou no século 18, voltando ao período de 11 anos. Como os cientistas ainda não compreendem o que disparou o Mínimo de Maunder e como pode ter influenciado o clima na Terra, a busca por sinais de que possa ocorrer de novo é um trabalho constante nas pesquisas.

O período de calma atual não significa a repetição do Mínimo de Maunder, acredita Hathaway. "Já estamos observando algumas manchas do próximo ciclo (24), o que sugere que o ciclo solar está progressivamente se normalizando".

Se tudo estiver correto como diz Hathaway, lentamente a atividade solar irá crescer até atingir o máximo da atividade, previsto para o ano de 2012.

Artes: No topo, gráfico montado pelo físico David Hathaway apresenta a atividade solar verificada nos último anos. Observe que a atividade atual é fraca, daí o nome de mínimo solar. Observe também que com o passar do tempo, a atividade deverá crescer, dando origens a mais manchas solares. Acima, gráfico mostra a média de manchas solares desde 1610, com destaque para o Mínimo de Maunder, de 70 anos de inatividade. Crédito:David Hathaway/Nasa/Centro Marshall de vôos espaciais.

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