Sexta-feira, 27 mar 2020 - 11h26
Por Rogério Leite

Pandemia: Imagens de Satélites registram apagão em cidades chinesas

Além de sua beleza, as imagens noturnas da Terra têm um uso prático extremamente importante. As luzes noturnas das cidades, estradas e outras infraestruturas são impressões digitais de como nossa civilização se espalhou pelo planeta. Para alguns pesquisadores, essas luzes não apenas mostram onde moramos, mas como.

Imagens de satélite comparam diferentes momentos na cidade de Hubei, na China. As cenas revelam a mudança de comportamento durante a pandemia de 2020.
Imagens de satélite comparam diferentes momentos na cidade de Hubei, na China. As cenas revelam a mudança de comportamento durante a pandemia de 2020.

Cientistas do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, GSFC, e da Associação de Pesquisa Espacial das Universidades , USRA, detectaram sinais claros do recente desligamento dos negócios e dos transporte na província de Hubei, no centro da China. Naquele país as autoridades suspenderam viagens aéreas, rodoviárias e ferroviárias, além de severas restrições a outras atividades desde o final de janeiro de 2020, quando o surto de COVID-19 surgiu na região.


Visto de cima
Na tentativa de encontrar padrões de uso de energia, transporte, migração e outras atividades, a equipe de pesquisadores analisou diversas imagens noturnas da Terra e encontraram nítidas mudanças de atividade na cidade de Wuhan, China, entre 19 de janeiro e 4 de fevereiro de 2020.

Nas imagens mostradas nesta página, as etiquetas marcadas com "G" ou "S" indicam rodovias nas quais parece haver uma mudança acentuada.

As cenas foram adquiridas antes e depois do fechamento das redes de transporte e encerramento da maioria das atividades comerciais ma cidade de 60 milhões de pessoas. As imagens se concentram nas mudanças de iluminação no distrito de Jianghan, uma área comercial de Wuhan e nas áreas residenciais próximas. Observe como as rodovias e as áreas metropolitanas ficam mais escuras após o bloqueio.


Estudo comportamental
“As luzes oferecem uma perspectiva diferente sobre os assentamentos humanos. Não estamos apenas olhando para onde estão as estradas. Essas imagens estão nos dizendo quando e se as estradas estão sendo usadas, revelando a dinâmica das atividades humanas”, explicou Miguel Román, diretor o Instituto da Terra vista do Espaço, da USRA. Por vários anos o grupo de Román vem construindo ferramentas e técnicas para registrar sinais melhorados e mais consistente das imagens noturnas, com o objetivo de usá-las para examinar os padrões humanos.


Imagens de Satélites
Os dados para as imagens foram adquiridos com o instrumento VIIRS (Visible Infrared Imaging Radiometer Suite) a bordo do satélite Suomi NPP, da NASA, e processados por cientistas do GSFC e da USRA. O instrumento VIIRS possui um sensor de pouca luz nas faixas dia/noite, capaz de medir tanto as emissões como os reflexos da luz. Essa capacidade do VIIRS tornou possível distinguir a intensidade, tipos e fontes de luzes e observar como elas mudam.


Neste tipo de sensoriamento remoto a precisão é extremamente crítica, em especial para o registro das luzes noturnas. Imagens brutas e não processadas podem ser enganosas, porque a luz da lua, as nuvens, a poluição, a cobertura de neve, a vegetação sazonal e até a posição do satélite podem mudar a maneira como a luz é refletida, distorcendo as observações das luzes.

As cenas mostradas foram adquiridos com 16 noites de diferença, uma vez que o satélite SUOMI repete seu padrão orbital a cada 16 dias. Isso permitiu aos pesquisadores verem a mesma localidade exatamente do mesmo ângulo em pelo menos duas noites.

Para manter uma captura constante, a equipe de pesquisadores equalizou todos os registros e nas duas noites de captura as noites foram relativamente livres de nuvens, o que não acontece frequentemente nas latitudes médias do planeta.

"As imagens processadas pela equipe Black Marble nos dão uma visão da Terra centrada no ser humano", disse Eleanor Stokes, uma cientista especializadas em urbanização e mudanças globais ligada ao GSFC. "Ao monitorar essas luzes, obtemos novas ideias sobre as cidades, seu desenvolvimento de infraestrutura e seus padrões de crescimento, mas também sobre o pulso das atividades humanas que compõem a vida urbana".

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