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Segunda-feira, 13 jun 2022 - 08h32
Por Rogério Leite

Poluição por satélites Starlink está próxima do insustentável

Já faz três anos que a SpaceX lançou seu primeiro grupo de satélites de comunicação via internet, chamado Starlink. Desde então, a comunidade científica ligada à astronomia vem manifestando séria preocupação sobre os traços luminosos que o enxame de satélites deixa nas imagens do céu noturno.

Rastro de satélites Starlink registrado por imagem time-lapse de longa exposição, localizada em Carson National Forest, no Novo México. Credito: M. Lewinsky.<BR>
Rastro de satélites Starlink registrado por imagem time-lapse de longa exposição, localizada em Carson National Forest, no Novo México. Credito: M. Lewinsky.

Atualmente, estão em orbita da Terra mais de 2300 naves da frota Starlink, quase metade de todos os satélites operacionais. A frota só aumenta, comprometendo cada dia mais o estudo das imagens.

Embora a maioria dos satélites Starlink não seja visível a olho nu, com exceção de objetos recém lançados, fotografias de longa exposição, como as usadas no estudo das astronomia, revelam facilmente cada um dos objetos, que aparecem nas imagens muito mais brilhantes que os astros sob estudo.

Desde a primeira interferência dos Starlinks, os cientistas tentam métodos de prever com exatidão a posição de cada satélite dentro do campo de visão do telescópio, criando softwares que mascaram a luz do Sol refletida pelos satélites. Entretanto, por diversos motivos esse método não resolve totalmente a interferência luminosa.

A própria SpaceX estava tentando resolver o problema colocando anteparos bloqueadores de luz solar em seus Starlinks, mas de acordo com o periódico Nature, a empresa parou de fazê-lo.

O projeto da SpaceX é aumentar absurdamente a frota de satélite e prevê o lançamento de milhares de novos objetos nos próximos anos. De acordo com Meredith Rawls, astrônoma ligada à Universidade de Washington, “esta é uma trajetória insustentável. No momento, a ciência está bem, mas haverá um ponto de não retorno, em que perderemos novas descobertas”.


65 mil Satélites Visíveis
A quantidade de pontos luminosos visíveis a olho nu ou através de imagens de longa exposição é, atualmente, a maior desde o início da Era Espacial, na década de 1950.

Um estudo publicado recentemente mostra que as futuras constelações de satélites Starlink serão as mais visíveis durante as noites de verão nas latitudes entre cerca de 50 graus ao sul e 50 graus ao norte, onde a maior parte dos grandes observatórios europeus e canadenses estão localizados.

O mesmo estudo afirma que se a SpaceX e outras empresas colocarem em orbita os 65 mil satélites previstos, os pontos brilhantes dominarão os céus noturno em toda essa gama de latitudes em torno do solstício de verão. Para se ter uma ideia do tamanho do impacto, nas horas em torno do nascer e do pôr do sol, uma em cada 14 estrelas visíveis a olho nu será na verdade um satélite artificial.

Se a olho nu o impacto já é tremendo, instrumentos profissionais são os que mais estão sofrendo os efeitos da poluição. O Zwicky Transient Facility (ZTF), que pesquisa amplas faixas do céu usando um telescópio de 1,2 metro, localizado em Monte Palomar, na Califórnia, revelou que entre 18% e 25% de suas imagens estão sendo comprometidas com os traços luminosos.


Starlink - Outros Efeitos
O número cada vez maior de Starlinks também ameaça afetar o campo da radioastronomia e amplia ainda mais a quantidade de lixo espacial presente na baixa atmosfera e sua presença crescente pode afetar a vida em todo o planeta já que a reflexão luminosa em grande escala contribui para aumentar a luz de fundo do céu noturno, levando à desorientação de aves ou outros animais migratórios que dependem da navegação celeste.

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