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Editoria: Exploração Espacial
Terça-feira, 14 abr 2009 - 09h49

Marte: após 5 anos robô Spirit apresenta primeiras instabilidades

Após mais de cinco anos em plena atividade no Planeta Vermelho, o jipe-robô Spirit passou a apresentar os primeiros sinais de fadiga. Pela primeira vez desde que pousou na superfície marciana os computadores de bordo do explorador resetaram duas vezes em menos de 24 horas, entrando automaticamente em modo de segurança.

"Ainda não sabemos exatamente o que aconteceu. As baterias estão carregadas, os painéis solares estão produzindo energia corretamente e as temperaturas estão dentro dos valores esperados. Por sorte temos bastante tempo para investigar a causa do problema", disse John Callas, do Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa (JPL) e diretor do projeto Spirit e do gêmeo Opportunity. "O jipe está estável, fazendo um check-up de suas funções vitais. Essa operação se chama automode e deverá permanecer assim pelo tempo que for necessário. Quando descobrimos as causas enviaremos um comando para que entre novamente em operação", explicou Callas.

O Spirit se comunicou normalmente com os controladores do JPL na sexta-feira, sábado e domingo, mas algumas das sessões foram bastante irregulares. Durante a comunicação de domingo um dos computadores resetou aparentemente sem motivo, mas no momento em que as transmissões eram feitas com a antena parabólica de alto ganho.

Os jipes Spirit e Opportunity têm diversos meios de se comunicar com a Terra. As transmissões podem ser diretas e em alta velocidade através da antena direcional de alto ganho ou em menor velocidade, usando a antena fixa de menor ganho. Utilizando um transmissor UHF independente os robôs também podem se comunicar com a Terra através das naves que orbitam Marte, que agem como repetidores de sinais.

Segundo Callas, pelo menos nas próximas sessões as comunicações deverão ser feitas com o transmissor de UHF e a antena de baixo ganho, evitando assim qualquer interferência relacionada ao uso da antena de maior capacidade.

Sinais da idade
Projetado para uma missão de 90 dias, o jipe-robô Spirit superou todas as expectativas e em janeiro de 2009 completou cinco anos de atividade no solo marciano. Durante esse tempo seu software foi modificado diversas vezes e teve sua capacidade ampliada, principalmente no último mês, o que leva a se pensar em um erro no último programa transferido. No entanto, o mesmo software também está em operação no jipe Opportunity, do outro lado do planeta, e não apresentou nenhum problema.

"Estamos quase convencidos de que a idade está pesando sobre o robô. Infelizmente podemos esperar por novos problemas", sentenciou o cientista, à frente do projeto desde sua concepção.


Nas últimas cinco semanas, o robô fez 119 metros de progresso, caminhando ao redor do baixo platô chamado "Home Plate", que traduzido de maneira livre significa "quintal de casa". No norte de Home Plate o jipe hibernou durante o último inverno marciano, aguardando o momento de novas explorações na região sul do platô. No último 10 de março (2009), após diversas tentativas frustradas de ultrapassar alguns obstáculos, os engenheiros do JPL decidiram inverter o sentido da caminhada. Eventos posteriores fizeram com que o robô realizasse o mais longo dia de trabalho desde que perdeu a tração em uma de suas rodas, três anos atrás.


Opportunity
Enquanto Spirit permanece em estado de atenção, do outro lado do planeta seu irmão gêmeo continua fazendo progressos significativos rumo à cratera Endeavour, uma bacia de 22 quilômetros de diâmetro, distante 22 quilômetros do ponto atual.

Na última semana, uma forte rajada de vento atingiu a região onde se encontra o explorador, removendo uma espessa camada de poeira dos painéis solares. A limpeza proporcionou um aumento de 40% na produção de energia elétrica, necessária ao funcionamento dos equipamentos.



Fotos: Panorâmica de 210 graus registrada pela câmera de navegação do jipe Spirit, feita entre os dias 28 e 30 de março de 2009. A rocha vista no centro da imagem chama-se "Tsiolkovsky" e se localiza a 40 metros de distância do explorador. Crédito: Universidade da Califórnia/Caltech/JPL/Nasa.







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