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Editoria: Espaço - Tecnologias
Quinta-feira, 22 fev 2007 - 09h40

Foguete russo se rompe sobre a Austrália e produz chuva de fragmentos

Um foguete russo, que teve problemas de funcionamento logo após entrar em órbita, se incendiou na última segunda-feira sobre a Austrália, produzindo uma chuva de centenas de fragmentos incandescentes.

Por mais de 24 horas os observadores ficaram sem saber o que seria aquela chuva de meteoros, até que alguns especialistas em órbitas de satélites acharam a resposta: tratava de um foguete do tipo Briz-M, último estágio de um foguete Proton que deveria colocar em órbita o satélite de comunicações Arabsat-4A.

Lançado em 28 de fevereiro de 2006, o satélite atingiu a órbita de transferência alguns minutos depois do lançamento, mas não alcançou corretamente sua posição devido a uma falha no propulsor Briz-M, que ficou girando ao redor da Terra parcialmente cheio de combustível. Foi esse pequeno tanque de propelente que se rompeu sobre a Austrália, causando a chuva de meteoros.

O espetáculo foi visto e fotografado por milhares de pessoas, entre eles Rob McNaught, descobridor do cometa McNaught, que no início de fevereiro pode ser visto a olho nú em quase todo o planeta. "Estava observando o céu quando de repente um bólido cruzou o campo de visão do observatório. Imediatamente comecei a fotografar", disse McNaught. A seqüência de fotos pode ser vista acima.

De acordo com Jon P. Boers, do Sistema de Vigilância Espacial dos EUA, os radares militares instalados do outro lado do mundo já catalogaram 500 peças em órbita e até o final da semana mais de 1100 fragmentos deverão ter suas órbitas divulgadas. Ainda de acordo com Boers, esse número deve aumentar à medida que a nuvem de objetos também se expande.

Mark Matney, do centro de estudos de lixo orbital, da NASA, confirma que este é o maior evento de ruptura espacial já ocorrido, superando o teste anti-satélites feito pela China no final do ano passado, quando um foguete atingiu um satélite-alvo em pleno espaço produzindo mais de 800 fragmentos já catalogados.

Segundo Matney, o rompimento do Bliz-M sobre a Austrália não representa perigo imediato para a Estação Espacial Internacional, mas ainda serão necessários alguns dias para estabelecer com mais exatidão a órbita desses novos objetos.

Fotos: Na fot superior vemos a seqüência de imagens feita pelo astrônomo McNaught a partir do Observatório Siding Spring, na Austrália. A estrela ao lado direito é Spica, na constelação de Virgem. Na outra imagem vemos o módulo russo Bliz-M, de 2,61 metros de diâmetro.







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