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Editoria: Astronomia
Segunda-feira, 5 fev 2018 - 10h42

É golpe! Cientistas inventam regras e querem Plutão como planeta

Um grupo de pesquisadores planetários não concorda com a definição oficial sobre o que é um planeta e está preparando uma espécie de golpe astronômico para devolver a Plutão seu antigo e grandioso status.

Alan Stern
Alan Stern, lider do golpe contra o rebaixamento de plutão. Na foto, Stern observa as primeiras imagens enviadas pela sonda interplanetária New Horizons.

A proposta do "golpe" é liderada por Alan Stern, astrofísico e engenheiro aeroespacial, ligado ao Southwest Research Institute e principal investigador da missão New Horizons, que levou a primeira sonda interplanetária ao planeta anão Plutão.

Desde 2006, Stern vem travando uma briga de bastidores contra a União Astronômica Internacional (UAI), que tirou de plutão o status de planeta e o rebaixou a planeta anão.

Segundo Stern, a atual definição aceita pela UAI é muito limitada e não ajuda em nada sobre o que as pessoas entendem sobre planetas.

"Por que você ouviria um astrônomo sobre um planeta?", disse Stern, reclamando que a nova definição veio do astrônomo da CalTech, Mike Brown, em vez de um cientista planetário.

Plutao visto pela sonda interplanetaria New Horizons
Planeta anão Plutão visto pela sonda interplanetária New Horizons, missão dirigida pelo pesquisador Alan Stern.

"Você precisa e deve ouvir cientistas planetários especializados, que entendam do assunto. Quando olhamos para um objeto como Plutão, ninguém sabe ao certo como chama-lo", disse o pesquisador.

Definição Falha
Para Stern, a definição da UAI para um planeta é "tecnicamente falha".

"Primeiro, eles reconhecem como planetas apenas os objetos que orbitam o nosso Sol e deixam de fora aqueles que orbitam outras estrelas ou que orbitam livremente no interior da galáxia. Em segundo lugar, requer que o planeta tenha limpado a zona orbital e isso nenhum planeta em nosso Sistema Solar é capaz de satisfazer, uma vez que novos e pequenos corpos são injetados constantemente dentro das orbitas, como por exemplo, os NEOS (Objetos Próximos à terra)", pontuou Stern.

O pesquisador também disse que a "zona de limpeza" definida pela UAI depende da distância e matematicamente só é obtida por corpos cada vez maiores em cada zona sucessiva. Assim, mesmo um objeto de tamanho da Terra dentro do Cinturão de Kuiper não teria condições de limpar sua zona.

Nova Definição
Para eliminar as dúvidas sobre o que seria de fato um planeta, o grupo propõe a seguinte nova definição:

"Um planeta é um corpo de massa sub-estelar que nunca sofreu fusão nuclear e que tem auto-gravitação suficiente para assumir uma forma esferoidal adequadamente descrita por um elipsoide triaxial, independentemente dos seus parâmetros orbitais".

A nova definição, de acordo com o grupo, teria precedência histórica, classificação científica sólida e coincidiria com a intuição das pessoas.

É Golpe?

Apesar de bem intencionada, a nova definição planetária teria consequências diretas sobre a definição de outros corpos já conhecidos, como por exemplo, a Lua da Terra e outras luas como Titã, que também poderiam ser reclassificadas como planetas.

Como vemos, o golpe astronômico está em andamento e embora possa devolver a Plutão seu antigo e merecido posto, pode trazer também mais confusões que soluções pacíficas. Como os golpes tradicionais.







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