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Editoria: Fenômenos Naturais - Terremotos
Quarta-feira, 1 out 2014 - 11h18

Estudo mostra que o Brasil não está livre de fortes terremotos

É comum se afirmar que no Brasil não temos terremotos de grande intensidade, mas um moderno estudo associado a relatos históricos mostra que já tivemos um evento que chegou a 7 magnitudes, produzindo um forte tsunami que inverteu o sentido de vários rios.

Mapa do megaterremoto no Brasil
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O estudo, publicado recentemente nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, afirma que este poderoso terremoto ocorreu em junho de 1690 nas proximidades de Manaus, quando a cidade não passava de um ajuntamento de poucas cabanas cobertas por palha.

De acordo com o autor da estudo, cientista Alberto Veloso, ligado à Universidade Nacional de Brasília, este tremor teve seu epicentro localizado na margem esquerda do rio Amazonas, aproximadamente 45km abaixo da cidade de Manaus. De acordo com o professor, o sismo foi tão intenso que foi sentido em uma área superior a 2 milhões de km2.


Tsunami no Amazonas
Segundo Veloso, o intenso abalo produziu severos danos no terreno e produziu ondas no rio Amazonas que criaram um pequeno tsunami que inundou as aldeias indígenas nas margens do rio Urubu.


Escombros_do_Terremoto_de_Joao_Camara
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Apesar de ser um evento bastante raro, ele sinaliza que tremores parecidos podem ocorrer em outras regiões do Brasil resultando em acontecimentos trágicos, especialmente em áreas urbanas.


Liquefação
O estudo de Veloso indica que na área epicentral o chão foi completamente revirado. Partes do solo subiram, outras desceram e muitas encostas escorregaram.

No entender do cientista, esses efeitos se devem ao fenômeno conhecido como liquefação, que é a passagem do estado sólido para o líquido, quando rochas saturadas de água perdem a rigidez pela intensa vibração sísmica.


"Não existe nada similar em nossa história. Esse evento foi percebido a mais de mil quilômetros do epicentro e é sem dúvida o maior terremoto brasileiro", afirma Veloso, criador do Observatório Sismológico de Brasília. "As águas do Amazonas balançaram de forma incomum, com tanta força que inverteu o fluxo do rio Urubu, inundando as aldeias a cerca de 5 km de sua foz", completou.

Alberto Veloso na margem do Amazonas
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O estudo de Veloso é alicerçado em relatos dos padres jesuítas Samuel Fritz e Felippe Betendorf, que visitaram em épocas distintas a região epicentral e conversaram com testemunhas dos fatos.


Lições
Que ensinamentos devemos tirar do raro e perigoso tremor? Primeiramente a de que o Brasil não está imune a sismos fortes e potencialmente danosos. Há cerca de 300 anos não se falou de prejuízos materiais ou de vítimas fatais, mas hoje não seria assim.

Aquela região se desenvolveu e há maior exposição de pessoas, de construções e de importantes infraestruturas que não foram desenhadas para resistir a sismos fortes.


Megaterremoto no Brasil
Para Veloso, tremores parecidos com o de 1690 poderão repetir-se, não somente na Amazônia, mas em qualquer outra região brasileira.

Estima-se que um sismo de magnitude 7 aconteça no Brasil a cada 500 anos e um tremor de 5 magnitudes, cada cinco anos, aproximadamente.

Mesmo os abalos menores podem fazer estragos em construções frágeis, comuns pelo país afora. Em 1986 um abalo de 5.1 danificou cerca de 4.500 construções e desabrigou mais de 25 mil pessoas em João Câmara, RN. Já tivemos tremores de 6.1 e 6.2 que só não causaram danos importantes por terem epicentros em áreas despovoadas.



No topo, mapa mostra localização do epicentro do terremoto de 7.0 ocorrido em 1690. (1) onde se ouviu falar do tremor pela primeira vez. (2) epicentro estimado para o sismo e a área mais afetada (linha pontilhada). (3) aldeia onde os moradores sentiram o tremor. (4) Aldeia na margem do rio Urubu. Na sequência, escombros da casa de Joselino do Silva, após o terremoto que atingiu a cidade de João Câmara, no RN, em 1986. Acima, o pesquisador Alberto Vivas Veloso na margem esquerda do Amazonas, em novembro de 2010, na provável região epicentral do sismo de 1690. Crédito: Arquivo pessoal de Alberto Veloso, Apolo11.com.







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