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Editoria: Clima e Meteorologia
Quinta-feira, 10 set 2009 - 16h50

Célula tornádica pode ter atingido cidades do interior de São Paulo

Daniel Panobianco – Uma forte tormenta atingiu o sul do município de Echaporã e norte do município de Platina, ambos no centro-oeste de São Paulo, por volta das 22 horas (local) da última segunda-feira (07).

Até o momento, nenhum laudo comprobatório foi divulgado por algum instituto, mas dados de radares meteorológicos do IPMet (Instituto de Pesquisas Meteorológicas) da UNESP de Bauru, apontaram para intensa área convectiva (tempestade) no horário e local exato onde os estragos agora são computados.

Árvores decepadas, uma vasta região de plantação de cana totalmente dizimada. Estes são, por enquanto, os únicos pontos a confrontar com dados de radares, se houve condição favorável para a formação de atividade tornádica, uma vez que a dinâmica da atmosfera em si favorecia a ocorrência de tormentas devido ao alto grau dos índices de instabilidade.

Assim como ocorreu em várias cidades da região, o vento também passou forte por ambas as cidades, Tipicamente desta região, onde vendavais tornam-se mais comuns com a aproximação da primavera.

A grande diferença entre uma área afetada por um tornado, micro-explosão, vendaval ou linha de instabilidade é a forma em que os danos são vistos por parte de técnicos e pesquisadores.

Em linhas de instabilidade, por exemplo, normalmente formadas antes da chegada de uma frente fria, a dianteira do sistema costuma provocar chuvas e ventos fortes, que também podem conter granizo e descargas atmosféricas, mas o processo é mais amplo, mais generalizado.

Já os tornados ficam restritos a pequenas áreas e não duram mais do que alguns minutos ou até segundos.

O fenômeno ocorrido entre Echaporã e Platina, com base em relatos de moradores de fazendas onde os estragos foram registrados, pode ter sido algo fruto de micro-explosão e até mesmo de um tornado. Alguns fatores registrados confirmam tal hipótese:

1° - Não houve avanço de chuva antes da tormenta, O primeiro evento a ser registrado foi o granizo, que chegou a ter até 10 centímetros de diâmetro em alguns pontos,

2° - A duração do evento não passou de 5 minutos, segundo moradores. Um barulho estrondoso provocado pelo granizo e a fúria dos ventos foi relatado pela população rural,

3° - A área atingida limita-se a menos de 300 metros de largura por 2 quilômetros de comprimento, Oposto de vendavais que podem alongar-se por vários quilômetros.

4° - Ao contrário de vendavais, árvores foram decepadas ao meio, como se tivessem sido cortadas por motosserras,

5° - Na mesma região, apesar do vento extremamente forte, do granizo e dos raios, não houve, sequer, registro de chuva significativa em vários pontos, Outro fator que vai contra a linha de pensamento de um vendaval ou linha de instabilidade qualquer,

6° - Dados dos radares meteorológicos do IPMet indicaram, uma intensa célula, entre 21h45min (local) entre Assis, Echaporã e Platina, com 100 mm/h atingindo o ponto máximo, de 200 mm/h, às 22 horas (local), já no limite entre Echaporã e Platina.


Fotos: Todos os dados, relatos e imagens feitas dos estragos foram encaminhados aos institutos para que uma possível averiguação mais profunda venha comprovar ou não, a ocorrência de um tornado entre Echaporã e Platina no dia 07 de setembro de 2009. (Colaboração de coleta de dados: Prefeitura Municipal de Echaporã/Almoxarifado – Prefeitura Municipal de Platina/ASCOM – moradores das fazendas Pôr do Sol, Diplomata, Sol Nascente, Mariflora e Três Âncoras – Granja Mizumotto 66 – Imagens de radar/IPMet/UNESP). Crédito: Daniel Panobianco.







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