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Editoria: Fenômenos Naturais - Tsunamis
Quinta-feira, 17 mar 2005 - 07h18

Sismólogos alertam para novo terremoto na Ásia

17 mar 2005 - 07h24 - Sismólogos alertam para o risco elevado de um novo terremoto de grandes proporções voltar a atingir em breve a costa ocidental da ilha de Sumatra, reflexo do forte tremor que provocou os tsunamis que devastaram vários países da região em 26 de dezembro do ano passado. A afirmação é de um estudo que está sendo publicado na edição de hoje do semanário científico britânico Nature.

A cidade indonésia de Banda Aceh, a mais afetada pelas ondas gigantes, corre o risco de sofrer com um novo terremoto com intensidade de até 7,5 graus na escala Richter e, segundo os especialistas, há um risco potencial de um terremoto de 8,5 graus a pouca distância da costa, que poderia produzir ondas gigantes. "Não há dúvida: nossos cálculos mostram um aumento muito significativo da tensão em duas grandes falhas ativas na região de Sumatra" desde 26 de dezembro, afirmou o sismólogo John McCloskey, da Universidade do Ulster, na Irlanda do Norte.

McCloskey explicou que nas chamadas zonas de subdução, um terremoto pode rapidamente ser seguido de outro se existirem certas condições geológicas. ¿Há uma ligação muito bem estabelecida entre estas tensões e terremotos secundários", afirmou. Segundo ele, a energia liberada pelo tremor de 26 de dezembro aumentou a tensão em partes adjacentes de duas perigosas falhas.

Uma falha se estende subterrânea para o leste do epicentro do terremoto de 26 de dezembro e cruza a extremidade noroeste de Sumatra. A outra falha, conhecida como Fossa de Sunda, se estende ao sul, sumbersa, paralela à costa, onde dois tsunamis mortais foram registradas em 1833 e 1861.

"Não queremos criar alarde sem motivo", explicou McCloskey. "Nós podemos apontar muitos outros tremores onde tensões como esta que medimos resultaram em um terremoto secundário, portanto sugerimos que há um risco significativo crescente", reforçou. "Mas nós também destacamos deficiências em nossos conhecimentos e não podemos afirmar que haverá um terremoto no ano que vem ou coisa parecida. No momento, a ciência em que acredito não nos permite fazer esta declaração", acrescentou.

A equipe de McCloskey redesenhou o mapa geológico de um dos principais pontos sísmicos da Terra depois do terremoto de 26 de dezembro, que atingiu 9 graus na escala Richter. A intensa movimentação rompeu 250 mil quilômetros quadrados em uma fossa da Placa da Birmânica, uma pequena porção da superfície terrestre, que é comprimida pelas vizinhas placas da Índia, da Austrália e de Sunda.

O deslizamento da Placa da Índia sob a da Birmânia, de cerca de 20 metros, provocou os tsunamis, que mataram mais de cerca de 300 mil pessoas em 11 países na costa norte do Oceano Índico. Parte da energia liberada pelo terremoto foi transferida para as seções contíguas da falha. Esta força torceu, comprimiu e deformou as rochas, aumentando a pressão em pontos de tensão já identificados e criando novos.

Alguns episódios conhecidos na história sísmica do planeta indicam risco de um iminente terremoto secundário em zonas de subdução quando a interação entre duas grandes forças opostas se equivale. Basta um pequeno aumento na pressão destas partes tensas da superfície terrestre para provocar uma ruptura catastrófica.

Segundo o estudo, na Falha de Nankai (sudeste do Japão), entre cinco e sete grandes terremotos registrados nos últimos 1,5 mil anos provocaram tremores na seção subseqüente da falha nos cinco anos seguintes.

Outro exemplo foi o ocorrido na Turquia em 1999. Um terremoto de 7,4 graus atingiu Izmit, a sudeste de Istambul, foi causado pela tensão de tremores anteriores na Falha de Anatólia. Este tremor gerou tensão em uma seção adjacente da mesma falha, causando o terremoto de 7,1 graus que atingiu Duzce três meses depois.

O estudo lembrou que os dois terremotos na Turquia resultaram de tensões muito inferiores à energia liberada pelo tremor de 26 de dezembro.

McCloskey afirmou que, embora ainda existam lacunas científicas sobre quando ocorrerá o próximo grande terremoto, o aumento do risco fez surgir a necessidade de implantar rapidamente um alerta preventivo de tsunamis no Oceano Índico. "Quando se trata de terremotos, o raio cai mesmo em dois lugares", concluiu.







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