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Editoria: Espaço - Tecnologias
Quarta-feira, 11 abr 2007 - 10h02

Estudantes lançam balão e tiram fotos da fronteira do espaço!

A idéia não é original, mas também não é nada fácil de ser implementada: acoplar uma câmera em um balão estratosférico, tirar fotos da Terra de uma altitude de 25 mil metros e recuperar a câmera depois da missão.

Colocado dessa forma, parece um trabalho fácil de ser executado, mas os obstáculos são tantos que poucos conseguem fazê-lo. Dizemos isso por experiência própria, como veremos mais tarde.

No último domingo, 8 de abril, dois estudantes da Universidade da Suécia, Jörgen Hedin e Michael Erneland, auxiliado por seus colegas, realizaram o difícil feito, lançando do campus da universidade a sua tão preciosa carga, batizada de MMSP ou Multi Motif Stratospheric Photography ou Fotografia Estratosférica de Multi Motivos. A carga foi ao espaço a bordo do Bexus-5, um balão de hélio custeado pela universidade, com capacidade de erguer até 100 quilos a 35 mil metros.

Para se ter uma idéia da dificuldade em executar a tarefa, o projeto teve a participação da Comissão Espacial da Suécia, da Swedish Space Corporation, uma espécie de INPE de lá, do Esrange Space Center, de onde partiu o balão e do Departamento de Ciências Espaciais da Universidade de Suécia. Tudo isso para colocar no espaço uma câmera fotográfica e mais alguns experimentos de quatro estudantes.


A preciosa carga
Um dos objetivos do lançamento seria investigar se seria possível fazer vídeos e fotografias de alta resolução utilizando câmeras digitais comuns, adaptadas a um pequeno container e levadas a grandes altitudes, onde as temperaturas chegam a 50 graus negativos. Onde e quando as fotografias seriam tiradas seria controlado por um microcomputador a bordo da carga e construído pelos alunos, mas também poderia ser feito através de comandos enviados do centro de controle da missão.

Outro grande desafio seria fazer a câmera retornar em perfeitas condições de funcionamento e continuar assim quando não estivesse em vôo. A câmera usada foi uma Sansung Digimax Pro, de 8 megapixel com 4 gigabyte de memória, cedida pela universidade, mas que deveria retornar aos seus proprietários.

O container da câmera foi montado sobre um disco rotativo controlado por dois pequenos motores de passo que permitem um giro de 180 graus da estrutura, capaz de alterar o motivo observado. A câmera foi modificada para permitir o seu controle através micro controlador montado pelos alunos.

Diversos outros componentes foram desenvolvidos para a missão, tais como modificação nos equipamentos de rádio e transmissão de dados dos receptores de GPS, estes disponibilizados pelos responsáveis pelo balão, uma estrutura de 40 metros de diâmetro e inflado com 10 mil metros cúbicos de hélio.

Após uma série de adiamentos, o balão foi lançado com sucesso, com direito a palmas e assobios por parte dos estudantes presentes ao Esrange Space Center, na Suécia. Lentamente ganhou altitude e conforme projetado, centenas de fotografias foram feitas automaticamente, além de um vídeo de 105 minutos de duração, iniciado quando o balão atingiu 25 mil metros, sobre a cidade finlandesa de Rovaniemi.

Quatro horas e meia depois de iniciado o vôo, o centro de controle acionou o mecanismo de liberação, fazendo a carga descer de pára-quedas sobre a região montanhosa na fronteira entre a Suécia e a Finlândia. Como provam as fotografias tiradas, a câmera foi recuperada intacta pelos alunos da universidade.


Experiência própria
Lançar câmeras ao espaço não é novidade para o diretor do Apolo11, Rogério Leite. Há 15 anos atrás projetou com recursos próprios o lançamento de um balão com carga de 950 gramas. Em seu interior uma pequena câmera analógica acoplada a um timer, um transmissor SSB na freqüência de 29 mHz, montado por ele mesmo e um pequeno termômetro acoplado ao transmissor. O objetivo foi o mesmo que o dos estudantes suecos: fazer fotografias de grande altitude. Como balões estratosféricos estavam fora da capacidade financeira, preencheu 18 enormes balões de borracha com uma mistura de Henix, uma espécie de hélio sujo, mais barato que o hélio puro.

O centro de controle da missão, montado nos fundos da sua casa em São Paulo, possuía duas antenas e dois receptores que deveriam desempenhar o papel de radiolocalizadores. Dois colegas, em pontos distantes e diferentes, fizeram parte da triangulação e rastreamento.

O gigante e estranho balão foi lançado com sucesso e lentamente começou a ganhar altitude. Conforme subia e o ar se resfriava, fazia variar a freqüência do transmissor, de modo que era possível determinar a altitude do artefato. Nos 30 minutos iniciais tudo parecia bem e o balão ainda podia ser visto com binóculos e seus sinais captados. Quatro bipes foram detectados, indicando que o sistema que batia as fotos já havia feito quatro delas. "Foi uma maravilha. Tinha levado mais de seis meses para fazer aquele projeto. Era o máximo ver aquele negócio colorido subir e enviar sinais", conta Leite.

Mas a alegria durou pouco. Os sinais começaram a variar em intensidade e os dois colegas situados em bairros diferentes já não conseguiam mais captá-los. "Durante mais uns 15 minutos ainda consegui captar os sinais, já que ver o balão era impossível. Depois o radio silenciou e toda operação que tínhamos em mente para recuperar a câmera não foi posta em prática. Perdemos tudo!", lembra.

Além da câmera, o balão levava uma plaqueta informando "Esta máquina pertence a Rogério Leite. Se alguém encontrá-la, favor ligar para xxxxxxxx e será gratificado". "Espero até hoje por esta ligação!", brinca.

Fotos: No topo vemos uma das fotos feitas 25 mil metros acima da cidade finlandesa de Rovaniemi. No momento da foto a câmera apontava para oeste. Ao fundo as montanhas na fronteira sueca. A segunda foto mostra o momento do lançamento do balão. Repare do lado esquerdo outro balão, menor, sendo preparado para ser lançado. As outras duas imagens mostram detalhes da montagem e na última, o centro de controle da missão.







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