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Editoria: Espaço - Tecnologias
Sexta-feira, 3 ago 2007 - 11h21

Fronteira do espaço: Apolo11 lança Projeto Espaço Para Todos

Diariamente o Apolo11.com mostra novidades na área espacial, geralmente ligadas à Nasa, ESA, ou outras agências científicas abertas, que normalmente fazem questão que seus projetos sejam divulgados. São foguetes em testes, robôs em Marte, experimentos automáticos e uma série de outras tarefas que fazem qualquer país menos desenvolvido apenas sonhar.

Foi pensando nisso que o Apolo11.com resolveu colocar em prática um projeto que há anos nos fascina: o envio de instrumentos, com recursos próprios, próximos ao espaço. Naturalmente não se trata de enviar sondas à Marte ou lançar foguetes em bases sofisticadas. Trata-se de produzir tecnologia e gerar conhecimentos que permitam, com poucos recursos, um contato mais próximo com algo que sempre comentamos e divulgamos, mas que nunca experimentamos.

Estamos lançando o Projeto Espaço para Todos!

O objetivo do projeto é o lançamento de uma série de balões científicos de grande altitude, dotados de múltiplos sensores, equipamentos de fotografia e telemetria, comandados através de pequenos computadores de bordo desenvolvidos pelo próprio Apolo11 ou parceiros. Os lançamentos serão feitos em etapas de complexidade gradual, culminando com o envio de instrumentos a 33 mil metros de altitude, na fronteira do espaço.

Espaço Para Todos, ou EPT, é um projeto multidisciplinar, que envolve diversos ramos do conhecimento, entre eles meteorologia, radioamadorismo, eletrônica, mecatrônica, geografia, matemática, ciências e aventura. Como o próprio nome diz, "Espaço para Todos" permite a participação, ativa ou não, de pessoas e escolas, que poderão contribuir com idéias, projetos, captação dos sinais de telemetria e recuperação da carga útil, entre outros.

"O lançamento de balões científicos é uma atividade comum em diversas escolas dos EUA e Europa. Nossa idéia é mostrar que atingir e sondar a fronteira do espaço não é algo que só as grandes agências espaciais podem e conseguem fazer. Nós também podemos", diz Rogério Leite, diretor do Apolo11.com e idealizador do projeto. "Estamos muito confiantes. Algumas escolas norte-americanas enviam ao espaço instrumentos tão sofisticados que impressionam até mesmo os cientistas da Nasa. Nosso projeto não chega a tanto, mas é um começo", completa Leite.


Onde é a fronteira do espaço?
Não existe um consenso sobre onde fica exatamente a região fronteiriça entre o espaço e o "não-espaço", já que as camadas da atmosfera não têm limites físicos e não podem ser vistas. No entanto, diversos fatores impedem a sondagem acima de 50 mil metros de altitude e muitos cientistas consideram essa altitude como "próxima ao espaço". Essa região é conhecida como estratosfera e é até lá que nossos instrumentos científicos serão enviados.


O que esperar?
Chegar a 34 mil ou 35 mil metros não é uma tarefa tão simples quanto parece e está diretamente ligada ao tipo de balão científico usado. Conforme o balão sobe, a pressão atmosférica sobre ele diminui, fazendo com que ele fique cada vez maior e mais inchado, até que se rompe, explodindo.

Quanto melhor for a qualidade do material e maior for o tamanho do balão científico usado, maiores serão as chances de se atingir a máxima altitude. O problema é que quanto maior o balão, mais caro seu preço de lançamento.

A 25 mil metros de altitude, a pressão atmosférica é de apenas 3% daquela verificada no nível médio do mar. Em outras palavras, nessa altitude os instrumentos estarão experimentando 97% do vácuo espacial. A atmosfera é tão tênue que já não espalha a luz solar, tornado o céu praticamente negro.

Nesta altitude nosso balão estará dentro da camada de ozônio, experimentando um fluxo muito maior de raios ultravioleta. Além disso, estará sendo bombardeado por partículas cósmicas 200 vezes mais intensas que no solo. O frio será o desafio maior. Todos os instrumentos estarão submetidos a temperaturas extremamente baixas, da ordem de 50 graus Celsius negativos. A 33 mil metros a temperatura ultrapassa a marca de 60 graus Celsius negativos, a mesma temperatura à noite no planeta Marte!

Durante a ascensão do balão, o computador de bordo enviará dados e fará fotografias. A 27 mil metros, as lentes conseguirão enxergar o horizonte a 500 quilômetros de distância. A curvatura da Terra já é perfeitamente visível. A 33 mil metros, a distância até o horizonte se amplia ainda mais, podendo chegar a mais de 700 quilômetros. Para se ter uma idéia, essa distância é apenas quatro vezes menor que a verificada dentro da Estação Espacial!

Uma vez alcançado o teto máximo permitido pelas características do balão, ocorre a explosão do artefato, fazendo com que os instrumentos retornem à Terra. A recuperação da carga é a parte mais difícil de toda a missão e provavelmente a que envolve maior grau de complexidade, já que dependendo dos ventos em altitude, a distância percorrida pode ser superior a 100 quilômetros.


O lançamento
Como este será o primeiro lançamento, chamaremos o balão Científico e sua carga útil de "EPT-Pioneiro-1". Alguns itens já estão sendo providenciados e montados, e durante a semana será criada uma página especial para acompanhamento das atividades.

Ainda não há data marcada para o lançamento, que será feito quando todas as etapas forem cumpridas e dependem principalmente da captação de novos recursos e equipamentos, que poderão ser feitos por escolas ou interessados que queiram participar do projeto.

É isso. Todos prontos para a viagem? Então vamos à Fronteira do Espaço!

Fotos: O gráfico mostra as diversas camadas da atmosfera, com destaque para a estratosfera, posição onde o EPT-Pioneiro-1 deverá chegar. Na seqüência, foto feita por estudantes canadenses, com câmera acoplada a um balão científico experimental. Observe a curvatura da Terra! Acima, exemplo de carga de instrumentos de outro projeto científico, feito por estudantes finlandeses. Clique sobre a foto para ler o artigo completo.







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