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Editoria: Energia
Quarta-feira, 29 jun 2005 - 06h25

Reator Iter busca energia nuclear limpa e ilimitada

A fusão nuclear controlada, que será pesquisada no Reator Termonuclear Internacional Experimental (Iter), com sede no sul da França, representa a última aventura dos físicos para dotar o mundo de uma energia nuclear mais limpa e ilimitada.

A fusão termonuclear, que pretende imitar o que acontece no interior do Sol, é objeto de profundas pesquisas há anos. Os cientistas tentam fazer com que os núcleos de dois isótopos de hidrogênio se unam para formar hélio, e isto gere uma grande quantidade de energia.

Enquanto a fissão nuclear, ou seja, a fragmentação do átomo para obter energia, é perfeitamente controlada há décadas, a fusão é uma técnica que não se domina em absoluto.

Para isso, o programa Iter, que reúne como sócios União Européia, Rússia, China, Japão, Estados Unidos e Coréia do Sul, conta com um orçamento de 10 bilhões de euros para um prazo de 30 anos. A escolha de Cadarache, cidade do sul da França, como sede do projeto foi anunciada nesta terça-feira, depois de meses de negociações.

Décadas
Várias décadas serão necessárias para a execução de numerosos experimentos e a produção de energia graças a esta técnica. Há 46 anos, Cadarache participa ativamente das pesquisas internacionais sobre energia nuclear.

No total, 4.300 pessoas trabalham na central, implantada desde 1959 na cidade francesa de Saint Paul les Durance, a 70 km de Marselha.

Além disso, Cadarache abriga desde 1988 o reator experimental Tore Supra, uma espécie de irmão pequeno do Iter, no âmbito de um programa europeu que também inclui o reator Jet, instalado na Grã-Bretanha. O projeto Iter pretende conjugar a potência do Jet e a duração do Tore Supra.

Governo
Ao saber da escolha de Cadarache, o presidente Jacques Chirac afirmou que a decisão é uma vitória para a França, a Europa e o conjunto de sócios do Iter.

Já o primeiro-ministro Dominique de Villepin destacou que a opção por Cadarache "ilustra a capacidade dos países da União Européia de executar, unidos, grandes projetos".

"É um projeto científico com grandes ambições, que permitirá o desenvolvimento de uma energia de futuro sem provocar impactos negativos no meio ambiente e sem esgotar os recursos naturais", explicou Villepin, garantindo que o projeto significará a criação de 4 mil empregos.

Ecologistas
No entanto, para diversos movimentos ambientalistas, o reator Iter será "perigoso", "caro" e em nenhum caso "gerador de empregos".

"Somos contrários a este projeto, porque é muito perigoso e não criará empregos na região", afirmou Jean Marcon, presidente da associação de defesa do meio ambiente Mediane.

Para a rede Abandonar a Energia Nuclear, que reúne quase 700 associações, o projeto é perigoso porque a manipulação que se pretende realizar com o hidrogênio ainda é desconhecida.

Segundo eles, até o Prêmio Nobel de Física em 2002, o japonês Masatoshi Koshiba, advertiu que o Iter não cumpria "um certo número de condições", a maioria em termos de segurança, para se transformar em uma futura fonte de energia quase inesgotável.







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