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Editoria: Espaço - Brasil no Espaço
Sábado, 15 dez 2007 - 08h55

Foguete brasileiro deve ser lançado amanhã da Barreira do Inferno.

Ainda não foi dessa vez que argentinos e brasileiros deixaram a rivalidade de lado e juntos foram ao espaço. Mas o momento está se aproximando.

Batizada de operação Angicos, cientistas dos dois países aguardam ansiosamente o lançamento de um foguete de fabricação Nacional, o VSB-30, para testar duas novas tecnologias de localização através de GPS. No entanto, na última sexta-feira, dia 14, quando faltavam apenas 10 minutos para ignição do foguete, cientistas e engenheiros ligados ao Centro de Lançamentos de Barreira do Inferno decidiram interromper a contagem regressiva e adiaram o lançamento para domingo.

De acordo com o coronel Luiz Fernando de Azevedo, coordenador da operação, o lançamento foi suspenso devido a problemas técnicos no módulo da carga útil argentina, que precisou de reparos. Ainda segundo Azevedo, os argentinos conseguiram resolver o problema rapidamente, mas a sondagem meteorológica em grandes altitudes apontou condições desfavoráveis. Roberto Yasielski, coordenador da carga-útil argentina, informou que o problema no experimento foi causado por uma falha de comunicação nos dados de telemetria.

Em nota divulgada na manhã deste sábado, uma nova tentativa de lançamento deverá ocorrer entre 06h00 e 07h45 pelo horário de Brasília (BRT).


Lançamento e Resgate
“A contagem regressiva é um processo é longo, pois são cerca de 100 procedimentos que precisam ser checados", disse o coronel Luiz Fernando. De acordo com o coronel, o foguete só pode ser lançando pela manhã, pois os estudos argentinos precisarem ser feitos em correlação entre o horizonte e posicionamento do sol, que acontece somente neste período.

“No lançamento, o foguete atingirá uma velocidade 5,5 vezes maior que a do som. Ele deverá chegar a uma altura aproximada de 140 km. Tudo isso com um peso de 1500 quilos”, afirmou Luiz Fernando. O coronel explicou que depois de ejetada, a carga útil cairá em uma região distante cerca de 40 km de Baía Formosa, na costa do Rio Grande do Norte.

Para ajudar na localização da carga, um equipamento transmissor operando na freqüência de 157 mHz facilitará a localização do ponto de impacto, assim como um pó "marcador de mar", que deixará a água com uma coloração diferenciada.

“A Marinha vai nos ajudar para que nada fique em um raio de 28 km da queda. Além disso, teremos uma aeronave que sobrevoará a região uma hora antes para certificar que o perímetro está totalmente livre”, frisou.

Segundo o coronel Luiz Fernando, desde sua fundação em 1965, o Centro de Lançamentos da Barreira do Inferno, localizado na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, efetuou um total de 2.700 lançamentos.


Experimento Brasileiro
O experimento brasileiro que será lançado neste domingo é de autoria do professor Francisco Motta, do departamento de Física Teórica e Experimental da Universidade Federal do rio Grande do Norte, UFRN. Trata-se de um novo receptor de sinais GPS para aplicações espaciais. Segundo Motta, o aparelho se diferencia dos GPS convencionais por operar em situações de alta velocidade e grandes altitudes. "O experimento permitirá estudar com mais precisão a trajetória dos foguetes", explica o cientista.

A tecnologia desse receptor GPS foi desenvolvida pelo professor Enivaldo Bonelli, do Grupo de Pesquisas Ionosféricas da UFRN. Há alguns anos, Bonelli sugeriu que o sistema operacional do equipamento fosse trocado do MS-DOS para o Linux, com o objetivo de diminuir a lentidão apresentada pelo GPS ao fornecer os dados de sua localização. A idéia do pesquisador foi levada para a Universidade de Cornell, nos EUA, pelo professor Francisco Motta, membro do mesmo grupo de pesquisa. A sugestão foi então acatada e implementada no programa espacial norte-americano e em centros de pesquisa da Alemanha.


Experimento Argentino
Um aparelho semelhante ao da UFRN, mas com tecnologia argentina, também deverá ser testado no lançamento deste domingo. O engenheiro responsável pelo experimento é Roberto Oscar Yasielski, que explicou que ainda não existem projetos para industrialização do GPS. Por enquanto, a idéia é somente desenvolver a tecnologia.

Foto: Momento em que um foguete VSB-30 era lançado do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, no dia 19 de julho de 2007, durante a operação Cumã II.







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