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Editoria: Exploração Espacial
Quinta-feira, 15 mar 2007 - 07h33

Cassini envia imagens e descobre mares em Titã

Algumas horas após a notícia de que Encedalus, uma das luas de Saturno, tinha todas as condições físico-químicas para que pudesse desenvolver algum tipo de vida, a sonda Cassini, em órbita do planeta desde 1997, continua surpreendendo. Desta vez a sonda enviou imagens que mostram gigantescos mares, provavelmente de metano ou etano, na superfície de Titã, a maior lua do planeta.

A descoberta foi comemorada pelos cientistas do Projeto Cassini, que por muito tempo teorizavam sobre a possibilidade de que Titã seria dotado de mares de hidrocarbonetos, uma vez que o metano e outros componentes orgânicos fazem parte de sua densa atmosfera, composta na maior parte por nitrogêno. Até agora, no entanto, o que se tinha eram apenas fragmentos de pequenos lagos.

Os dois recentes mares foram descobertos nos últimos dias próximos ao nublado, denso e alaranjado polo norte de Titã, através de observações visuais e imagens de radar.

Durante a sondagem da lua saturniana, a Cassini detectou uma grande e irregular mancha de 680 quilômetros de comprimento, do tamanho do mar Cáspio, na Ásia. Após efetuar diversas varreduras, o radar a bordo da sonda determinou que a região era composta de metano ou etano líquido, devido à sua aparência, que aparece polida nas imagens. No entanto os cientistas ainda não sabem dizer se toda a área é preenchida com líquido.

A sondagem também revelou outra região, cinco vezes menor. Com uma área de 74 mil quilômetros quadrados, essa área é maior que os lagos Superior e Ontário, na América do Norte, juntos.

Apesar de ainda não existir definição científica do que sejam "lagos" ou "mares" na superfície de Titã, os novos acidentes geográficos descobertos são muitas vezes maiores que os lagos líquidos anteriormente descobertos, por isso talvez passem a ser considerados mares.

Titã é um dos poucos objetos de órbita exterior com uma significante atmosfera e durante um longo tempo os cientistas tentaram descobrir sua origem. O metano é um gás inflamável aqui na Terra, mas em Titã se torna líquido devido ao frio e à intensa pressão atmosférica.

"A julgar pelo tamanho e profundidade, os novos mares descobertos não devem ser a fonte responsável pelo abastecimento e reposição do metano encontrado na atmosfera de Titã", disse Jonathan Lunine, cientista do Projeto Cassini na Universidade do Arizona, EUA. "A fonte parece estar abaixo do solo e chega à superfície através de rachaduras", completou.

Em 2005 a nave Cassini enviou à Titã uma sonda que desceu à superfície de paraquedas. Ali encontrou evidências de um mundo muito ativo, com chuvas de metano líquido, paisagens com montanhas íngremes, picos e acidentes causados por erosões.

A sonda Cassini foi lançada em 15 de outubro de 1997 e por duas vezes orbitou o planeta Vênus, a primeira em abril de 1998 e a segunda em junho de 1999, com o objetivo de ganhar mais velocidade para seguir em direção à Saturno. Em 30 de dezembro a sonda atingiu Júpiter, que também a acelerou ainda mais com destino à Saturno.

Titã é a maior lua de Saturno e a segunda maior lua do Sistema Solar, atrás apenas de Ganimedes, que orbita Júpiter. Com diâmetro de 5150 quilômetros, tem aproximadamente 1 vez e meia o tamanho da nossa Lua e leva 15.9 dias para dar uma volta completa em Saturno. Sua temperatura média é de 179 graus negativos e sua pressão barométrica é de 160 kpa (quilo-pascais).

Fotos: No topo da página vemos os mares de metano descobertos em Titã. No detalhe, uma comparação com Lago Superior, nos Estados Unidos. Na imagem menor vemos outra imagem de Titã, fotografado pela sonda Cassini. onde se destaca o mar de metano. Acima,detalhe aproximado, captado em 22 de fevereiro de 2007, mostra uma ilha dentro de um dos grades lagos descobertos. A ilha mede 90km x 150km, aproximadamente do tamanho das Ilhas Kodiak, no Alaska, ou da Grande Ilha, no Hawai.







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