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Editoria: Mudanças Climáticas
Quarta-feira, 1 abr 2009 - 09h05

Amazônia: Seca pode prejudicar absorção de carbono na atmosfera

Um novo estudo, realizado por uma equipe de pesquisadores internacionais concluiu aquilo que para muitos já era uma certeza. De acordo com os cientistas, a demora no crescimento da floresta amazônica durante as épocas de seca tem efeito direto sobre o aquecimento global por reduzir significativamente a capacidade de absorção do carbono da atmosfera.

O estudo, que será publicado esta semana pela revista científica Nature foi realizado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas, de Manaus, Universidade Nacional Experimental de los Llanos, da Venezuela e Jardim Botânico de Misuri, de Pasco, no Peru.

"A selva amazônica é um componente fundamental e pouco compreendido do ciclo global do carbono. Se a floresta realmente secar nos próximos 100 anos, como apontam os modelos matemáticos, deveremos ter uma aceleração na mudança climática por perda de carbono, com consequentes grandes modificações na troca de energia de superfície", disse Oliver L. Phillips, da Universidade de Leeds, na Inglaterra e principal autor do artigo.

Segundo o estudo, a floresta armazena até 120 bilhões de toneladas de carbono em sua biomassa, sendo essencial para o ciclo natural do carbono. De acordo com os pesquisadores, todos os anos o sistema absorve 18 bilhões de toneladas do gás da atmosfera através do processo da fotossíntese, que são liberadas na atmosfera pela respiração.

Durante a pesquisa, os cientistas estudaram a mudança verificada na biomassa das árvores e concluíram que durante a seca de 2005 ocorrida na Região Amazônica a taxa de crescimento florestal diminuiu significativamente, matando de maneira mais acentuada as árvores de crescimento rápido e baixa densidade de madeira.

Para o estudo os cientistas empregaram dados coletados em diversos pontos de observação e avaliaram de forma pontual como a floresta respondeu à violenta seca do ano de 2005. O estudo conclui que eventos futuros similares não podem ser descartados e se repetidos em grande escala pode afetar a capacidade da floresta de se auto-regenerar.


Savanas Ralas
Os modelos climáticos para a Amazônia projetam aumentos significativos de temperatura e forte declínio de umidade até o ano de 2100, principalmente devido às concentrações crescentes de dióxido de carbono na atmosfera. Os modelos também levam em consideração a taxa de desflorestamento.

Um trabalho realizado em 2007, envolvendo a rede britânica BBC, a Universidade de Oxford e cientistas do Conselho de Pesquisas de Meio-Ambiente, todos ingleses, confirmou que a região amazônica, juntamente com os desertos centrais da China e da África, além das regiões extremas do Pólo Norte, serão extremamente afetados pelo aumento da temperatura nas próximas décadas.

O estudo mostrou que a temperatura da Amazônia pode atingir 10ºC a mais do que há 100 anos. Para 2020, que já bate à nossa porta, as temperaturas nas Regiões Norte e Nordeste do Brasil podem ficar 2º C mais quentes que às verificadas em 1970.

O problema do aquecimento global é tão sério que no ano de 2007 forçou o Boletim dos Cientistas Atômicos a adiantar em alguns minutos o Relógio do Juízo Final, um instrumento simbólico que mede o tempo que resta para o fim do mundo. O Boletim é formado por importantes nomes da ciência, entre eles 17 Prêmios Nobel, incluindo o físico Stephen Hawking. Leia a matéria

O aquecimento global e a perda constante das florestas tropicais não são fenômenos naturais. São fatos reais provocados pelo Homem. Combinados e sem controle, poderão transformar em pouco tempo a principal floresta do planeta, rica em biodiversidade, em savanas ralas e com poucas árvores.


Fotos: Em outubro de 2005 a Região Amazônica foi palco da maior seca de sua história. A cena mostra alguns pescadores entre milhares de peixes mortos no rio Paraná do Manaquiri, a 150 km de Manaus. Acima, foto mostra o lago próximo à cidade amazônica de Manaquiri, transformado em um raso córrego por onde somente pequenas canoas conseguiam trafegar. Crédito: Greenpeace.







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