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Editoria: Imagens de satélite da Terra
Quinta-feira, 7 out 2010 - 10h43

Cientistas vão mapear 770 milhões de toneladas de poeira do Saara

Cientistas vão passar os próximos três meses monitorando cerca de 770 milhões de toneladas de poeira levada para a atmosfera todos os anos a partir do Deserto do Saara. O objetivo da pesquisa é tentar entender os impactos dessa poeira no clima.

Imagem de satélite tempestade de areia na costa da África
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Segundo os pesquisadores, boa parte da poeira que sai do Deserto do Saara cai de volta na Terra, algumas vezes na África e muitas outras em locais distantes como a América do Sul e os Estados Unidos, levada pelos ventos. Tudo isso tem um impacto sobre o clima.

"As pessoas que constroem modelos climáticos fazem algumas suposições sobre a poeira e seu impacto sobre o clima," afirma o Dr. Christopher Sundar, professor de ciência atmosférica da Universidade do Alabama, em Huntsville. "Queremos aprender mais sobre as características desta poeria, sua concentração na atmosfera e seu impacto sobre o gasto global de energia ", acrescenta Christopher.

Atualmente, a maioria das pesquisas feitas sobre aerossóis se concetram em partículas geradas pela ação do homem, como a fuligem, o fumo e outros de tipos de poluição. A poeira é um tipo de partícula e merece ser analisada. De acordo com os pesquisadores, muitas dessas partículas minúsculas juntas podem refletir a luz solar de volta ao espaço, antes que ela tenha a chance de aquecer o ar. “Isso significa que menos energia solar está disponível na superfície para aquecer o planeta”, ressalta Christopher.

"Uma coisa que quero fazer é calcular como a poeira é reflexiva, porque nem todas as poeiras são criadas iguais", diz Christopher. "Estamos tentando calcular a reflexidade para que possamos dizer com precisão quanto de luz solar é refletida."

O trabalho é complexo. A composição e a forma das partículas de poeira são variadas. A composição vai variar dependendo de qual parte do Saara a poeira vem. Algumas absorvem mais energia solar do que outras.

Os pesquisadores irão utilizar dados do satélite espacial CALIPSO (em inglês Cloud-Aerosol Lidar and Infrared Pathfinder Satellite Observations), desenvolvido e gerado pela agência espacial americana, Nasa.

Formação A-train de satélites em órbita da Terra

O CALIPSO é um satélite de observação da Terra que oferece uma nova visão sobre o papel das nuvens e dos aerossóis, ou partículas finíssimas, com relação a qualidade do ar, o tempo e o clima. Além do CALIPSO, serão utilizados dados de outros satélites da Nasa que fazem parte do grupo A-Train, que orbitam a Terra sob uma mesma trilha. Assim combinando a informação de vários instrumentos, os cientistas esperam por respostas mais concretas.


Por que o Saara?
Os cientistas escolheram o Saara porque o Deserto contribui com a metade de todas as partículas de poeira levadas para a atmosfera a cada ano. Estudando a poeira do Saara, os pesquisadores estão estuando a própria superfície abaixo dele. Apenas no ano passado, alguns novos instrumentos permitiram aos cientistas distinguir o que é pó e o que é deserto.


Legenda: No topo, a imagem captada pelo satélite Terra da Nasa, mostra a poeira que vem do Deserto do Saara na costa oeste da África e passa pelas Ilhas Canárias. Abaixo, o gráfico representa a posição de diversos satélites espaciais da Nasa que fazem parte do grupo A-Train. Créditos: Nasa / Wikimedia Commons.







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