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Editoria: Mudanças Climáticas
Segunda-feira, 2 fev 2015 - 09h43

Estudo mostra que poluição da Ásia mudou o clima nos EUA

Nos últimos 30 anos, as tempestades sobre o pacífico noroeste se tornaram mais intensas e a causa mais provável parece ser a crescente emissão de aerossóis produzidos na Ásia, que cruzam a Terra e interferem no clima de grane parte do planeta.

O estudo foi feito em conjunto por cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Caltech e do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, JPL, que fizeram uma série de simulações para tentar explicar o fortalecimento dos ciclones extratropicais do pacífico, que interferem diretamente no clima do EUA.

Durante os últimos 30 anos, a cobertura de nuvens sobre o pacífico noroeste vem aumentando e tornou as tempestades mais intensas. Esse intervalo de tempo coincide com o boom econômico da Ásia, especialmente a China, o que levou os especialistas a analisar se ambos os eventos estavam relacionados.

Para isso, Jonathan Jiang e seu colega Yuan Wang criaram diversas modelagens em supercomputadores, onde incluíram a temperatura, precipitação e pressão barométrica registrada sobre o Pacífico ao longo dos anos, bem como os dados sobre o transporte de aerossóis ao redor da Terra.

Foram elaborados então dois conjuntos de simulações. O primeiro usou as concentrações de aerossóis que provavelmente existiam antes da Revolução industrial (1760 a 1840). O segundo usou as emissões atuais de aerossóis. De acordo com os cientistas, a diferença entre os dois resultados evidenciou os efeitos da crescente poluição no clima e meteorologia.

"O estudo mostrou que a poluição vinda da China afeta significativamente o desenvolvimento das nuvens no Pacífico Norte e também fortalece os ciclones extratropicais", disse Wang. São essas tempestades que pontuam os invernos e primaveras nos EUA pelo menos uma vez por semana, muitas vezes produzindo nevascas e frio intenso.

Wang explicou que o aumento da poluição faz com que mais água se condense ao redor dos aerossóis durante as estas tempestades. Durante a condensação, a energia é liberada na forma de calor, que contribui para as turbulentas correntes de ar ascendentes e descendentes dentro de uma nuvem, tornando a maior e mais profunda.

Segundo Wang, os sistemas meteorológicos convectivos desempenham papel muito importante na circulação atmosférica da Terra, pois trazem umidade tropical até as latitudes temperadas. As tempestades se formam cerca de uma vez por semana entre 25 e 50 graus de latitude norte e atravessam o Pacífico do sudoeste para o nordeste, carregando ao longo do caminho os poluentes que são gerados na Ásia.

Wang acredita que o rigoroso inverno que o leste dos EUA sofreu em 2013 provavelmente tinha algo a ver com esses ciclones extratropicais mais fortes. Para ele, as tempestades intensas podem ter afetado o padrão de vento na atmosfera superior, chamada tecnicamente de corrente de jato polar.

Os pesquisadores estão agora trabalhando um novo experimento para analisar como o aumento das emissões asiáticas está afetando o tempo em localidades mais distantes do que a América do Norte e embora a análise esteja ainda na fase preliminar, sugere que esses aerossóis tenham efeito mensurável sobre as condições climáticas ao redor do globo.

O que são Aerossóis
Aerossóis são quaisquer tipos de partículas transportadas pelo ar, sejam naturais ou artificiais.

O efeito mais simples dessas partículas é aumentar o tamanho das nuvens, pois para forma-la é preciso que o vapor de água presente no ar tenha onde se condensar. Com mais aerossóis presentes na atmosfera, pode haver mais nuvens ou torna-las mais espessas.

Teoricamente, em um mundo em aquecimento, isso é bom, já que a luz solar é refletida no topo das nuvens de volta ao espaço, tornando mais fria a superfície da Terra. No entanto, nem sempre as coisas acontecem de forma tão simples.

Se não há vapor de água no ar - o ar é seco - os aerossóis não podem formar as nuvens. Além disso, diferentes tipos de aerossóis têm efeitos diferentes e um mesmo tipo de partícula pode ter efeitos diferentes dependendo de sua concentração e altitude.

Partículas de fuligem em determinadas altitudes podem fazer a gotícula de nuvem evaporar, não deixando nada além de neblina. Em outras altitudes, a mesma fuligem pode criar nuvens altas e profundas, que produzem intensas tempestades de chuvas ou granizo.

As variáveis são muitas e com tantas possibilidades, que os aerossóis são considerados pelos climatologistas como uma das maiores fontes de incerteza em prever a extensão das alterações climáticas futuras.



Arte: O vídeo acima mostra a emissão e transporte de aerossóis entre setembro de 2006 e abril de 2007, como registrado pelos satélites de sensoriamento remoto Terra e Aqua. Credito: NASA Goddard Space Flight Center, Apolo11.com.







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