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Quarta-feira, 10 set 2025 - 10h14
Por Rogério Leite
Explosão de Raios Gama extremamente longa intriga cientistas
Normalmente, supernovas e fusão de estrelas de nêutrons geram intensos pulsos de raios gama que em poucos milissegundos liberam colossais quantidades de energia. Agora, cientistas descobriram um evento nunca antes visto, que durou mais tempo e produziu centenas de vezes mais energia que qualquer evento anterior.
![]() Pulso de Paio Gama GRB 250702B detectado pelo telescópio VLT. Esse novo sinal, batizado GRB 250702B, supera em estranheza qualquer coisa já observada. De acordo com os pesquisadores, ele pode ser interpretado como ao menos quatro eventos acontecendo em sucessão absurdamente rápida, ou como uma única explosão durando um dia inteiro, quando comparado com os milissegundos habituais. “Os pulsos observados de GRB 250702B são 100 a 1000 vezes mais longos do que a maioria dos intensos pulsos de raios gama (GRBs) já observados”, disse o professor Andrew Levan, da Universidade Radboud, Holanda. O professor explica que GRBs repetitivos já haviam sido observados antes, mas sempre entre os mais curtos e liberando muito menos energia que o GRB 250702B. Segundo Levan, eles são normamente provenientes de magnetares. O evento atual foi detectado em 2 de julho de 2025 pelo Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi, que também observou mais dois pulsos 47 minutos e três horas depois, oriundos da mesma região do espaço. Por si só, esses eventos já seriam impressionantes, mas investigações adicionais mostraram que o Telescópio Espacial de Raios X Einstein também detectou sinais enfraquecidos de uma explosão de raios gama vinda do mesmo local 10 horas antes, provavelmente ocorrida no dia anterior. ![]() Embora a fonte do GRB 250702B não tenha sido localizada com exatidão, outro observatório espacial, o Telescópio de Raios X Swift forneceu dados suficientes para que o Very Large Telescope (VLT) buscasse o pós-brilho no espectro do infravermelho
“Antes dessas observações, a sensação geral da comunidade científica era de que esse GRB deveria ter se originado dentro da nossa galáxia. Mas os dados produzidos pelo VLT mudou fundamentalmente esse paradigma”, explicou Levan. O mistério foi desfeito pelo Telescópio Espacial Hubble, que confirmou as evidências do VLT. GRB 250702B é um evento extragaláctico, o que significa que sua geração exige uma fonte muito mais poderosa que um magnetizar para que possa ser visível a tal distância. As primeiras estimativas mostram que a fonte energética está a bilhões de anos-luz, embora ainda haja incertezas. Para os pesquisadores, a galáxia suspeita de abrigar o evento possivelmente tem uma forma incomunmente complexa e é natural suspeitar que essa complexidade esteja ligada ao fenômeno detectado, mas ainda não se pode afirmar de que modo foi gerado. Outro fato curioso é que o intervalo entre o último e o penúltimo pulso foi exatamente três vezes maior que o intervalo anterior. De forma ainda mais incomum, o último pulso foi o mais brilhante, liberando mais energia do que os dois primeiros juntos.
Entretanto, os autores do paper concluem que, para corresponder aos detalhes observados, esse cenário exigiria que a estrela tivesse características incomuns e que o buraco negro fosse ainda mais singular. Para os cientistas, a melhor hipótese até agora é a de uma anã branca sendo dilacerada por um buraco negro de massa intermediária. Contudo, como buracos negros desse tipo são extremamente raros que, até poucos anos atrás, os astrônomos nem estavam convencidos de sua existência, é claro que seria necessária uma combinação extraordinária de circunstâncias para algo assim ocorrer. O evento GRB 250702B é tão extraordinário que telescópios que operam em outros espectros eletromagnéticos, incluindo aí o James Webb Telescope, foram desviados de suas missões originais para tentar compreender o que está acontecendo. LEIA MAIS NOTÍCIAS
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