Quinta-feira, 28 jan 2016 - 10h34
Por Rogério Leite

Afinal, Nibiru e Planeta Nove são a mesma coisa?

O anúncio da possibilidade de haver um novo planeta nos confins do Sistema Solar causou grande euforia entre o pessoal que acredita na existência do planeta Nibiru, a maior parte desdenhando o conhecimento científico atual.

Nibiru
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Desde que Michael Brown publicou o paper (trabalho científico) sobre a hipótese de que um novo objeto orbitava no Sistema Solar, milhares de pessoas passaram a desdenhar sobre o estudo, afirmando que o povo Sumério já sabia da existência desse planeta há milhares de anos. Segundo eles, esse corpo se chama Nibiru e já pode ser visto por telescópios.

A maioria das pessoas que acredita nessa história costuma argumentar que Nibiru está vindo em nossa direção. No Brasil, os adeptos da existência de Nibiru costumam evocar a música "Segundo Sol", de Nando Reis, como uma espécie de profecia interpretada por Cássia Eller.

Diferente de argumentos e hipóteses científicas que precisam ser provados e quase sempre são reformulados para refletir a realidade, Nibiru é uma fábula em que muitas pessoas preferem acreditar, já que é uma história interessante, fácil de ser entendida e não precisa ser provada.

O que é Nibiru?
Para quem não sabe, Nibiru é um planeta hipotético, proposto pelo escritor e arqueólogo já falecido, Zecharia Sitchin, após traduzir e interpretar antigos textos sumérios.

Segundo ele, o povo sumério (que existiu na Terra entre 6500 a.C e 1940 a.C) já tinha conhecimento de todos os planetas do Sistema Solar, inclusive Nibiru, que segundo ele orbitaria o Sol de forma altamente elíptica a cada 3450 anos. Para Sitchin, a própria cultura suméria foi criada pelos extraterrestres que viviam em Nibiru, chamados Anunnakis, que aqui chegaram há 450 mil anos.

Pela interpretação de Sitchin, Nibiru estaria atualmente se aproximando do Sistema Solar interior, o que provocaria grandes mudanças nas orbitas dos planetas, inclusive na terra, com a consequente destruição da humanidade. Para os adeptos de Nibiru, diversos fenômenos naturais que ocorrem na Terra já são consequência dessa aproximação.

Segundo os astrofísicos, a fantástica história de Sitchin não se sustenta por diversos motivos e não tem qualquer relação com as descobertas e hipóteses feitas à luz da ciência. No entender dos historiadores (que não são astrofísicos), existem tantas incorreções nas traduções feitas por Sitchin que seus textos nem são usados no apoio às pesquisas modernas.

Crendice
Quando Mike Brown anunciou a possibilidade de um planeta enorme, escuro e de órbita extremamente alongada, exatamente como o proposto por Sitchin, não faltaram risadas e sarcasmos, já que "todos" já sabiam sobre Nibiru, mas sua existência estaria sendo negada pelas autoridades para não criar pânico na população. No entanto, a presença do objeto havia ficado tão evidente que não era mais possível nega-la.

A história de Sitchin encontra eco nas mentes mais avessas ao conhecimento e ao método científico, que esquecem que qualquer história pode ser inventada e coincidentemente pode acontecer. Se amanhã os cientistas descobrirem vida em outros planetas, as risadas vão se repetir, pois essa possibilidade já foi arduamente explorada em filmes e livros de ficção.

Ninguém perguntou se a orbitas do hipotético Planeta Nove e Nibiru são as mesmas, se os períodos orbitais são os mesmos ou se as massas são as mesmas. Ninguém perguntou se a velocidade de deslocamento de Nibiru é possível ou se a própria existência dele é verossímil. Nada disso importa, apenas o desejo de sua existência.

A crendice na existência de Nibiru está ligada não só ao baixo nível no ensino das ciências nas escolas, mas principalmente ao desejo que a maioria das pessoas tem em acreditar em algo superior, extraterrestre, religioso, que possa dar uma lição aos homens, que não cuidam bem do planeta.

O desconhecimento científico e a preferência pelo fácil sobrenatural geram grandes distorções no pensamento de toda uma população. É mais fácil acreditar em uma fábula, desdenhar e rir das conquistas da ciência a entender que somente o conhecimento e estudo podem tirar o indivíduo da escuridão.

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