Segunda-feira, 26 mar 2018 - 10h37
Por Rogério Leite

Brasil na rota: estação espacial chinesa pode cair no domingo de Páscoa

Embora ainda não seja possível prever com exatidão o local de queda da estação espacial Chinesa Tiangong 1, as últimas modelagens indicam que a nave cairá provavelmente no dia de Páscoa. E o Brasil está na rota.

Previsao de reentrada da estacao espacial chinesa Tiangong 1 feita pelo site Saview.org
Previsao de reentrada da estação espacial chinesa Tiangong 1 feita pelo site Saview.org. A modelagem foi feita em 26 de março e deve sofrer alterações ao longo do tempo.


Rastreie a Estação Espacial Chinesa em tempo real


Prever com exatidão o local de queda da estação Tiangong 1 ainda não é possível, mas as últimas previsões feitas pelo site Satview.org (coirmão do Apolo11) mostram que a nave cairá entre domingo (01/04) e segunda-feira (02/04), com data centrada em 01/04 às 23h58 BRT (horário de Brasília - ou 02h58 UTC de 02/04).

Essa previsão também é compartilhada por outros sites de monitoramento de lixo espacial, entre eles o europeu SatFlare e o estadunidense Aerospace, com pequena diferença no horário de reentrada.


A estação chinesa pode Cair sobre o Brasil?
No caso da previsão feita pelo Satview.org, a margem de erro é de cerca de 4 orbitas para mais ou para menos e dentro dessa margem de erro a nave chinesa passará duas vezes sobre o Brasil. No entanto, ainda é muito cedo para afirmar se cairá sobre o país, pois durante essas passagens a estação só permanece sobre o território brasileiro por cerca de 10 minutos.


Neste vídeo nós rastreamos em tempo real a estação espacial chinesa Tiangong 1 durante passagem sobre a Região Sul do Brasil. Durante o rastreio o diretor do site Apolo11.com respondeu perguntas dos internautas e explicou como poderá ser a reentrada da estação espacial chinesa. O vídeo foi transmitido ao vivo em 24 de março de 2018. Clique para ver.


Caindo rapidamente
De acordo com nossa última análise, a nave se encontra a 210 km de altitude (eixo semi-maior: 6588 km) e está caindo 350 metros por dia, sem arrasto significativo na alta atmosfera.

Ao manter essa dinâmica, a Tiangong 1 atingirá o ponto de ruptura na transição dos dias 1 e 2 de abril, sobre o leste da China, a três minutos de da ilha de Taiwan, após passar pelo Brasil.


Fora de Controle
A estação espacial tem 8.5 toneladas e está sem controle desde 2016, quando o centro de controle da missão perdeu os sinais de telemetria da nave. Além disso, elementos orbitais fornecidos pelo USSTRATCOM - Comando de Defesa Aérea dos EUA - mostram que a Tiangong não sofreu elevações acentuadas de altitude, o que pode indicar que, ou os computadores de bordo não estão mais atuando ou não há mais combustível nos tanques, necessário para a realização manobras de posição.

No domingo, 25/03, um alto funcionário do governo chinês que não quis se identificar afirmou em entrevista que o Centro de Controle tinha total controle da nave. No entanto, essa informação não parece ser verídica já que o comportamento de descida da Tiangong está obedecendo exatamente o que é esperado de uma nave sem combustível, tocada apenas pelas leis da natureza.

Histórico
Tiangong 1, identificação Norad 37820, foi lançada em setembro de 2011 e projetada para queimar na atmosfera em 2013, mas até este momento a nave continua em orbita, embora às cegas.

Desde seu lançamento, Tiangong-1 foi visitada por diversas naves. A primeira a se atracar ao complexo foi a nave automática Shenzhou 8, que se acoplou em novembro de 2011. Em junho de 2012 a estação recebeu a visita da nave tripulada Shenzhou 9, quando a taiconauta Liu Yang se tornou a primeira mulher chinesa no espaço.


Como acontece reentrada espacial
Naves que reentram sem controle na atmosfera, normalmente se rompem entre 72 e 84 quilômetros de altitude devido à temperatura e forças aerodinâmicas que agem sobre a estrutura.

A altitude nominal do rompimento é de 78 km, mas satélites de grande porte que têm estruturas maiores e mais densas conseguem sobreviver por mais tempo e se rompem em altitudes mais baixas. Painéis solares são destruídos bem antes, quando os satélites ainda estão entre 90 e 95 km.


Lixo espacial - Tanque delta 2

Algumas peças de lixo espacial são tão grandes que elas não se queimam na atmosfera da Terra e atingem o solo, como este tanque principal do segundo estágio de um foguete Delta-2, que caiu em janeiro de 1997 na cidade de Georgetown, no Texas, EUA.

Uma vez que a espaçonave ou seu corpo principal se rompem, diversos componentes e fragmentos continuam a perder altura e se aquecer, até que se desintegram ou atingem a superfície.

Muitos dos componentes são feitos em alumínio, que derretem facilmente. Como resultado, essas peças e desintegram quando a nave ainda está em grandes altitudes.

Por outro lado, se um componente é feito com material muito resistente, que necessita de altas temperaturas para atingir o derretimento, pode resistir por mais tempo e até mesmo sobreviver à reentrada.

Entre esses materiais se encontram o titânio, aço-carbono, aço inox e berilo, comumente usados na construção de satélites.

O interessante é que ao mesmo tempo em que são resistentes às altas temperaturas, esses materiais também são muito leves (por exemplo, chapas de tungstênio) e como resultado a energia cinética no momento do impacto é tão baixa que raramente provoca danos de grande porte.

O problema dos detritos começa com a composição química residual, que dependendo do componente que sobreviveu à reentrada pode conter material extremamente tóxico, como a hidrazina, utilizado como combustível ou até mesmo material radioativo, usado na geração de energia elétrica.

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