Quinta-feira, 13 mar 2008 - 09h04

Câmera européia de baixo custo envia primeiras imagens da Terra

Por diversas vezes você já leu artigos mostrando como os países mais desenvolvidos fazem questão de que as atividades espaciais sejam levadas às escolas e ao público de modo geral. São bastante comuns, principalmente nos EUA, Canadá e Alemanha os experimentos escolares com balões estratosféricos e foguetes amadores. Muitas vezes os experimentos são tão complexos que surpreendem até mesmo os cientistas das agências espaciais. Inspirados nessas experiências, muitos jovens seguem a carreira espacial, contribuindo de forma fundamental para o desenvolvimento de seus países.

Alan Stern, um dos mais respeitados cientistas da Nasa, disse certa vez que quando era jovem seu sonho era construir algum foguete para ir a Marte. Atualmente, quase todas as missões interplanetárias dos EUA têm a participação decisiva de Stern, que além de cientista é também o diretor para as missões científicas da Nasa.

Muitos experimentos que vão ao espaço têm a participação direta dos estudantes enquanto outros são desenvolvidos para que sejam usados por eles. Ou seja, apesar das missões acontecerem no presente, os países mais desenvolvidos não deixam de investir na formação dos jovens e provavelmente futuros cientistas.


Câmera EVC
Um dos mais interessantes experimentos anexados à plataforma externa do laboratório espacial Columbus consiste em uma câmera automática chamada EVC, ou Câmera de Observação da Terra. Durante os dias iniciais em órbita, o equipamento apresentou uma série de problemas, mas ao que parece a equipe de engenheiros holandeses solucionou as falhas e as primeiras imagens já estão sendo capturadas e transmitidas à Terra.

A história da EVC teve início em 2003, quando a companhia italiana Carlo Gavazzi Space, de Milão, se aproximou da ESA com o propósito de embarcar uma câmera de baixo custo em uma das plataformas externa do módulo europeu Columbus. Em março de 2004 assinaram um acordo onde cada parte deveria arrecadas metade dos custos para o desenvolvimento do experimento. Dessa forma a câmera pode ser desenvolvida.

Apontada continuamente para a Terra em ângulo fixo, a câmera pesa 7.8 quilos e mede 40x28x16 centímetros. Para a tomada das cenas a EVC utiliza um sensor atualmente fora de linha desenvolvido pela Kodak e pode capturar imagens da superfície da Terra cobrindo uma área de 200 x 200 quilômetros.

A primeira cena, mostrando uma região fracamente iluminada e coberta de nuvens foi captada no dia 6 de março (2008). A segunda composição, primeira a ser produzida por um comando enviado de terra, foi feita alguns minutos antes da alvorada do dia 7 de março e mostra um espalhamento de nuvens rosas e brancas próximas às ilhas Aleutas, no Pacífico Norte.

É realmente fascinante ver a primeira imagem chegando do espaço depois de um grande período de testes", disse Massimo Sabbatini, um jovem cientista e chefe do experimento EVC, da Agência Espacial Européia, ESA. O pesquisador lembra que apesar de ser conduzido pela ESA, o experimento não seria possível sem a contribuição da empresa italiana Carlo Gavazzi Space e do árduo trabalho de integração e testes realizados pela equipe do Centro de Pesquisas Espaciais Estec, da Holanda.

"Ainda estamos nos ajustes iniciais do experimento, já que no espaço existe uma grande gama de condições de iluminação. É por isso que a segunda imagem está ligeiramente fora de foco", explicou Sabbatini. "A ISS viaja a 7 quilômetros por segundo, então temos que ajustar o tempo de exposição para compensar o rápido movimento. Nesta velocidade, a câmera focaliza centenas de metros em alguns poucos milissegundos",


Recurso Educacional
Segundo Sabbatini, a câmera EVC deverá servir com um valioso recurso educacional. "Queremos encorajar professores e estudantes a usar o experimento como uma ferramenta. Queremos explorar todas as possibilidades que envolvem a observação da Terra do espaço, como sensoriamento remoto, telemetria, telecomunicações e cálculo orbital. Também esperamos receber requisições de imagens sobre os locais por onde a ISS estará passando".

As imagens capturadas pela EVC são recebidas na Europa através do centro de controle Columbus, localizado em Oberpfaffenhofen, na Alemanha e enviadas ao centro de operações e apoio ao usuário, da ESA, localizado no Centro Erasmus, na Holanda. Futuramente, todo o processo de aquisição e processamento das imagens será feito diretamente na Holanda.

O módulo Columbus está anexado do lado direito da Estação Espacial Internacional e ambos completam uma volta em torno da Terra a cada 90 minutos. Uma vez que o plano orbital do complexo espacial é inclinado em 51 graus com relação ao equador, a observação da Terra é extremamente favorecida, permitindo captar imagens de regiões densamente povoadas.

Fotos: No topo, imagem captada pela cãmera EVC no dia 7 de março de 2008. Nela vemos as nuvens espalhadas próximas à ilhas Aleutas, entre o Alasca e leste da Rússia. Na seqüência vemos a primeira imagem captada no dia 6 de março às 16h11. No detalhe, o orgulhoso cientista Massimo Sabbatini e sua câmera EVC de baixo custo. Clique sobre a imagem para ampliar. Créditos: ESA/Carlo Gavazzi Space.

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