Quinta-feira, 26 mar 2009 - 10h08

Cientistas encontram restos de asteróide que caiu na África em 2008

Quem acessa o Apolo11 pode acompanhar, em outubro do ano passado (2008), o anúncio da fulgurante entrada na atmosfera do asteróide 2008 TC3, que caiu no deserto do Sudão, no nordeste da África. A rocha foi descoberta menos de 24 horas antes de impactar contra a Terra e foi localizada por astrônomos através do telescópio de Mont Lemmon, no Arizona. Segundo a Nasa, a energia liberada no momento do impacto foi equivalente à explosão de 1 tonelada de TNT.

Asteróide 2008 TC3 sobre o Norte do Sudão

Apesar do aparente risco, o choque do asteróide foi muito comemorado pelos cientistas do NEO (Near Earth Objects), um centro da Nasa que calcula os asteróides próximos à Terra. O motivo é que esta foi a primeira vez que um asteróide foi descoberto antes de impactar contra a Terra e pode ter sua órbita e ponto de impacto calculados com antecedência e precisão.

Nesta semana, uma equipe de pesquisadores liderada pelos cientistas Peter Jennisken, da Nasa, e Muawia Shaddad, da Universidade de Cartum, anunciou ter encontrado 47 fragmentos do que restou do asteróide original. Segundo os cientistas a rocha tinha cerca de 3 metros de comprimento e pesava aproximadamente 4 quilos.


Análise Detalhada
Apesar de a coleta de rochas espaciais ser uma tarefa corriqueira, o que chama a atenção neste caso é que além de 2008 TC3 ter tido sua rota e ponto de impactos calculados, também foi o primeiro a ter seus fragmentos resgatados para estudo de sua composição química.

Normalmente, os elementos que compõe um asteróide são estudados da Terra através da análise do espectro de luz refletido por sua superfície. Essas informações são suficientes para discriminar os objetos por categorias, mas não permitem uma análise mais detalhada de sua composição química. Quando os fragmentos são encontrados a composição pode ser estudada, mas nunca se sabe qual asteróide os produziu. Como 2008 TC3 foi rastreado antes do impacto, o objetivo da expedição era localizar os fragmentos restantes e submetê-los a uma série de análises laboratoriais de modo a terem sua composição química detalhada.

"Este asteróide era feito de um material particularmente frágil, que permitiu que explodisse a 37 quilômetros de altitude. Antes de se romper ele foi fortemente freado pela atmosfera e os fragmentos que restaram se espalharam por uma grande área do deserto", explicou Jenniskens, que teve seu trabalho publicado esta semana no periódico científico "Nature".


Altas Temperaturas
Andrew Steele, co-autor do trabalho e ligado à Instituição Carnegie, estuda o conteúdo de carbono do material coletado e disse que em algum momento no passado o objeto foi submetido à temperaturas muito altas. "Sem dúvida, de todos os meteoritos que já estudei, este é o que apresenta o carbono mais 'cozido' de todos, se parecendo muito com a grafita". Ainda de acordo com Steele, outra forma de carbono - os nanodiamantes - foi encontrada no meteorito e pode dar uma pista sobre que tipo de ação gerou este aquecimento, se por impacto com outro asteróide ou algum outro processo.

Os pesquisadores ainda não sabem a origem do asteróide que originou os fragmentos, mas após as análises dos fragmentos encontrados os astrônomos concluíram que 2008 TC 3 era um objeto jovem, que existiu por poucos milhões de anos antes de arder na atmosfera terrestre.


Foto: No topo, trilha de fumaça deixada após o impacto do asteróide 2008 TC3 sobre o Sudão, em outubro de 2008. Acima, Peter Jennisken e Muawia Shaddad, no centro da foto, posam com os estudantes que auxiliaram na localização dos meteoritos. Crédito: Mohamed Elhassan Abdelatif Mahir (Noub NGO), Dr. Muawia H. Shaddad (Univ. Khartoum), Dr. Peter Jenniskens (SETI Institute/NASA Ames).

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