Segunda-feira, 8 dez 2008 - 09h38

Cientistas registram explosão de supernova do século 16

Observando a noite escura de 11 de novembro de 1572, o astrônomo dinamarquês Tycho Brahe notou um estranho e forte clarão no céu, localizado na constelação de Cassiopéia. Maravilhado, Brahe imaginou ter descoberto uma nova estrela. O forte clarão, tão intenso quanto o brilho de Vênus, pode ser visto por mais de duas semanas em plena luz do dia e 16 meses depois, desapareceu.

Supernova de Tycho

Apesar de trabalhar sem o uso de telescópios (eles ainda não havido sido inventado), Brahe documentou com muita precisão o evento e concluiu que ao contrário da Lua e dos planetas, a posição do ponto de luz não se movia em relação às estrelas fixas, o que provava que deveria estar muito além da Lua e dos planetas. Isso foi um choque aos contemporâneos de Brahe, que imaginavam um céu perfeito e imutável.

Brahe não sabia, mas o que ele testemunhou naquela ocasião foi um evento muito raro, atualmente conhecido como "supernova", a violenta morte de uma estrela de mais de 10 massas solares. Ao explodir seu brilho pode aumentar em mais de 1 bilhão de vezes, fazendo-a brilhar tanto quanto uma galáxia inteira.


Muito raro
Chamar o fenômeno visto por Brahe de raro é dizer pouco, uma vez que apenas três supernovas foram observadas em nossa galáxia, 1054, 1572 e 1604. Segundo os pesquisadores, apenas 11 eventos desse tipo ocorreram nos últimos 20 mil anos.

Apesar de nenhum astrônomo moderno ter visto "ao vivo" a Supernova de Tycho, como é chamada hoje em dia, isso não quer dizer que não possa mais ser vista. Depois da explosão de 1572 a luz se distanciou "apenas" 437 anos e com auxílio de modernos instrumentos está sendo observada novamente, em todo seu esplendor.

A supernova de Tycho foi primeiramente captada no dia 24 de setembro de 2008 por uma equipe de astrônomos do observatório de Subaru, no Havaí e logo em seguida observada pelos telescópios espaciais Spitzer e Chandra, da Nasa e estudada no observatório de Calar Alto, na Espanha. No Havaí o eco da explosão foi captado através do instrumento FOCAS, uma câmera-espectrógrafo de objetos tênues enquanto os telescópios espaciais registraram o evento nos comprimentos de onda do infravermelho e raios-x.

Os resultados preliminares da observação mostram uma clara absorção de silício ionizado e ausência de hidrogênio H-Alpha. A descoberta é típica de uma supernova do tipo LA, no momento do máximo brilho. Supernovas desse tipo são a fonte primária dos elementos pesados encontrados no universo e desempenham um papel importante nas medições cosmológicas de distância servindo como padrões luminosos, uma vez que o nível de luminosidade é sempre o mesmo neste tipo de supernova.


Novos Métodos
O estudo observacional da supernova de Tycho estabeleceu o modo de como os ecos de luz podem ser usados no estudo espectroscópico de eventos ocorridos a centenas de anos. Observados de três posições angulares diferentes, os ecos permitirão enxergar a supernova através de dados tridimensionais. No futuro essas imagens deverão melhorar a compreensão dos mecanismos da explosão das estrelas e de sua estrutura espacial.

Se Tycho Brahe soubesse, sem dúvida ficaria orgulhoso do que viu e de suas anotações!


Artes: No topo, ecos da supernova de Tycho captados pelas câmeras dos telescópios Spitzer e Chandra. A explosão deixou um rastro de fragmentos em expansão, destacados em verde e amarelo. A localização da onda de choque pode ser vista como uma esfera azul de elétrons ultra-energéticos. Em vermelho vemos a poeira mais recente, aquecida pelo material pré-existente na área ao redor da supernova. Ao fundo, as estrelas aparecem em branco. Na seqüência vemos o caminho que a luz de 437 anos atrás fez para chegar até os instrumentos na Terra. Créditos: MPIA/NASA/Calar Alto Observatory/Apolo11.

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