Sábado, 23 fev 2008 - 13h16

Corrida à Lua. Veja quem está participando e quem quer chegar lá!

Observar satélites à noite é sempre muito interessante e instrutivo. Eles podem ser vistos sempre antes do nascer do Sol e logo após o anoitecer. O truque para vê-los é saber o momento exato em eles estarão visíveis e principalmente para onde olhar.

Mas além dos satélites visíveis existem também aqueles que não podemos ver e que também estão presentes no céu. Estima-se que mais de 500 satélites cruzem o firmamento ao mesmo tempo, o que faz do espaço ao nosso redor um local de trânsito muito agitado. Alguns desses satélites transmitem rádio, televisão e conversas telefônicas. Outros captam informações sobre a atmosfera e recursos naturais enquanto outros ajudam na navegação. Existem também aqueles que efetuam pesquisas espaciais.

Da mesma forma que na Terra, o espaço ao redor da Lua em breve também estará congestionado. China, Japão, Rússia, Estados Unidos e Índia estão em uma corrida muito intensa e todos têm planos para enviar seus satélites até lá. O objetivo é olhar bem de perto o nosso satélite, e até pousar nele, em busca de novas descobertas geológicas e recursos naturais.


Por que ir à Lua?
De todos os objetos celestes, a Lua é o mais próximo de nós e podemos vê-la melhor do que qualquer outro objeto no espaço. Essa proximidade gera curiosidade e constitui um grande desafio aos cientistas. Essa proximidade, no entanto, torna esse desafio mais que possível. Nossa Lua é atingível e até mesmo países com programas espaciais ainda em sua fase infantil podem chegar lá. E isso representa um grande salto tecnológico a esses países.

Atualmente (fev 2008), China e Japão estão orbitando a Lua neste momento.


Kaguya
Do lado nipônico, a sonda espacial Kaguya, oficialmente chamada Selene, atingiu a órbita lunar em outubro de 2007. Sua missão é construir detalhados mapas da superfície da Lua, procurar água congelada nas crateras mais profundas e estudar o campo gravitacional do satélite.

De acordo com Barbara Cohen, uma cientista lunar que se auto descreve como "lunática" e ligada ao Centro Espacial Marshall, da Nasa, Kaguya é o "Cadillac" das missões atuais. "Ela é imensa, constituída de três satélites separados e conta com excelentes instrumentos científicos. A quantidade de trabalhos que a sonda realizará será maior do que qualquer outra missão em andamento. Além disso, a sonda tem a habilidade de apontar todos os instrumentos simultaneamente para o mesmo ponto da superfície".

O principal satélite da missão kaguya leva a bordo 13 instrumentos científicos, incluindo uma câmera de HDTV (alta-definição), que está enviando à Terra excelentes imagens da superfície lunar. "As cenas lembram as paisagens terrestres de uma estrada que se perde no horizonte", lembra Cohen.


Chang'e-1
No dia 5 de novembro de 2007, pouco mais de um mês após a sonda japonesa chegar à Lua, a China também colhia os louros dos seus esforços, colocando na órbita lunar sua nave Chang'e-1.

Durante os doze meses de duração da missão, a sonda chinesa irá mapear totalmente a superfície lunar através de imagens tridimensionais de alta resolução. Além disso, o satélite deverá fazer as mais detalhadas imagens da região dos pólos lunares, onde acreditam os cientistas, pode ser encontrados depósitos de água congelada.

Chang'e-1 é a primeira de uma série de três missões chinesas. A segunda nave, Chang'e-2, deverá pousar um pequeno robô explorador na superfície da Lua e Chang'e-3 deverá pousar na Lua, recolher amostras do solo e retornar à Terra com o material. Os chineses esperam que um dia possam enviar homens à Lua e ali construir bases, mas o foco do momento é adquirir, passo-a-passo, o máximo de experiência e conhecimento.


Chandrayaan
Apesar de contar com menos recursos, a Índia também tem seus planos de alcançar a Lua e promete, ainda para este ano, enviar para lá sua sonda Chandrayaan, que em Sânscrito significa "Carro Lunar".

Chandrayaan leva a bordo um moderno espectrômetro em infravermelho, desenvolvido pela Nasa. O instrumento deverá pesquisar o terreno lunar e fornecer aos cientistas imagens altamente detalhadas sobre a localização precisa de diversos tipos de minerais.

Mas os planos da Índia também são ambiciosos e entre 2010 e 2011 deverá lançar outra nave, a nave Chandrayaan-2, que de acordo com a agência espacial daquele país, pousará um pequeno jipe-explorador na superfície da Lua. O artefato caminhará sobre o solo colhendo amostras e fazendo análises químicas. Os resultados serão enviados à nave-mãe, que estará orbitando o satélite e em seguida retransmitidos à Terra.


LRO
A Nasa, como não poderia deixar de ser, também tem planos de retornar à Lua. Para 2008 a agência tem planos de lançar a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento lunar), uma sonda com instrumentos capazes de criar mapas topográficos e localizar recursos naturais que vão desde água até materiais que podem ser usados na construção de bases permanentes.

"As câmeras da missão LRO vão nos proporcionar imagens de muito alta resolução, ao redor de 50 cm por pixel. Essa é a melhor resolução entre todos os dispositivos que estão orbitando a Lua atualmente", disse a cientista Cohen. "Isso significa poder enxergar e estudar pedras muito pequenas, ligeiramente maiores que uma bola de basquete", completou.

O mapeamento topográfico permitirá aos pesquisadores catalogar diversos locais para pousos, evitando regiões potencialmente perigosas para os futuros astronautas que deverão retornar à Lua. Entre os experimentos previstos está a avaliação de alguns plásticos que poderão ser usados para a proteção humana contra as radiações.

Para 2011 a agência americana pretende lançar a nave Grail - Gravity Recovery and Interior Laboratory - um laboratório completo que pretende profundas análises do interior da Lua, com objetivo de revelar a anatomia e história do nosso satélite. Essa missão, que faz parte do Programa Discovery, da Nasa, irá orbitar duas naves gêmeas ao redor da Lua por diversos meses, que medirão com grande precisão seu campo gravitacional. O estudo deverá fornecer mais elementos para compreensão dos processos de formação da Terra e de outros planetas do Sistema Solar.

Ambas as missões, LRO e GRAIL, deverão coletar valiosas informações para o retorno do Homem à Lua, previsto para a próxima década.


Luna-Glob
O retorno das naves à Lua não poderia estar completo sem um dos principais pioneiros espaciais, a Rússia. Logo após a corrida à Lua nos anos da década de 1970, a União Soviética praticamente abandonou a exploração lunar. Todavia, os cientistas russos sempre acreditaram que o retorno ao satélite era um esforço que valeria a pena.

Enxergando que a Lua pode significar um posto avançado para as futuras explorações, a agência espacial russa divulgou recentemente seus planos de médio prazo, que incluem o lançamento da sonda Luna-Glob nos próximos anos. O projeto russo é ambicioso e inclui lançar um orbitador composto de 13 sondas menores, incluindo um penetrador e um jipe-robô. O objetivo é o mesmo dos norte-americanos: responder perguntas sobre a formação da Lua e localizar depósitos de água congelada.

"Existe uma monte de experiências sobrepostas, mas isso é bom quando se trata de pesquisa científica", disse Cohen. "A repetição de experiências permitirá uma maior coleta de dados sobre as mesmas grandezas, permitindo uma melhor interpretação das informações. Além disso, nenhum país sério pode ficar à mercê dos dados coletados por outras sondas. E se uma delas falhar, como ficam os planos individuais de cada nação?", justificou Cohen.

Não se pode afirmar em quanto tempo a Lua será orbitada por tantos satélites quanto à Terra, mas se depender da atual corrida à Lua, não vai demorar muito. Até o final de 2011, nove satélites já estarão orbitando a superfície lunar. Será que nossos futuros astronautas também apreciarão as noites lunares curtindo os satélites cruzando o céu?

Fotos: No topo, imagem em alta resolução feita pela sonda japonesa Kaguya. A imagem mostra a região ao sul de Mar Orientale, vista no dia 28 de novembro de 2007. Clique sobe a cena para amplia-la. Na seqüência vemos uma imagem ekm três dimensões do terreno lunar, como captado pela sonda chinesa Chang'e-1. Créditos: Jaxa, Nasa e Missão Chang'e.

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