Segunda-feira, 3 mar 2008 - 09h27

De olho no futuro, ESA estuda plantas no espaço

Phaseolus vulgaris e Arabidopsis. Os nomes parecem estranhos e confusos mas o experimento, iniciado esta semana no interior do recente módulo Columbus, anexado à Estação Espacial, já é bem conhecido de muitos. Quem não se lembra do experimento de plantar feijões, feito pelo astronauta Marcos Pontes quando esteve a bordo da ISS em abril de 2006?

O experimento realizado por Pontes tinha caráter educacional e consistia em estudar a germinação de algumas sementes de feijão comum - Phaseolus vulgaris e mostarda - Arabidopsis - sob diferentes condições de luminosidade e disponibilidade de água, dentro de um ambiente de microgravidade proporcionado pela ISS. A primeira vista pode até parecer alguma brincadeira de criança, mas para os pesquisadores os resultados podem levar a importantes descobertas e tecnologias.

Na última sexta-feira (29/02/2008), o astronauta Léopold Eyharts, da Agência Espacial Européia, ESA, ativou o primeiro experimento no interior do laboratório espacial Columbus. Conhecido como WAICO, o experimento consiste em investigar os efeitos da gravidade nas raízes de plantas em crescimento.

WAICO (Waving and Coiling of Arabidopsis Roots at Different g-levels - Ondulação e Espiralamento de Raízes de Arabidopsis em Diferentes Níveis de Gravidade) acompanhará o crescimento de dois tipos de sementes de Arabidopsis, um do tipo selvagem e outro geneticamente modificado. Ambas as sementes serão submetidas a forças de gravidades de 0g e 1g, onde "g" é o equivalente à gravidade na Terra.

As pequenas sementes crescerão entre 10 e 15 dias sob condições controladas de temperatura, umidade e iluminação e diariamente imagens de vídeo documentarão o desenvolvimento das sementes. Utilizando dados telemétricos, as imagens e dados relacionados serão retransmitidos em tempo real aos pesquisadores em terra.

Enquanto as plantas crescem no espaço, aqui na Terra o crescimento das sementes será acompanhado por Guenther Scherer, cientista chefe do projeto Waico, ligado à universidade de Leibniz, em Hannover. Scherer e sua equipe observarão como nível de gravidade afeta as características de espiralamento e ondulação das raízes de Arabidopsis. Os resultados do experimento deverão contribuir para melhorar a compreensão dos diversos processos de crescimento, o que poderá ajudar a melhorar a eficiência dos processos agrícolas aqui na Terra.

A escolha da Arabidopsis para os experimentos não foi por acaso. Este gênero tornou-se particularmente importante em termos científicos porque inclui a Arabidopsis thaliana, que tem sido utilizada nas duas últimas décadas como organismo modelo para estudo da biologia genética vegetal. Além disso, foi a primeira planta cujo genoma foi completamente seqüenciado.

Ao final do experimento, o laboratório Biolab - equipamento onde a experiência está sendo conduzida - será automaticamente lacrado, preservando as sementes em seu estado de crescimento. Neste momento Eyharts deverá documentar a aparência das plantas usando câmeras de alta resolução. As sementes deverão retornar à Terra na próxima missão do ônibus espacial, marcada para 11 de março de 2008.


De olho no Futuro
Os resultados do experimento WAICO também poderão contribuir de forma significativa, a longo prazo, na exploração humana da Lua e de Marte. Conhecer e dominar o ciclo de crescimento de plantas em ambientes diferentes ao da Terra será a chave para a produção agrícola no espaço, o que permitirá aos astronautas plantar e colher seus próprios vegetais durante as longas viagens espaciais e no interior das bases extraterrestres.

Como pudemos ver, estudar o crescimento de sementes no espaço já não é apenas mais um experimento. Os resultados terão grande impacto no futuro, principalmente na produção de alimentos frescos no espaço, o que deixará de ser apenas uma obra de ficção científica para se tornar realidade. Quem acompanhou a saga da família Robinson, em Perdidos no Espaço, nos anos de 1960, sabe bem o que isso significa.

Astronauta Brasileiro: Leia Matérias a respeito

Fotos: No topo, imagens do crescimento das raízes de mostarda em ambiente terrestre. Acima, laboratório europeu Columbus durante fase de instalação, em 11 de fevereiro de 2008. Clique sobre a cena para ampliar. Créditos: NASA/ESA/Guenther Scherer.

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