Espaço - Ciências - Fenômenos Naturais
Segunda-feira, 19 mai 2008 - 10h33
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Estudo alertou para o potencial de risco das falhas de Sichuan

Alguns meses antes do violento terremoto 8.0 graus Richter, que arrasou o sudoeste da China em maio de 2008, um grupo internacional de cientistas havia publicado um importante trabalho no periódico especializado Tectonics. O estudo alertava que as falhas geológicas localizadas na Bacia de Sichuan, local do epicentro, são suficientemente grandes para sustentar um poderoso terremoto com intensidade capaz de causar uma grande tragédia.

O paper (trabalho científico) é assinado pelos cientistas Alexander Densmore, do instituo de Pesquisas de Alto Risco da Universidade de Durham e por Mike Ellis, diretor do Instituto Britânico de Pesquisas Geológicas, que trabalharam em conjunto com os pesquisadores de Chengdu, na China.

Para chegar a conclusão do potencial risco, o grupo mapeou e analisou cuidadosamente uma série de jovens falhas geológicas que cruzam a província de Sichuan e as montanhas adjacentes da bacia, usando para isso um método conhecido como Geomorfologia Tectônica. Essa técnica permite demonstrar mudanças significativas no movimento do solo que ocorrem com o tempo, observando as mudanças do nível do canal dos rios, fendas em regiões alagadas, vales com padrões anormais e características de levantamento das paisagens.

Esses tênues sinais de deformação, quando combinados com a capacidade de se medir a idade das paisagens desfiguradas, produzem excelentes resultados.

O evento de Sichuan ocorreu abaixo de uma das mais íngremes e rugosas montanhas da Terra, o Longmen Shan. Essa impressionante cordilheira, tão ou mais escarpada que o Himalaia ergue-se acima da borda oriental do Platô Tibetano, uma região que se eleva a mais de 5 mil metros de altitude em resposta à lenta, mas irrefreável colisão entre as placas tectônicas da Índia e da Ásia. Esse choque constante teve início a mais de 55 milhões de anos e continua até hoje.

Segundo o estudo, duas longas falhas em particular percorrem quase todo o comprimento do Longmen Shan, apresentando clara evidência de deslizamento durante os últimos milhares, e em alguns casos, milhões de anos. Segundo o estudo, a razão do deslizamento varia entre frações de milímetros anuais até muitos milímetros por ano. Pouco a pouco, Longmen Shan vai sendo deslocado.

Não se sabe exatamente por que o Longmen Shan existe ali. Ao contrário do Himalaia, formado em razão direta do choque entre as placas da Ásia e da Índia, e cuja ação provoca constantes e violentos abalos na região, as falhas no Longmen Shan, talvez reminiscências de eventos ocorridos há milhões de anos, historicamente só produziam sismos não superiores a 6.0 graus.

Ao que tudo indica, foi uma dessas falhas que culminou com o evento de 8.0 graus Richter e que já vitimou, até 18 de maio de 2008, 22 mil pessoas.

Nota: O evento de Sichuan teve sua magnitude incialmente estimada em 7.9 graus, mas foi posteriormente recalculado em 8.0 graus pelo ISGS, Insitituo de Pesquisas Geológicas dos EUA

Foto: O mapa visto acima mostra a localização exata da região do evento. O verde do lado direito da cena representa as regiões mais baixas enquanto os tons quase beges vistos do lado esquerdo mostram as regiões elevadas.

A imagem foi composta no ano de 2000, através de dados coletados pela missão SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), que orbitou a região asiática naquele ano. Sobrepostos à cena estão diversos indicadores de magnitude, relacionados ao abalo do dia 12 de maio. Pela cena vemos que o epicentro do evento foi localizado a 95 quilômetros a oeste-noroeste da cidade de Chengdu, enquanto o aftershocks (abalos secundários) ocorreram à nordeste do foco central, ao longo da cadeia de montanhas de Longmen Shan. Crédito: Nasa/Modis







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