Quinta-feira, 10 ago 2006 - 09h06

James Van Allen, pioneiro da era espacial, morre aos 91 anos,

A Universidade de Iowa, EUA, anunciou nesta quarta-feira a morte do físico James Alfred Van Allen, um dos mais importantes pioneiros na exploração espacial. Allen tinha 91 anos.

Van Allen chamou a atenção do mundo no final de 1950, quando o primeiro satélite americano, Explorer I, confirmou a existência de cinturões de radiação ao redor do planeta, previstos por Allen anos antes.

Mais tarde os cinturões foram nomeados como Cinturões de Van Allen, em sua homenagem.

A descoberta de Allen abriram um novo campo de pesquisa, atualmente conhecido como física magnetosférica e envolve mais de mil pesquisadores em mais de 20 países.

Na ocasião, a confirmação dos cinturões motivou ainda mais os Estados Unidos em sua corrida na exploração espacial com a União Soviética. De tão importante, foi capa da revista Time em sua edição de 4 de maio de 1959.

Mesmo após parar de lecionar em tempo integral em 1985, Van Allen continuou a monitorar dados científicos transmitidos por diversos satélites, além de trabalhar como cientista interdisciplinar para a nave Galileo, que alcançou Júpiter em 1995.

Na foto principal, James Van Allen posa no Museu Nacional de aeronáutica e Espaço, da Universidade de Yowa. Ao fundo modelos da sonda Pioneer H. Na segunda foto, feita em 31 de janeiro de 1950, um trio de pioneiros apresenta à imprensa uma réplica da sonda Explorer I e do estágio final após o lançamento. Da esquerda para a direita, Dr. William H. Pickering, Dr. Van Allen e Dr. Wernher von Braun.


Os cinturões
Cinturão de Van Allen são duas regiões no espaço, acima do equador terrestre, formadas basicamente por partículas altamente carregadas, aprisionadas pelo campo magnético da Terra.

O primeiro cinturão, e também o mais intenso, se estende entre de mil e cinco mil quilômetros, e sua intensidade máxima ocorre aproximadamente a três mil quilômetros. Consiste basicamente de prótons altamente energéticos que se originam pelo decaimento de nêutrons, produzidos quando raios cósmicos vindos do espaço exterior colidem com átomos e moléculas da atmosfera terrestre.

O segundo cinturão situa-se entre 15 mil e 25 mil quilômetros de altitude e contém partículas eletricamente carregadas, com origem na atmosférica ou trazidas pelo vento solar. As partículas mais energéticas deste cinturão são os elétrons, cuja energia atinge várias centenas de milhares de elétrons-volt, e de prótons, muito menos energéticos, porém de fluxo mais intenso.

De modo geral não existe uma limitação física entre os dois cinturões, que se fundem em altitudes variáveis. Durante os períodos de intensa atividade solar, grande parte das partículas eletricamente carregadas vindas do Sol conseguem romper a barreira formada pelos cinturões de radiação de Van Allen. Quando atingim a alta atmosfera produzem os fenômenos das auroras polares e das tempestades magnéticas.

Quando esses intensos cinturões de radiação foram descobertos, os cientistas ficaram apreensivos quanto às sérias ameaças que poderiam oferecer às viagens espaciais. Hoje em dia sabe-se que com prteção adequada, os astronautas podem passar rapidamente por essas regiões de radiação.

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