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Terça-feira, 11 jun 2019 - 11h30
Por Rogério Leite

Júpiter: Grande Mancha Vermelha está vazando muito rapidamente

Há alguns anos, cientistas e astrônomos amadores vêm observando um enfraquecimento constante da Grande Mancha Vermelha, mas o processo parece ter se acelerado. As observações mostram que a mancha está vazando muito rapidamente e em breve deverá se dissipar totalmente.

Planeta Júpiter e a Grande Mancha Vermelha, registrada pelo Telescópio Espacial Hubble, em abril de 2017. Compare o tamanho e as feições da GMV com a registrada pelo astrônomo amador David Maia Santos, abaixo.
Planeta Júpiter e a Grande Mancha Vermelha, registrada pelo Telescópio Espacial Hubble, em abril de 2017. Compare o tamanho e as feições da GMV com a registrada pelo astrônomo amador David Maia Santos, abaixo.

Até o ano de 2016, as previsões mostravam que a Grande Mancha Vermelha, GMV, não deveria durar mais 20 anos, já que a perda de material gasoso era praticamente constante, o que permitia uma estimativa de vida relativamente segura.

No entanto, imagens feitas entre 2018 e 2019, principalmente por astrônomos amadores, mostram que algo mudou na atmosfera de Júpiter. Em pouco tempo a GMV perdeu muito mais material do que o previsto em uma espécie de "vazamento" perfeitamente visível em sua borda direita. Novas estimativas mostram que GMV deverá se extinguir em menos de 10 anos.

Para quem não sabe, a Grande Mancha Vermelha é uma gigantesca tormenta de cor avermelhada, que gira em sentido anti-horário. Seu tamanho estimado é equivalente ao de dois planetas Terra. É uma espécie de redemoinho de gás que gira freneticamente há pelo menos 150 anos, produzindo ventos que ultrapassam 600 km/h.

A GMV é a mais importante feição do planeta Júpiter e ao que tudo indica pode estar ativa desde os anos de 1600, quando as primeiras observações do planeta já davam conta da existência de uma grande mancha espiral, embora não esteja claro se era a mesma tormenta.

Grande Mancha Vermelha cada vez menor
De acordo com o astrofotografo e astrônomo amador David Maia Santos, ligado ao Clube Dorense de Astronomia Orson, de Sergipe, não há dúvida que está ocorrendo um encolhimento rápido da GMV. Segundo Santos, isso é perfeitamente observável nas imagens feitas por ele nos últimos 10 meses. "Se antes cabiam três planetas Terra dentro da GMV, atualmente só cabem dois", disse o pesquisador.

Imagem feita pelo astrônomo amador David Maia Santos, com telescópio de 254 mm revela uma diminuição da mancha, além do suposto vazamento de material gasoso.
Imagem feita pelo astrônomo amador David Maia Santos, com telescópio de 254 mm revela uma diminuição da mancha, além do suposto vazamento de material gasoso.

No fim do século XIX, o tamanho da GMV era estimado em mais de 56 mil km, quase quatro vezes o diâmetro da Terra. Um século depois, quando a Voyager 2 voou por Júpiter, a tempestade estava menor, com cerca de três diâmetros terrestres. Algumas medições feita em 2017 mostraram que o diâmetro era de 16 mil km.

Não se sabe ao certo o que está fazendo a GMV perder tanto massa em pouco tempo, mas segundo o astrônomo amador Anthony Wesley, da Austrália, a diminuição da tempestade é consequência de vários vórtices que se movimentam dentro de um fluxo de gás abaixo da Mancha e que de alguma forma está forçando a feição a perder material para a atmosfera.







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