Segunda-feira, 14 dez 2015 - 08h55

Lua: robô perdido há 45 anos reflete laser e volta ao trabalho!

Utilizando informações fornecidas pela Sonda de Reconhecimento Lunar, LRO, pesquisadores da Universidade da Califórnia conseguiram com sucesso atingir o retrorefletor de raios laser do robô-explorador russo Lunokhod 1. A nave estava perdida na Lua havia 45 anos, mas a intensidade do pulso de retorno surpreendeu todos os pesquisadores

Robo sovietico lunokhod 1
Jipe-robô soviético Lunokhod-1. As operações do Lunokhod cessaram oficialmente em 4 de Outubro de 1971, aniversário do Sputnik 1.


"Em nossa primeira tentativa conseguimos mais de 2 mil fótons refletidos", disse Tom Murphy, que lidera a equipe de pesquisadores que trabalha para colocar o robô de volta à ativa. "Iluminamos a posição do Lunokhod 1 e ficamos simplesmente maravilhados com a potência do sinal refletido. É como se o robô conversasse conosco, alto e claro!".

Durante as missões lunares realizadas nas décadas de 1960 e 1970, diversos retro refletores lasers foram instalados na superfície da Lua, tanto pelos astronautas do Projeto Apollo como pelas sondas automáticas da antiga União Soviética.

Apesar de simples, até hoje os refletores são utilizados pelos pesquisadores, mas a perda da eficiência ao longo do tempo limitou os experimentos a apenas dois dos equipamentos. Com a localização do Lunokhod 1 os cientistas tem agora três dispositivos à disposição.

O experimento consiste em enviar fortes pulsos de raios laser até a superfície da Lua, iluminando o local onde está instalado o refletor. Os pulsos são então refletidos por pequenos cubos espelhados, cuja geometria dos espelhos força o feixe de luz a retornar ao exato ponto de onde foi emitido.

A diferença entre o tempo entre a emissão do pulso e sua captação permite aos cientistas, por exemplo, conhecerem com bastante precisão a distância entre a Terra e a Lua e foi assim que confirmaram que nosso satélite se afasta de nós cerca de 3.5 cm por ano.

Laser Lunar Ranging

Eric Silverberg, responsável pelas medições no Observatório McDonald entre 1969 e 1982 lembra que durante esse tempo foram feitas reflexões nos três instrumentos do Projeto Apollo e no retrorefletor do Lunokhod 2. "Do Lunokhod 1 conseguimos apenas 1 detecção, em 31 de dezembro de 1970. Quando li que Tom Murphy conseguiu reflexão do Lunokhod 1 fiquei muito surpreso", disse o pesquisador.

A reação inicial de Murphy também foi de espanto. "O sinal era tão forte que pensei que nosso detector estivesse com defeito. Esperava uma forte degradação dos espelhos, por isso não acreditei que o reflexo era do Lunokhod 1, mas era. O reflexo era tão intenso que pela primeira vez conseguimos realizar experimentos em plena luz do dia", disse o cientista.

Prismas retrorefletores Lunares

Além das medições de distância entre os dois objetos, os pesquisadores usam as medições lunares para testar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein. Segundo a teoria, objetos de grande massa como a Terra ou a Lua produzem uma deformação em forma de curva no espaço-tempo ao seu redor e é essa curva que rege o movimento desses corpos. A curvatura do espaço-tempo também empurra a Terra e a Lua em direção ao Sol.

Ao medir a queda da Lua através da curvatura do espaço-tempo, cientistas do Apache Point Observatory tentam encontrar alguma falha na Teoria da Relatividade, mas até agora os resultados obtidos apóiam a teoria de Einstein. Será que um velho robô perdido, novamente iluminado por lasers, pode trazer uma nova luz sobre o funcionamento do Universo?


Fotos: No topo, o jipe-robô soviético Lunokhod-1. As operações do Lunokhod cessaram oficialmente em 4 de Outubro de 1971, o aniversário do Sputnik 1 e durante o tempo em que permaneceu na Lua percorreu cerca de 10 quilômetros e transmitiu em torno de 20 mil imagens de TV e 200 fotos panorâmicas. O retrorefletor pode ser visto no lado esquerdo da imagem. Na sequência, Observatório McDonald dispara um feixe de raios laser em direção à Lua. Acima, cubos prismáticos responsáveis pela reflexão dos pulsos de laser de volta à Terra. Créditos: Nasa/Apolo11.com.

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