Terça-feira, 29 set 2015 - 10h17
Por Rogério Leite

Marte: A NASA descobriu mesmo água corrente no Planeta Vermelho?

Com a tradicional pompa que envolve seus pronunciamentos, a NASA confirmou novamente a possibilidade de existência de água líquida na superfície do Planeta Vermelho, desta vez baseada na confirmação de fluxos de sais hidratados em algumas regiões do planeta.

Embora a agência espacial americana não tenha em nenhum momento afirmado que tenha descoberto água líquida em Marte, foi com essa importância que a notícia ganhou as manchetes dos principais sites, jornais e TV do mundo inteiro, passando a impressão de que fluxos de água corrente haviam sido descobertos.

Naturalmente, encontrar água líquida na superfície marciana não é algo possível, uma vez que a temperatura e a pressão no Planeta Vermelho não permitem que a água se encontre neste estado físico no nível do solo.

Assim, para confirmar a existência de água líquida fluindo em Marte seria preciso detecta-la bem abaixo do subsolo e era isso que se esperava no pronunciamento da NASA, mas não foi isso o que aconteceu.

Marte - locais com Perclorato
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Ao invés de revelar a existência de água no estado líquido, o que seria de fato uma descoberta fantástica e revolucionária, a NASA novamente comunicou a existência de fluxos de salmouras, repetindo observações já feitas anteriormente, com a diferença - importante - que essas evidências foram confirmadas através de nova técnica de espectroscopia.

O que a Nasa encontrou?
O estudo que confirma a existência dos fluxos de salmoura está baseado na observação de estreitas faixas escuras em algumas crateras e montanhas marcianas. Esses veios surgem de forma sazonal, aparecendo no verão e desaparecendo no inverno, o que chamou a atenção dos pesquisadores.

Utilizando um novo software, capaz de extrair dados espectroscópicos de apenas 1 pixel de imagem, o pesquisador Lujendra Ojha, ligado ao Instituto de Tecnologia da Georgia, foi capaz de detectar nesses fluxos a presença de cloreto de magnésio, perclorato de magnésio e perclorato de sódio.

Marte - Cratera Horowitz
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Esses sais, quando misturados à água, alteram brutalmente seu ponto de congelamento e evaporação o que permite que se mantenha mais tempo em estado líquido.


Mais perguntas
A confirmação da presença dos sais já era esperada, pois diversos estudos já apontavam nesta direção. No entanto, a descoberta não responde uma pergunta crucial.

Aqui na Terra, sabe-se que as salmouras se formam quando os sais presentes no solo, os percloratos, absorvem vapor de água da atmosfera ou do solo. Como os estudos mostram que a quantidade de vapor de água na atmosfera marciana é desprezível, especula-se que a água presente na salmoura possa estar vindo do solo. Mas de onde?

Para responder a essa pergunta, os cientistas deverão rever as próximas missões robóticas ao planeta e direcionar equipamentos especializados até os locais das possíveis nascentes dos fluxos de salmoura e realizar ali as novas prospecções geológicas e atmosféricas.

Caso a água da salmoura observada tenha de fato origem no subsolo - e muitos apostam suas fichas nessa possibilidade - deveremos então testemunhar no futuro próximo uma das mais importantes buscas por vida microbiana fora da Terra, com grandes chances de serem encontradas já nos próximos anos.

Quem viver verá.


Artes: no topo, animação mostra a dinâmica do surgimento dos veios de salmoura em marte, observados na cratera Newton. Na sequencia, mapa marciano mostra os locais onde as salmouras são recorrentes. Acima, veios observados na cratera Horowitz. Créditos: NASA, Apolo11.com.

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