Domingo, 4 dez 2011 - 12h52

Marte: Phobos-Grunt quase perdida. Curiosity a caminho

A agência espacial europeia confirmou esta semana que as tentativas de comunicação com a sonda russa Phobos-Grunt estão encerradas. A nave agora está fora do campo visual da antena localizada em Perth, Austrália e as últimas tentativas de contato feitas a partir das ilhas Canárias fracassaram.

A impossibilidade de manter contato com a sonda é um duro golpe na tentativa russa de salvar ao menos parte da missa Phobos. A esperança era obter novo dados de telemetria que informassem as condições da nave, mas os dados não foram captados.

No dia 22 de novembro, a ESA conseguiu enviar sinais de telecomando à Phobos-Grunt, que respondeu acionando o transmissor de bordo, enviando um pacote de dados. Como a sonda está em órbita muito baixa, não houve tempo suficiente para coletar grande quantidade de informações, já que o tempo de passagem sobre a estação receptora é de menos de 7 minutos.

O contato, mesmo que momentâneo, foi bastante festejado pelos engenheiros russos e europeus, mas a alegria durou pouco. Nas passagens seguintes, quando eram esperados novos blocos de dados nenhum sinal foi recebido.

No dia 1 de dezembro, o centro de controle da ESA, localizado em Darmstadt, Alemanha, anunciou novas tentativas de contato a partir da estação de Maspalomas, nas Ilhas Canárias. Foram enviados comandos à nave durante as passagens das 12h47 UTC e 14:35 UTC com o objetivo de acionar o transmissor de bordo, mas o resultado foi novamente o silêncio.

Causas
Ao contrário das agências espaciais americana e europeia que fornecem detalhes técnicos bastante precisos sobre suas missões, as agências russas Roscosmos e Lavochkin preferem o silêncio, impedindo uma análise mais pontual sobre o que estaria acontecendo com a sonda Phobos-Grunt. Nem ao menos as informações telemétricas recebidas do primeiro contato foram divulgadas.

Elementos orbitais publicados diariamente pelo Comando de Defesa Estratégica dos EUA, USSTRATCOM, permitem conhecer com bastante precisão a posição da sonda no espaço, facilitando a observadores independentes traçarem um panorama relativamente confiável sobre a situação da PG.

Os parâmetros orbitais mostram que nos últimos 10 dias o perigeu caiu cerca de 1 km, enquanto a altura máxima de apogeu passou de 320 km para menos de 303 km, tornando o shape da órbita ainda mais circular. Considerando que houve pouca variação no fluxo solar, a queda de perigeu parece menor do que o previsto, o que leva a crer que algum mecanismo automático está tentando estabilizar a altura da nave no espaço.

Por outro lado, observações visuais feitas por observadores e astrônomos amadores mostram grandes variações no brilho da Phobos-Grunt e em alguns casos, intermitência na luz refletida pelo Sol. Isso leva a acreditar que exista alguma falha no controle de atitude (não confundir com altitude) da nave, que deveria orientar a posição do artefato dentro da órbita. Essa hipótese justificaria a dificuldade de contato, já que a antena principal poderia estar apontando para qualquer lugar durante o momento que sonda passou sobre as estações de rastreio.


Peça Solta
Um novo conjunto de elementos orbitais divulgados pelo USSTRATCOM mostra que um novo objeto ligado à Phobos-Grunt passou a ser monitorado desde 29 de novembro. Trata-se do fragmento catalogado como 11065H/37947, que aparentemente se desprendeu da sonda e foi interceptado pelos radares de perfil do Comando de Defesa dos EUA.

No entender de Ted Molczan, do grupo de observadores independentes Satobs, esse objeto reentrou na atmosfera no dia 1 de dezembro, tinha cerca de 10 centímetros e pesava aproximadamente 500 gramas. Outro objeto, de dimensões semelhantes também está sendo monitorado, mas não há informações oficiais a respeito.

Reentrada
Cálculos de reentrada feitos pelo Apolo11-Satview mostram que se a sonda Phobos-Grunt não for reparada a tempo, deverá reentrar na atmosfera nos primeiros dias de janeiro de 2012, provavelmente no dia 11, consumida em uma gigantesca bola de fogo de 13500 quilos. Como em todas as reentradas descontroladas, o local e a hora do momento de ruptura só podem ser calculados com precisão algumas horas antes do evento. Mantenha atenção.

Para rastrear a Phobos-Grunt acesse o SatView. Clique aqui
Para saber tudo sobre a missão Phobos-Grunt, clique aqui


Curiosity
Ao contrário do drama por que passam os engenheiros da missão russa, os controladores da missão estadunidense MSL (Mars Science Laboratory) comemoram a risos largos. De acordo com o JPL, laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa, o jipe-robô Curiosity foi lançado com tanta perfeição que não foi necessária qualquer manobra de correção após a injeção interplanetária.

"Esta foi uma das mais precisas injeções interplanetária que já vimos", disse Louis D'Amario, projetista da missão e diretor de navegação da missão MSL.


Contaminação
Os engenheiros mudaram propositalmente o curso do foguete lançador, fazendo com que "errassem" o alvo Marte por 56400 km. Esta precaução foi necessária para evitar que micróbios da Terra fossem levados a Marte junto com o estágio superior do foguete Centaur, que fatalmente chegaria junto com o jipe-robô Curiosity ao Planeta Vermelho.

Na injeção, o curso da nave espacial foi corrigido, garantindo que a sonda chegue a marte sem a incômoda presença de parte do foguete lançador, que ao contrário do jipe, não passa por processos de descontaminação tão severos.


Fotos: Imagens registrada pelo observador independente Ralph Vandeberg mostram a Phobos Grunt ao passar sobre a Bégica, em 29 de novembro de 2011. A cenas revelam que antena de comunicações estava apontada para o lado oposto ao da Terra no momento da passagem. Crédito: Ralph Vandeberg, Apolo11.com.

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