Sexta-feira, 30 jan 2009 - 09h53

Muralha de gás divide metrópole cósmica em dois hemisférios

A idéia de um muro dividindo uma região em dois lados não é nova. Afinal, quem nunca ouviu falar na Muralha da China, que há mais de 2 mil anos protegia o país das invasões dos povos do Norte e até hoje se mantém em pé? E do Muro de Berlim, que durante 28 anos dividiu a Alemanha entre dois regimes políticos diferentes? De fato, os muros são tão comuns que basta dar uma voltinha pela rua para que você os veja aos montes.

O que não se sabia, no entanto, é que até mesmo no espaço profundo esses paredões podem existir, mas ao contrário dos que proliferam aqui na Terra, são formados por gigantescas esteiras de gás ionizado que dividem regiões inteiras do espaço.

Utilizando imagens fornecidas pelos telescópios de raios-x Chandra e pelo telescópio espacial Hubble, cientistas do Centro Harvard Smithsoniano de Astrofísica apresentaram nesta semana uma impressionante imagem de NGC 604, a maior região de estrelas em formação, localizada próxima à galáxia M33. A cena divulgada mostra uma espécie de metrópole dividida, onde mais de 200 estrelas quentes e jovens residem.

Por toda a metrópole cósmica espalham-se gigantescas bolhas formadas por gás e poeira, que são aquecidas e ionizadas pela alta energia do vento estelar vindo das estrelas jovens e massivas. Essa energia é tão intensa que a colisão com o gás frio produz emissões eletromagnéticas em diversos comprimentos de onda, gerando energia luminosa e raios-x, devidamente captada pelos diferentes sensores dos dois telescópios.


Lados Diferentes
A partir das imagens os pesquisadores puderam identificar grandes diferenças nos dois lados da metrópole. No lado oeste a quantidade de gás aquecido detectado nas bolhas corresponde 4.3 mil vezes a massa do Sol. Analisando a intensidade do aquecimento os cientistas entenderam que esse lado de NGC 604 é completamente alimentado pelos ventos das 200 estrelas massivas.

Do lado esquerdo, entretanto, a situação é bastante desigual onde a massa dos gases é de 1.750 vezes a massa do Sol e os ventos das estrelas mais jovens não podem explicar o brilho provocado pela emissão de raios-X. Ali, as bolhas parecem ser bem mais velhas e provavelmente se desenvolveram no passado a partir do vento de jovens estrelas ou supernovas


NGC 604
A nebulosa NGC 604 se localiza a três milhões de anos-luz nas proximidades da galáxia M33 e foi descoberta por William Herschel, em 11 de setembro de 1784. Apesar das nebulosas serem bastante comuns, NGC 604 é única por ser particularmente larga, com aproximadamente 1500 anos-luz de diâmetro. A nebulosa é tão grande e brilhante que pode ser facilmente vista a partir de modestos telescópios instalados em locais escuros.



Fotos: No topo, linha tracejada mostra a posição da linha de gás que divide em duas partes a Nebulosa NGC 604. Acima, galáxia M33. No detalhe da foto vemos a localização da nebulosa NGC 604. Créditos: X-ray: NASA/CXC/CfA/R. Tuellmann et al. Optical: NASA/AURA/STScI/Telescópio de Monte Paolmar, EUA.

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