Terça-feira, 4 mar 2008 - 10h34

Nasa capta cena inédita de avalanche em Marte

Avalanches de terra acontecem diariamente e são tão freqüentes que, a menos que sejam de grande porte, quase ninguém repara nelas. Elas acontecem por diversos motivos, desde causas naturais até aquelas induzidas pelo Homem.

Se estudar e documentar as avalanches que acontecem aqui na Terra é relativamente fácil, o que dizer de fazer o mesmo trabalho a milhões de quilômetros de distância e com recursos limitados? Pois esse é o novo desafio dos cientistas espaciais que estudam o planeta Marte.

Neste começo de semana, pesquisadores ligados à Universidade do Arizona, EUA, ficaram surpresos ao estudar as novas imagens enviadas pela sonda norte-americana Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), que orbita o planeta vermelho. As cenas mostram pela primeira vez na história avalanches jamais vistas no planeta, mais precisamente próximas ao seu pólo norte.

"Essas imagens realmente me surpreenderam", disse a cientista planetária Ingrid Daubar Spitale. Foi ela quem primeiro reparou as avalanches, ocorridas no dia 19 de fevereiro (2008). "É muito emocionante ver que alguma coisa dinâmica ocorre em Marte. Quase tudo o que sempre vemos são formas geológicas que não se modificaram por milhões de anos", completou.

As câmeras HiRISE (High Resolution Imaging Experiment - Experimento Imageador de Alta Resolução) não estavam procurando por esse tipo de acontecimento. "Estávamos estudando as mudanças no nível de dióxido de carbono sobre algumas coberturas de gelo. Detectar as avalanches foi algo completamente por acaso", disse a cientista Candice Hansen, ligada ao Laboratório de Propulsão a Jato, JPL, da Nasa.

A imagem em alta resolução revela avalanches muito pequenas, do tamanho de uma pequena mesa, dispostas sobre uma faixa de terreno de 6 quilômetros de largura por 60 quilômetros de comprimento, próxima à latitude de 84 graus Norte. As camadas avermelhadas são conhecidas por serem ricas em água congelada e se erguem à frente de um desfiladeiro inclinado de aproximadamente 700 metros de altura.

"Ainda não sabemos o que pode ter causado essas avalanches", disse Patrick Russell, da Universidade de Berna, na Suíça e especialista na análise das imagens HiRISE. "Estamos planejando capturar mais imagens daquela região em outras estações do ano e verificar se as avalanches acontecem durante todo o período ou se estão ligadas apenas à estação atual". No momento é primavera no local das avalanches.


Aprendendo
O material que caiu da parte superior da escarpa é provavelmente composto de mais gelo do que água. As imagens que serão capturadas nos meses seguintes poderão revelar mudanças no novo depósito formado na base do desfiladeiro. Isso deverá ajudar os cientistas a estimarem melhor as proporções do material da avalanche.

"Se os blocos de gelo caíram por se desprenderem naturalmente, podemos inferir que a água em seu interior passou do estado sólido para o gasoso, explica Russel. "Nosso trabalho agora será acompanhar as imagens e ver se os blocos e outros detritos encolhem de tamanho. O que aprendermos será de grande valia para uma melhor compreensão sobre ciclo da água em Marte".


Terra e Lua vistas de Marte
A câmera de alta resolução HiRISE a bordo da sonda marciana também pode ser usada como um excelente telescópio extraterrestre para estudar outros planetas e sistemas distantes. Um exemplo é a imagem abaixo, captada no dia 3 de outubro de 2007 e que mostra a Terra e a Lua contra o fundo negro do espaço.

No momento em que a imagem foi feita nosso planeta estava a 142 milhões de quilômetros de Marte. Na cena, cada pixel equivale a 142 quilômetros, fazendo com que a Terra ocupe 90 pixels e a Lua 24 pixels. Menos da metade dos discos da Terra e da Lua estão sob iluminação direta. Somente quando estão no lado oposto do Sol em relação a Marte é que podem ser vistos totalmente iluminados, mas neste caso a distância seria muito maior, não permitindo muitos detalhes visuais.

A imagem mostra a costa ocidental da América do Sul no canto inferior direito, praticamente coberta de nuvens, tão brilhantes que aparecem saturadas na composição.

De acordo com informações do JPL, parte da cena captada no espectro vermelho estava quase totalmente saturada. A imagem no espectro azul-verde apresentava saturação significativa, e as nuvens mais brilhantes apresentavam saturação no espectro infravermelho. Segundo o JPL, foi necessário uma considerável quantidade de processamento para se obter uma boa aparência para publicação.

A imagem da Lua não está saturada, mas brilha bastante em relação à Terra. Normalmente as imagens da Lua são usadas pelos cientistas para calibração dos sensores da câmera. Fotos: No topo, cena inédita da avalanche ocorrida em Marte. Na seqüência, Terra e Lua vistas pela sonda MRO a 143 milhões de quilômetros de distância. Créditos: Nasa/JPL. Clique sobre as imagens para amplia-las.

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