Sexta-feira, 6 mar 2009 - 11h13

Nasa lança nesta madrugada o telescópio Kepler, o caçador de planetas

Se não houver nenhum impedimento, a agência espacial americana, Nasa, deverá lançar ao espaço na tarde desta sexta-feira o primeiro telescópio caçador de planetas extrasolares. O lançamento será feito através de um poderoso foguete do tipo Delta II e está previsto para ocorrer às 00h49 de sábado pelo horário de Brasília a partir da base de Cabo Canaveral, na Flórida.

A missão do telescópio será a descoberta de planetas rochosos similares à Terra e que orbitem estrelas parecidas com nosso Sol. Um dos principais objetivos será detectar a presença de água em estado líquido, essencial para a formação da vida como a conhecemos.

Batizado de Kepler, o telescópio foi projetado para detectar o escurecimento periódico de uma estrela, que ocorre sempre que um planeta passa à frente do disco luminoso. Para isso o equipamento conta com os mais sensíveis sensores luminosos até agora desenvolvidos, capazes de detectar variações luminosas menores que 20 partes por milhão. Para atingir esse nível de resolução os cientistas contarão com a maior câmera digital já colocada no espaço, com capacidade de 95 megapixels.

"Se Kepler fosse apontado para uma pequena cidade na Terra durante a noite, seria capaz de detectar a diminuição de brilho provocada pela passagem de uma pessoa à frente de uma lanterna", disse James Fanson, diretor do projeto junto ao Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa.


100 mil estrelas
Kepler permanecerá pelo menos 3.5 anos de sua vida analisando a luz vinda de uma única e estreita faixa da Via-Lactea, na região entre as constelações de Cygnus e Lira. De acordo com Fanson, teoricamente os planetas dentro da zona habitável devem levar 1 ano para completar uma revolução ao redor da estrela. Segundo o cientista o período de 3.5 anos é necessário para confirmar a presença desses objetos. Estima-se que na pequena janela de observação existem aproximadamente 100 mil estrelas.

Uma das características de Kepler é o modo como será posicionado no espaço, que permitirá que uma mesma estrela seja observada constantemente durante todo o período da missão.

Espera-se que o telescópio descubra centenas de planetas iguais ao nosso e diversos outros em diferentes distâncias da estrela-mãe. Se os planetas iguais à Terra forem comuns na zona habitável, o telescópio deverá encontrá-los. No entanto, se forem raros, Kepler poderá não os detectar. De acordo com Michael Bicay, diretor de ciências do Centro de Pesquisa Ames, da Nasa, um resultado nulo é tão importante quanto encontrar diversos planetas.

Seja qual for o resultado da missão Kepler, esse é o primeiro passo para responder uma questão formulada pelos antigos gregos: Afinal, existem outros mundos iguais aos nossos ou estamos sozinhos no Universo?

Fotos: No topo, técnicos realizam os últimos procedimentos antes do lançamento. Acima, campo de visão do telescópio Kepler. O telescópio permanecerá 3.5 anos analisando a luz vinda de uma única e estreita faixa entre as constelações de Cygnus e Lira. Estima-se que nesta região existam aproximadamente 100 mil estrelas. Créditos: Nasa.

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