Sexta-feira, 25 set 2009 - 16h10

Sonda indiana detecta sinais de água na superfície da Lua

Depois de terem perdido contato com a sonda Chandrayaan-1 no início deste mês, cientistas indianos e norte-americanos anunciaram esta semana que o instrumento Mapeador de Mineralogia Lunar, ou M3, detectou tênues sinais de moléculas de água nas regiões polares da Lua, além de elevadas concentrações de hidroxila no solo lunar.


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Apesar das concentrações detectadas de H20 serem pequenas, a quantidade é bem maior que a esperada pelos pesquisadores, o que despertou novos questionamentos sobre sua a origem e possíveis efeitos sobre a mineralogia da Lua. A hidroxila, HO, é uma molécula composta de um átomo de oxigênio e apenas um átomo de hidrogênio.

A descoberta foi feita através da luz refletida pela superfície da Lua nos comprimentos de onda do infravermelho, que foram captados pelo instrumento M3 a bordo da sonda e transformados em sinais digitais que foram enviados à Terra. Quando os dados foram analisados pelos pesquisadores, constatou-se que os comprimentos de onda absorvidos eram compatíveis com a absorção causada por moléculas de água e hidroxila.

A descoberta das moléculas confirma observações feitas anteriormente pelo instrumento VIMS (Visual and Infrared Mapping Spectrometer) a bordo da sonda Cassini e também pelo espectrômetro infravermelho a bordo da sonda Epoxi, da Nasa. O trabalho é assinado pelo cientista Carle Pieters, principal investigador dos dados do instrumento M3 junto à Universidade de Brown e está sendo publicado esta semana pela Revista Science.


Baixas quantidades
É importante informar que a sonda não descobriu oceanos ou rios caudalosos na superfície da Lua e sim assinaturas moleculares de água e hidroxila, que interagem com moléculas de rocha e poeira nas camadas superficiais da Lua.

Segundo Pieters, a quantidade de água é extremamente pequena, mas para alguns cientistas ela poderia ser a chave para a solução de inúmeros problemas. Independente da quantidade, as moléculas podem ser quebradas e então separar o hidrogênio do oxigênio, obtendo assim combustíveis para foguetes. O problema é a viabilidade da operação.

No próximo dia 9 de outubro a sonda Lcross deverá se chocar contra a cratera Cabeus A no pólo sul da Lua e levantará uma grande quantidade de material congelado há mais de 6 mil metros de altitude. O objetivo é a detecção de possíveis moléculas de água armazenadas nas profundezas da Lua e que poderão abastecer as futuras colônias da Lua, além de produzir combustíveis para foguetes baseados em nosso satélite natural.


Foto: Imagens captadas pela sonda Chandrayaan-1 de uma cratera muito recente. À imagem da esquerda é vista dentro do espectro infravermelho e à direita a distribuição de água é mostrada ao redor da pequena cratera. Tanto a água como o material rico em hidroxila foram detectados no material ejetado da cratera. Crédito:ISRO/NASA/JPL-Caltech/USGS/Brown Univ.

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