Quarta-feira, 13 jan 2016 - 09h52
Por Rogério Leite

Tremores em Londrina: cientistas apresentam primeiros resultados

Depois que uma série de estrondos foi observada na cidade de Londrina, uma equipe de pesquisadores instalou diversos instrumentos com o objetivo de compreender o que está acontecendo na região. E os resultados começam a ser divulgados.

Registro sismografico de um tremor de 1,6 magnitude ocorrido em 11 de janeiro, as 00h39, no Jardim California, Londrina, PR.
Registro sismográfico de um tremor de 1,6 magnitude ocorrido em 11 de janeiro, as 00h39, no Jardim Califórnia, Londrina, PR.

Desde o final de 2015, os moradores do bairro Jardim Califórnia, em Londrina, PR, estão convivendo quase que diariamente com uma série de estrondos que parecem vir do subsolo. Não há uma causa aparente para o fenômeno, mas a intensidade e tremor são fortes o suficiente para provocar rachaduras nas paredes.

Diversas hipóteses foram levantadas, desde explosões em bolsões de gás da rede pública ou em obras da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná), até possíveis infiltrações, desmoronamentos ou movimentações naturais de camadas abaixo do solo.

Aquela região do Estado do Paraná não é sismicamente ativa e uma resposta para a causa dos eventos só pode ser dada após uma análise criteriosa de dados sismográficos, que agora começam a ser coletados.

Mapa da distribuicao de sensores implantados em parceria entre o IAG-USP e Universidade Estadual de Londrina.
Mapa da distribuição de sensores implantados em parceria entre o IAG-USP e Universidade Estadual de Londrina.

No início de janeiro, cientistas do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina instalaram quatro sismógrafos nos arredores da cidade e passaram a registrar todas as movimentações significativas do solo.

De acordo com o boletim emitido na terça-feira, 12 de janeiro, desde que foram instalados os instrumentos já detectaram oito tremores, o mais forte registrado às 14h42 do dia 11, cuja magnitude foi estimada em 1,7.

Segundo o boletim, dos oito tremores já catalogados, pelo menos seis tiveram seu epicentro localizado no Jardim Califórnia.

As primeiras observações revelaram que as formas de onda de dois tremores são muito parecidas, o que pode indicar que os epicentros estão a poucas dezenas de metros de distância um do outro e que o mecanismo de geração dos tremores é o mesmo.

O boletim informa que apenas a estação sismográfica LDASE está enviando dados em tempo real ao Centro de Sismologia, em SP. As outras estações precisam de coletas manuais dos dados armazenados, o que será feito nos próximos dias. Sem os dados das outras estações não é possível calcular a profundidade dos eventos, mas o fato de cada tremor ser sentido fortemente numa área bem restrita pode ser indício que o foco é muito superficial e provavelmente está na camada de basalto, apenas algumas dezenas de metros abaixo da camada de solo.

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