Espaço - Ciências - Fenômenos Naturais
Compartilhe! 

Editoria: Exploração Espacial
Segunda-feira, 2 jul 2007 - 09h52

Em missão suicida, robô descerá em cratera marciana

O Jipe-robô Opportunity, em atividade no planeta marte há quase três anos e meio, foi projetado para funcionar por 90 dias, mas sua robustez e precisão continuam impressionando seus projetistas, já que a sonda vem operando normalmente há mais de 1200 dias sem dar sinais de anomalia. No entanto, o artefato pode estar com seus dias contados.

Na esperança de coletar novos dados da composição física do planeta Marte, cientistas da agência espacial americana estão a um passo de enviar o pequeno Opportunity em uma nova missão, que poderá ser a última de sua vida.

Se for dado sinal verde aos pesquisadores norte-americanos, sinais de rádio enviados à sonda a fará descer nas profundezas da grande cratera Vitória para coletar valiosos dados científicos, mas diversos fatores poderão fazer o pequeno robô nunca mais sair de lá, ficando irremediavelmente perdido.

A idéia por trás da missão suicida parece fazer sentido. Devido à idade, o Opportunity pode parar de funcionar a qualquer momento, de modo que é melhor coletar a maior quantidade possível de dados enquanto o robô ainda estiver operando.

Entrar na cratera Vitória envolve diversos fatores ainda desconhecidos, entre eles a análise dos pontos de entrada. Os cientistas também não têm certeza do tipo de terreno que vão encontrar, nem dos pontos de apoio para o robô dentro da cratera.

"Temos sérias dúvidas se o Opportunity conseguirá subir novamente a cratera, mas o valor potencial das pesquisas que serão realizadas lá dentro praticamente me convence a autorizar a missão". A frase é de Alan Stern, cientista-chefe do projeto e diretor da Nasa para missões científicas. "Esse é um risco calculado que estamos assumindo, já que a missão Opportunity excedeu todas as expectativas".

Criada há milhões de anos, Vitória é uma cratera de impacto de cerca de 720 metros de diâmetro com quase 70 metros de profundidade. Para chegar até a cratera, o Opportunity viajou 21 meses desde o ponto de aterrisagem, 6 quilômetros dali, e neste momento está muito próximo à borda, em um local batizado de Duck Bay.Vitória é quatro vezes maior que a cratera Endurance, que a sonda explorou por seis meses em 2004.

Após chegar à borda da cratera Vitória, em 26 de setembro de 2006, o jipe-robô caminhou 700 metros ao seu redor, examinou a composição do solo e das pedras e mapeou sua extensão. De volta à Duck Bay, aguarda o comando para descer a encosta, que poderá ocorrer entre 7 e 9 de julho.

Para entrar na cratera, o Opportunity deverá cruzar uma camada de material depositado pelo vento, uma espécie de duna. Uma vez posicionado, os cientistas pretendem comandar o robô para frente, apenas o suficiente para que todas as seis rodas do veículo fiquem sobre uma espécie de rampa. Em seguida descerá a cratera de ré.


Opportunity
A cratera Vitória tem esse nome em homenagem a um dos cinco navios de Fernão de Magalhães, e o primeiro a fazer a circunavegação da Terra, em 1519. Diversas crateras e acidentes geográficos ao redor da cratera levam os nomes de baías e cabos descoberto por Magalhães.

Além da sonda Opportunity, Marte também está sendo estudado pelo seu irmão gêmeo, o robô Spirit, em atividade no outro lado do planeta. Ambas as sondas desceram em Marte em 2004 e encontraram diversas evidências geológicas de rochas que foram alteradas pela presença de água em épocas passadas.

Fotos: No topo, imagem panorâmica feita por robô Opportunity mostra parte da cratera Vitória. Na seqüência, foto de alta resolução feita pelo câmera de alta resolução a bordo da sondaMars Reconnaissance Orbiter, mostra os rastros do robô Opportunity vistos ao redor da cratera Vitória. Acima, a sonda Opportunity.







Apolo11.com - Todos os direitos reservados - 2000 - 2018
Política de Privacidade   |     Termo de Uso e Licenciamento   |  -   Entre em Contato

"O acaso não existe; o que chamamos de acaso é o efeito de uma causa que não conhecemos" - Voltaire