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Editoria: Fenômenos Naturais - Tsunamis
Sexta-feira, 20 mai 2005 - 06h51

Cientistas confirmam que terremoto de Sumatra foi o mais longo da história

Um estudo divulgado nesta quinta-feira confirmou que o terremoto de 26 de dezembro, próximo à costa de Sumatra, foi o abalo de maior duração já registrado em toda a história.

Novos dados do evento, que gerou enormes tsunamis, mostram que o tremor também criou a maior falha já observada. A afirmação é de um grupo internacional de sismologistas, e foi publicado ontem na revista Science.

"Normalmente, um pequeno terremoto dura menos de 1 segundo, enquanto outros, de intensidade moderada, podem durar vários segundos. Já o terremoto de Sumatra teve uma duração de aproximadamente 600 segundos", disse Charles Ammon, professor de geociências da Universidade de Penn.

Segundo Roger Bilhan, professor de ciências geológicas da Universidade do Colorado, o terremoto de Sumatra foi tão intenso que a energia liberada gerou uma força equivalente à explosão de uma bomba de 100 gigatons. Essa é a maior energia já calculada liberada por um abalo sísmico.

O terremoto, que teve origem no oceano Índico, também criou uma falha de 1500 km no leito submarino, a maior existente na Terra.

De acordo com o estudo divulgado, o abalo gerou, ao longo da falha, um deslocamento médio vertical do solo da ordem de 5 metros. Em alguns locais o movimento chegou a 50 metros.

Intensidade maior
Os cientistas responsáveis pelo estudo também elevaram a magnitude do abalo e estimam entre 9.1 e 9.3 graus Richter sua intensidade. Como a escala é logarítmica, isso significa um terremoto aproximadamente três vezes maior que os 9 graus estimados anteriormente. Para se ter uma idéia, durante o terremoto de Sumatra a terra vibrou 100 vezes mais forte que o terremoto de Loma Prieta, na Califórnia, cuja magnitude de 6.9 graus causou pesados danos desde Santa Cruz até São Francisco.

Terremoto monstro
A impressionante força do terremoto de Sumatra e os conseqüentes tsunamis formados, impressionam até mesmo os cientistas veteranos.

"Acredito que todos os que analisaram o terremoto estão estupefatos", disse Thorne Lay, professor de ciências e diretor do Instituto de Geofísica e Física planetária da Universidade da Califórnia.

"Estávamos em nossos laboratórios trabalhando com os sinais emitidos pelo terremoto, tentando compreender o que havia acontecido cientificamente, enquanto a TV mostrava o número de mortos aumentando todos os dias, durante semanas".

A enorme perda de vítimas deste desastre natural fez com que Lay e outros cientistas ao redor do mundo compartilhassem seus dados e análises desse terremoto. O objetivo é desenvolver sistemas de alertas de tsunamis cada vez mais precisos.

Todo o planeta sacudiu
Uma grande gama de instrumentos foi usada pela primeira vez para estudar o terremoto e seus aftershocks (abalos secundários).

Sismômetros de banda larga registraram que o movimento do solo no Sri Lanka, a 1600 quilômetros do epicentro, chacoalhou mais de 9 centímetros verticalmente.

De acordo com o estudo, nenhum lugar da Terra escapou.

"Globalmente, este terremoto foi forte o suficiente para fazer vibrar todo o planeta em até 1 centímetro. Em todos os lugares que haviam instrumentos foram registrados movimentos", disse Ammon.

No Brasil, todos os sismógrafos disponibilizados pelo Apolo11 registraram o evento. Em todos eles os traços ficaram indecifráveis.

A maior parte dos dados foram fornecidos por sismômetros de banda larga, uma nova geração de instrumentos que a NFS (Fundação Nacional para Ciência, dos EUA) e o USGS (Instituto de Pesquisas Geológicas, também dos EUA) disseminaram ao redor do planeta muitos anos atrás.

Lay disse que esses equipamentos são tão sensíveis que podem detectar o movimento do vento soprando por entre as árvores ou de vacas caminhando sobre o pasto.

"Nunca havíamos visto sinais com essa intensidade, e a disponibilidade desses instrumentos foi o ponto de partida para que possamos compreender o processo que desencadeia esses eventos", disse Lay.

Outros instrumentos também ajudaram os cientistas. Câmeras submersas documentaram a enorme falha no leito submarino, enquanto bóias e sonares da marinha inglesa ajudaram na análise.







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