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Lester Brown participa de mesa redonda sobre eco-economia em Brasília
São Paulo, 23 de Julho de 2003
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Em um evento promovido pelo MMA na quinta-feira (17), o fundador das organizações norte-americanas World WWI e EPI, considerado um dos mais influentes pensadores sobre a questão ambiental, falou sobre o tema abordado em seu 27o livro, que acaba de ganhar versão digital em português.

A publicação lançada em novembro de 2001 nos Estados Unidos encontra-se agora disponível para download gratuito no site da Universidade Livre da Mata Atlântica. Após palestra realizada em São Paulo no início desta semana, Brown compartilhou no dia 17/ 07 o conteúdo do livro em uma mesa-redonda composta também pelo secretário executivo do MMA - Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, pelo secretário da Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo Capobianco, pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque, pelo presidente do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Eduardo Pereira Nunes, e pelo coordenador de estudos de Regulação Econômica e Ambiental do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ronaldo Serôa da Mota.

A Eco-Economia para um Mundo Sustentável vislumbrada pelo pesquisador envolve a substituição dos combustíveis fósseis por energias renováveis, especialmente a eólica e a solar, a criação de novos sistemas de transporte e a reciclagem dos produtos. Mas o que levará a humanidade a se voltar à eco-economia?

Segundo Brown, o aumento do preço dos alimentos. Isso porque a produção agrícola mundial enfrentará desafios cada vez maiores, causados por problemas já existentes, como a escassez da água disponível para irrigar lavouras, e as alterações climáticas.

Abordando especificamente o caso da produção de grãos, o ambientalista lembra que são necessários cerca de 1 mil litros de água para a produção de uma tonelada e que já existem conflitos que transpõem fronteiras causados pela disputa por recursos hídricos. Em relação às mudanças climáticas, o pesquisador disse que a elevação de um grau da temperatura representa para algumas regiões do planeta a redução de 10% da produtividade das lavouras. Em consequência disso, Brown definiu o Protocolo de Kyoto como obsoleto e afirmou ser necessário reduzir as emissões de dióxido de carbono pela metade até 2015.

Instrumentos da Eco-Economia

Entre as ferramentas para a reestruturação da economia, as energias renováveis foram apresentadas com muito entusiasmo pelo ambientalista. Utilizou alguns dados do prefácio de sua publicação para falar sobre a energia eólica que, segundo ele, além de ser limpa, inexaurível, barata, gera mais empregos do que a indústria de petróleo. Citou o Inventário Nacional de Recursos Eólicos do Departamento de Energia dos Estados Unidos que aponta que nos Estados de Kansas, Dakota do Norte e Texas há energia eólica suficiente para satisfazer as necessidades de eletricidade.

Discorreu sobre o crescimento do uso da energia eólica na Europa, onde a energia gerada pelo vento já responde por cerca de 20% do total consumido na Dinamarca e 28% na Alemanha. Também apontou as vantagens da energia solar, que define como apropriada particularmente às comunidades rurais devido ao seu baixo custo de instalação e manutenção. Usou como exemplo vilarejos da Índia onde a energia solar já se mostrou economicamente mais vantajosa que uma fonte poluente tradicionalmente utilizada para a iluminação dessas áreas, o querosene.

A reestruturação do sistema tributário, com aumento de impostos de atividades que degradam o meio ambiente, como os produtos derivados de combustíveis fósseis, e subsídios para ações ambientalmente construtivas, é outra ferramenta considerada fundamental para a construção da Eco-Economia. Segundo ele, experiências já vem sendo adotadas em pequena escala por alguns países europeus.

Neste sentido, os custos ambientais indiretos também devem ser incorporados aos preços à cadeia de produção. Brown utilizou como exemplo o custo de um maço de cigarro à sociedade norte-americana, calculado em US$ 7,18, resultado, entre outros, de gastos com tratamento médico e problemas de produtividade no trabalho entre os fumantes.

A estabilização da população por meio de programas educacionais para as mulheres é mais um item importante para a sustentabilidade do planeta, assim como ponto-chave para quebrar o ciclo da pobreza. "Quanto mais educação elas têm, mais opções têm do que podem fazer com suas vidas", disse.

Falando logo após o pesquisador norte-americano, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, denunciou que, embora tenha ocorrido mudança de paradigma no último século na física, na química e na biologia, por exemplo, a economia se negou a sofrer alterações. Para o ministro, os Departamentos de Economia estão entre os mais reacionários das universidades. "Nós precisamos incluir a ecologia dentro do arcabouço da economia."

Ele aproveitou para perguntar para a platéia quem pertencia do Ministério do Planejamento, para avaliar quantos funcionários estavam dispostos ou disponíveis para acompanhar a discussão desse gênero. Três participantes levantaram a mão, dois deles do IPEA e um do IBGE, órgãos vinculados ao ministério. Buarque explicou que seu questionamento não se dirigia a funcionários de institutos de pesquisa, mas estava voltado a integrantes da equipe responsável pelo orçamento da União.

O ministro sugeriu que o Ministério do Meio Ambiente transforme o evento em uma atividade permanente. "Nós estamos sem debates ideológicos na Esplanada dos Ministérios. Precisamos sair dos nossos prédios para discutir idéias e construir um projeto alternativo para o Brasil.Se não fizermos algo diferente, não teremos justificado todo o esforço em nos eleger", disse Buarque, que tem esperança de que o Brasil construa um novo paradigma civilizatório.

Dialógos para a Sustentabilidade

Em resposta à sugestão do ministro da educação, o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, afirmou que em agosto será iniciado Diálogos para a Sustentabilidade, uma série de debates com especialistas internacionais, entre os quais a ecofeminista indiana Vandana Shiva - coordenadora da Fundação de Pesquisa para Políticas de Ciência, Tecnologia e Recursos Naturais da Índia e autora de Biopirataria - A Pilhagem da Natureza e do Conhecimento e Monoculturas da Mente - e o físico Fritoj Capra - autor de O Tao da Física, O Ponto de Mutação e responsável pelo Centro para Eco-Alfabetização, localizado em Berkeley (EUA). Langone anunciou ainda a consolidação de duas agendas transversais: a instalação do órgão gestor da Política Nacional de Educação Ambiental, em parceria com o Ministério da Educação, e a implantação de uma agenda ambiental do setor elétrico, com o Ministério de Minas e Energia.

A produção agrícola de grãos voltou a ser um tema abordado com preocupação pela mesa-redonda. O presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, afirmou que o hoje o Brasil já produz mais de 100 milhões de toneladas de grãos, tendo para isso incorporado para o plantio áreas do Cerrado e da Floresta Amazônica. Para ele, o país precisa se questionar a respeito da sustentabilidade deste modelo e por quanto pode atender à demanda do mercado internacional, uma vez que também está envolvido com o projeto de erradicação da fome. "Esta é uma contradição para a qual devemos estar atentos."

Cristiane Fontes - ISA - Instituto Sócio Ambiental





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