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Imagens de satélite e sensoriamento remoto

Imagens de satélite ajudam a estudar a expansão da malária na Amazônia
São Paulo, 04 de Maio de 2004
ÍNDICE GERAL   

As grandes hidrelétricas, como a de Tucuruí, no Pará, surgiram no cenário amazônico nos anos 80. Como tais usinas precisam de grandes reservatórios, uma das primeiras conseqüências para o ambiente foi a derrubada da floresta. Desse modo, o cenário para o desenvolvimento de epidemias de malária começava a se formar.

Com base nesse conhecimento histórico e ecológico, a engenheira paulista Cíntia Honório Vasconcelos resolveu investigar se imagens de satélite poderiam ser úteis para estudar a expansão da doença no território amazônico. O foco foi feito em municípios próximos ao reservatório de Tucuruí.

A conseqüência imediata da pesquisa foi a geração de mapas de áreas de risco de malária nas cidades paraenses de Jacundá, Tucuruí e Novo Repartimento. As imagens, que revelam a cobertura vegetal por intermédio de metodologias matemáticas, foram cruzadas com séries históricas de malária para a região.

O trabalho foi apresentado como tese de doutorado defendida na Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo, com orientação da professora Evlyn Novo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nos três municípios analisados, a correlação entre as figuras e os pontos georreferenciados do mundo real se mostrou positiva. No caso de Jacundá, por exemplo, 60% das áreas onde ocorreram casos de malária nos últimos oito anos estavam dentro da área do mapa considerada de alto risco. Esses dados são referentes à 1996.

Em 2001, as imagens de satélites voltaram a ser usadas para a geração de mapas. O resultado novamente mostrou a relação direta entre malária e desmatamento. A comparação das duas gerações de mapas mostra que a área de risco aumentou de 83,75 quilômetros quadrados, em abril de 1996, para 161 quilômetros quadrados, em abril de 2001, disse Cíntia à Agência FAPESP. Isso, segundo o estudo, ocorreu por causa da abertura de novas estradas e da expansão da mancha urbana.

A relação ecológica entre a malária e os grandes reservatórios das usinas hidrelétricas é bem conhecida dos cientistas. Os mosquitos transmissores da doença, em sua fase larval, necessitam de ambiente aquático.

E as plantas que se desenvolvem em grande quantidade na superfície dos lagos, ainda mais sob as condições ideais da Amazônia, são um abrigo natural excelente para as larvas dos anofelídeos, grupo dos mosquitos responsáveis pela transmissão da malária. No caso amazônico, o estudo também mostrou uma relação direta entre malária e seca. Segundo Cíntia, isso se explica porque nos meses em que chove menos normalmente de abril a agosto os reservatórios ficam com as suas cotas máximas.

Nessa situação, a cobertura desse tipo de planta sobre o lago é maior. Normalmente, a seca coincide também com o período de férias escolares, quando há mais pessoas nas propriedades rurais, que podem entrar em contato direto com os mosquitos, disse.

Cíntia e Evlyn acreditam que a abordagem feita por elas no estudo pode, com algumas adaptações, ser usada para outras doenças, como leishmaniose e dengue. Isso se a ecologia dos mosquitos e a relação desses invertebrados com o ambiente e a população humana forem bem conhecidas.

Esses mapas de risco podem ajudar no controle da malária, que deve ser tratada como uma questão nacional. Problemas como os que estão ocorrendo agora nas periferias de Manaus, devido à expansão desordenada, vão continuar se medidas efetivas não forem tomadas, acredita Cíntia. Os arredores da capital do Amazonas vem sofrendo com freqüentes epidemiais de malária nos últimos meses.







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