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Rondônia mostra sinais de desertificação
São Paulo, 07 de maio de 2004
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Em alguns lugares de Rondônia, a desertificação já pode ser constatada. Em Pimenta Bueno, a 560 km de Porto Velho, há trechos onde agora só crescem arbustos e mato. Nesses pontos, a areia já é visível. Se o desmatamento não for reduzido, alertam especialistas, em dez anos essas áreas constituirão um verdadeiro deserto.

A possibilidade de desertificação já havia sido prevista na década de 90, quando foi instituído o Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia (Planafloro). O ex-coordenador do programa, engenheiro agrônomo Pedro Beber, de 52 anos, explicou que há pontos onde o solo é paupérrimo. "Sem cobertura vegetal, nessas áreas não vão mais crescer árvores", disse.

Por meio de análises da qualidade do solo, foram identificadas as áreas propícias a virar deserto. Além de Pimenta Bueno, Beber cita Cujubim, a cerca de 200 km a oeste de Porto Velho, e Nova Mamoré, a aproximadamente 280 km a noroeste dessa capital. Nesses dois locais a ação de madeireiras é intensa.

Em lugares como Cujubim e Nova Mamoré existe areia embaixo de uma fina camada de terra. Nessas áreas, a floresta acaba se alimentando de si própria. A vegetação se nutre principalmente das folhas que caem. Quando ocorre o desmatamento, as árvores que atingiam com facilidade mais de 40 metros de altura não voltam a nascer.

O promotor de Justiça Miguel Mônico, da área de Meio Ambiente, afirmou que em determinadas áreas não deve ser retirada uma única árvore e comentou que, infelizmente, isso acaba não ocorrendo. "Existem pontos onde o solo é muito pobre e mesmo assim a floresta é derrubada para a retirada ilegal de madeira", denunciou.

Mônico acrescenta que o desmatamento também causa assoreamento. "Em Rondônia há lugares onde há mais água na superfície do solo do que embaixo. Quando a cobertura vegetal é retirada, a água migra, por causa da evaporação. Isso é preocupante. Como classificaríamos um lugar arenoso e ainda por cima com pouca água?"







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