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Trabalhos de limpeza continuam no litoral paranaense
São Paulo, 4 de Dezembro de 2004
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Cerca de 570 pessoas trabalham no litoral do Paraná, atualmente, limpando os resíduos de óleo combustível que vazou do navio Vicuña, com o acidente do dia 15, no Porto de Paranaguá.

O trabalho de limpeza começou no dia 17 de novembro, segundo dia após a explosão que ocasionou o desastre ambiental nas baías de Paranaguá, Antonina e Guaraqueçaba. De lá para cá os trabalhos têm sido diários com o monitoramento in loco e aéreo de fiscais do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e IAP - Instituto Ambiental do Paraná.

As áreas com impacto ambiental grave, ou seja, atingidas por grande quantidade de óleo, somaram 18 quilômetros. Para o oceanógrafo Geraldo Ottoni Neto, analista ambiental do Ibama e chefe da Estação Ecológica de Guaraqueçaba, o progresso nos trabalhos de limpeza é visível.

De acordo com Ottoni Neto, a evolução maior está sendo observada na limpeza das praias, onde os trabalhos são mais fáceis. Ainda assim, segundo ele, os monitoramentos diários continuam. Ele justifica que mesmo com as praias aparentemente limpas, ainda estão sendo encontradas placas de óleo enterradas na areia. O analista conta que na Ilha das Peças, por exemplo, foram encontradas placas deste tipo pesando entre 50 e 100 quilos nos últimos dias.

Mas a preocupação maior é em relação aos mangues, diz o oceanógrafo. Cerca de cinco quilômetros de mangue foram comprometidos pelo óleo. “Nesta superfície nenhum trabalho de limpeza está sendo realizado. Foram providenciadas somente ações preventivas para não chegar mais óleo. A tentativa de limpar seria ainda mais prejudicial para o meio”, conta. O analista comenta que há uma recomendação científica internacional no sentido de aguardar que ocorra uma processo natural de limpeza dos mangues.

Nos costões rochosos, habitat natural de diversos tipos de invertebrados – entre eles moluscos e crustáceos -, a limpeza também é difícil. O analista ambiental explica que neste caso estão sendo utilizadas mantas absorventes. “As mantas são colocadas nas rochas e depois puxadas. Boa parte do óleo fica absorvida nelas”, esclarece.


Multas - As empresas Sociedad Naviera Ultragas (fretadora do navio), P&I (seguradora), Wilson Sons Agência Marítima (responsável pelo navio) e Catallini (empresa responsável pelo terminal onde o navio descarregava metanol), continuam sendo multadas diariamente. Para que a multa seja suspensa, todas as exigências feitas pelos órgãos ambientais deveriam ser cumpridas, segundo Andréa Vulcanis, procuradora federal chefe do Ibama no Estado.

Ottoni Neto conta que a maior parte das metas estabelecidas pelo Ibama e IAP já estão em conformidade, por parte das empresas. Entretanto ele destaca que os vazamentos de óleo do ponto em que o navio está localizado para a baía ainda ocorrem, o que já justifica a cobrança das multas. “Ainda que as manchas que vazam sejam finas e sejam recuperadas antes de percorrer longas distâncias, a meta é de que não ultrapassem as barreiras de contenção”, destaca.

Andréa Vulcanis comenta que até hoje o valor das multas das quatro empresas já soma R$ 17 milhões. A procuradora lembra que após o fechamento do valor total das multas as empresas terão 20 dias para recorrer.


Fauna - O Grupo de Resgate de Fauna do Ibama resgatou 120 animais até a tarde desta sexta-feira (3). Estão vivos uma garça – que chegou ao hospital de fauna nesta sexta -, três biguás, dois atobás, uma tartaruga verde, um lagarto Teiú, além de um pato, um jacaré-do-papo-amarelo e um gato-mourisco já devolvidos ao meio ambiente.

A previsão da bióloga Cosette Xavier, coordenadora do Núcleo de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama, que comanda o grupo de resgate no litoral, é de que mais animais sejam libertados nos próximos dias.


Pesca - Outro problema do desastre, devido à contaminação, foi a proibição da pesca na região, o que prejudicou bastante os pescadores. Alguns até desrespeitaram a proibição por não ter o que comer. Para tentar amenizar os problemas, desde esta segunda-feira (29 de novembro) estão sendo entregues cestas básicas e, em uma reunião realizada nesta quinta-feira (02) com os deputados estaduais, membros da Defesa Civil do Paraná e representantes das empresas envolvidas no acidente, ficou decidido que salários mínimos, para um auxílio no orçamento, serão entregues a partir desta segunda-feira (6).

Na reunião de quinta-feira também ficou decidido que as empresas envolvidas no acidente terão que contratar os pescadores prejudicados. Estes pescadores auxiliarão na limpeza ambiental. “A empresa estava terceirizando o serviço, mas diante das dificuldades enfrentadas pelos moradores e pescadores da região, garantir essa prestação de serviço seria uma atitude social. Então ficou definido que os pescadores cadastrados deverão assumir esse trabalho”, disse o tenente Genero da Defesa Civil, um dos participantes da reunião.







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